20070716

Anunciar o amor de Deus ao pobre

Luísa

Havia naquela aldeia uma mulher chamada Luísa, cujo marido, Tibério, era alcoólico. Ele batia-lhe amiúde e destruía toda a paz do lar.

Se se podia chamar lar… Nem casa! Uma barraca de pedra, com chuva a cair em tudo o que era canto e os vidros partidos a deixarem entrar um frio de regelar os ossos.

Os filhos, claro, não tinham aproveitamento escolar.

Na terra da Luísa viviam duas mulheres (cujos nomes devem ser omitidos) convencidas da bondade do seu Deus. E tinham como certo que um Deus tão bom também queria que a Luísa fosse feliz.

Assim, tomaram como tarefa sua levar à Luísa um pouco de felicidade, pelo reconhecimento de também ela ser amada daquele Deus.

A primeira destas mulheres todas as semanas, duas tardes, ia ter com a Luísa e falava-lhe longamente desse bom Deus.

A segunda, todas as semanas, em duas tardes, trazia para sua casa os filhos da Luísa e dava-lhes explicações da matéria escolar.

Depois, convenceu o marido a que este convencesse uns amigos e fossem dar um conserto ao telhado da casa da Luísa.

Além disso, boca a ouvido, astuta e persistente, organizou uma espécie de consciência feminina local, de modo que quase não havia homem na terra, cujo último beijo da noite, não fosse a recomendação da companheira para controlar na taberna o vinho do Tibério!

Um dia, cansada do “massacre” da primeira mulher, Luísa respondeu-lhe mal, numa linguagem que aqui não convém.

E só muito tempo depois, um dia pelas quatro da tarde, a Luísa finalmente subiu ao templo daquele Deus bom, para lhe agradecer a existência da segunda mulher e o bem que, através dela, lhe trazia.

(Escutar e Servir, Temas de Reflexão - Cáritas Diocesana de Coimbra)

Será que não é necessário mais do que lindas palavras?!

7 comentários:

marta disse...

Bravo!
Este texto é uma reflexão brilhante!
Acredito no que nele está está escrito.
Acredito que a melhor forma de passar o amor a/de Deus não é só pelas palavras bonitas, que com o tempo ficam apenas aborrecidas... é pelas nossas atitudes, é pelo que somos que seremos avaliados, não pelo que dizemos! Não pelo que tentamos impor aos outros!

Adorei!

Beijinhos.

LadyBird disse...

Olá fa,

Gostei muito de ler este texto.
Reflecte muito a forma como eu defendo o cristianismo.
Obrigada por partilhares.
Besitos

antonio disse...

Podemos tentar ver neste texto a parábola do Bom Samaritano. Também um sacerdote passou pelo homem caído, que descia a Jericó, sem lhe acudir na sua desgraça. Sabemos que tomou o caminho por outro lado, mas nada nos é dito se terá ou não deixado uma oração.

Não devemos falhar no bem que podemos fazer aos outros, em particular quando o outro nos toca em ser o próximo. Esta parece ser a mensagem desta parábola.

Mas o poder da oração e o sentido evangelizador, que tem que existir em cada um de nós, não pode, nem deve ser impedimento para fazermos o bem. Esta bem pode ser a lição a tirar deste conto.

Sandra Dantas disse...

As palavras só são viáveis quando acompanhadas de gestos concretos de amor!!!

Um grande abraço para ti, linda!!!

mimika disse...

De facto, as acções, os exemplos são mto mais eficazes na evangelização, na educação.

Beijinhos

Ps: não me esqueci do desafio.

Cátia disse...

Minha querida,

Adorei o post, está excelente!! Sabes que o assunto da violência é um assunto que eu gostava que fosse reflectido por todos e tu deixas aqui uma optima partilha.

Claro que palavras bonitas não sao o suficiente. Quantas vezes Jesus no seu silencio chegava aos "pobres e miseráveis"? Aqueles que todos desprezavam... É preciso agir, é preciso ajudar... As pessoas têm que perceber por actos do mal que sofrem e de que Deus as acompanha. As palavras são teoricas, Deus é acção de Amor...

És linda querida.
Muitos beijinhos para ti

joaquim disse...

Como eu sempre digo, porque outros já o disseram:
«Mais vale um bom testemunho sem palavras que muitas palavras sem testemunho».
No entanto não se pode dissociar o "fazer bem" do anúncio da Palavra.
Sem Deus o outro pode resolver alguns problemas da sua vida, mas não resolve o mais importante que é o sentido da vida e para que foi criada.
Gostei do conto...
Abraço amigo em Cristo