sábado, 29 de março de 2008

Philia ou o valor da amizade

"Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive
Para a vida eterna."
(S. Francisco)


(Imagem daqui)

Hoje deu-me para discorrer brevemente sobre a amizade em:
Ticho e amigos

terça-feira, 25 de março de 2008

Rio

Que rio é este
Que teima em correr
Serpentear?

Rio alado
Açodado
Caudaloso
Revoltoso como o mar
Conturbado
Nutrido de rápidos
Mas de lagos de luar

Este rio
Que me escorre
Que me lava
Que me rega
Me dá vida

Este rio
Que sou
Onde estou
Onde vou

De onde vem
E para onde corre
Este rio
Que corre em mim?

domingo, 23 de março de 2008

23.03.196_

- Ó Toino! – chamou – corre a casa da avó… que venha cá depressa… depressa!... que está na hora...
Era de manhãzinha ainda. Março, tempo de cheias ao campo.

No dia anterior, António tinha ido ao peixe. Ela preocupara-se. Era tarde e o filho mais novo não regressava. As chuvas tinham sido muitas e a cheia era grande.
- Ai, que ele afogou-se por lá!...
Mas, por fim, já rente à noite, lá chegava ele. Carregado. De balde cheio e rodafole às costas. Ela acalmou. Ao jantar, saciou-se com a pescaria.


É chegado o momento.
- Maria… força! Agora! – ajuda a sogra.
Mas ela estava aflita. Destreinada.
Tinham passado quase quinze anos desde a última vez. Sentia-se cansada, velha para estas coisas. Só que agora era tarde de mais. Não havia volta a dar, e tinha que colaborar.

- Agora!... Força!...

- Uaaaaaá… Uaaaaaá…

Uma luz!

- É menina! Desta vez é menina!
Ainda não dava para acreditar!

Diz ela, sempre, que a filha nasceu com uma barrigada de robacos e camarões.

Anos depois, no mesmo dia, é Domingo de Páscoa!
Jesus Ressuscitou! Está vivo. Aleluia!

Uma Luz!

Uma luz não se acende para colocar debaixo do alqueire!



Do mesmo modo, o nascer e o morrer não podem ser em vão!

quarta-feira, 19 de março de 2008

O Cantar das Almas

A Quaresma é um tempo propício a gestos exteriores de oração e penitência: Jejum, Abstinência, Via-sacra, Celebração da Reconciliação em Comunidade…

Por algumas localidades mantém-se, ainda, uma antiga tradição: O Cantar das Almas.
Este cantar, que se faz de porta em porta pela noite adentro, tem como principal objectivo o de pedir ao Senhor pelas Almas do Purgatório, no momento em que é feito e, também, com a angariação de fundos para celebração de missas pelas mesmas almas.
Uma parte do dinheiro recolhido pode ainda ser destinado a alguma outra finalidade identificada previamente como necessidade.
Além disso, é um despertar de consciências pela condição de pecadores, em ordem à salvação de todos.

Por cá, esta tradição já não é o que era…
Uns anos com mais força, outros nem por isso. Este ano, nem por isso…
Mas acho que esta seria uma tradição a manter.

Não quis deixar passar esta Quaresma sem partilhar a letra que se costuma cantar por aqui, para que quem não conhece fique com uma pequena ideia.


Acordai fiéis cristãos, desse sono em que estais
Que vos bate Deus à porta, vós dormindo, ressonais.

Vós dormindo ressonais, na torpeza do pecado
Olha lá não amanheças, no inferno sepultado

No inferno sepultado, não hei-de eu amanhecer
Que a Virgem Nossa Senhora, é que nos há-de valer

A Virgem Nossa Senhora, nos aceite estas passadas
Que nós andamos pedindo, para as almas necessitadas

À Porta das Almas Santas, bate Deus a toda a hora
E as almas lhe responderam, meu Senhor que quereis agora

Quero que deixeis o mundo, e que vamos para a glória
Na companhia de Deus, levai-nos em boa hora

Ó meu Deus ó meu Senhor, ai Jesus quem se lá vira
Na companhia dos Anjos, e mais da Virgem Maria

Já o Sacrário está aberto, já o meu Deus lá está dentro
Adoremos, adoremos, o Divino Sacramento

O Divino Sacramento é o Supremo Senhor
Adoremos, adoremos, Jesus Cristo Redentor

Ó que Sacrário tão lindo, todo dourado por fora
Adoremos, adoremos, o Divino Rei da Glória

Ó que Sacrário tão lindo, ouro tão bem empregado
Onde esteve Jesus Cristo, nove meses encerrado

Bendita louvada seja, a Santíssima Trindade
E que por nós veio ao mundo, ó Virgem da Piedade

Ó Virgem da Piedade, a devoção nos obriga
De rezar às Almas Santas, rezemos com alegria

Homens, mulheres e meninos, este povo auditório
Dai a esmola se puderes, pr’às Almas do Purgatório

Como Lázaro vos pedem, que lhes não deis as fazendas
Que lhes deis as migalhinhas, que crescem das vossas mesas

Esses bens que possuirdes reparti-os em vossa vida
Lá os achareis na glória, quando fordes à partida

Nós havemos de morrer, sabe Deus pra onde iremos
Das Almas do Purgatório é bom que nós nos lembremos

Que atormentados de dor, continuam a padecer
Assim são as Almas Santas no Purgatório a arder

Dai a esmola se puderes, se com devoção a dais
Já lá tendes vossas mães, vossos filhos vossos pais

Essa esmola que vós dais, não cuideis que a gastemos
É para missas pr’às almas, é devoção que nós temos

Ajoelhemos por terra, já não somos os primeiros
Vem na nossa companhia Jesus Cristo verdadeiro

Jesus Cristo verdadeiro é o único Senhor
Salvai-nos as nossas almas quando deste mundo forem

Ó Almas Santas benditas peçam a Nosso Senhor
Que esta nossa oração seja em Vosso Louvor

Seja em Vosso Louvor, e mais da Virgem Maria
Pelas Almas um Pai-Nosso, e por elas Avé-Maria
(Ajoelham todos e rezam um Pai-Nosso e uma Avé-Maria)

Vós destes a esmola, deste-a com devoção
Dos Anjos tereis o prémio, lá no Céu a salvação

Seja pelas Benditas Almas, que no Purgatório estão
A Virgem Nossa Senhora, nos aceite a oração.

sábado, 15 de março de 2008

Verdade ou mentira?

Verdade e justiça são conflituosas, porque opositoras da mentira e da injustiça.

O estar de bem com tudo e com todos poderá ser suspeito, na medida em que pode ser um compactuar com as situações, mascarado de caridade, de amor.

Amar sim. Sempre. Por isso, em certas situações tem que se chamar à atenção, denunciar. O conflito, provocado pela mentira do mundo, é necessário, para que se salve o mundo dela.

O Cristão, pelo facto de ter o amor no centro das suas atitudes, não pode "fechar os olhos" nem calar-se perante tudo, sob a capa de um amor tolerante, para ficar de bem com todos, para não entrar em conflitos, para não ser apelidado de mau e de outras coisas. Se o fizer, está a ser cobarde e hipócrita.

Quem ama, porque ama, não se acomoda perante todas as situações. Procura corrigir o que sabe que está errado, mesmo que com isso tenha que gerar conflitos, pequenas guerras.

Acho que, se em vez de se enfrentarem certas situações que se acham contrárias ao que se tem por correcto, se optar por calar, por deixar correr, porque se pensa que não adiantará nada, ou que assim não se está a amar as pessoas (as quais podem estar a agir de determinada maneira por maldade, mas também por desconhecimento ou ignorância...), pode-se estar a gerar uma falsa harmonia que, mais tarde ou mais cedo, acabará por rebentar.

“Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, digo-vo-lo Eu, foi antes a divisão. Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa só casa: Três contra dois e dois contra três; dividir-se-ão o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.
(Lc. 12, 51–53)

Por isso já alguém me chamou de “veneno”... e não só!
Mas não me importo muito. Serei assim, algumas vezes por imperfeição, mas a maioria por amor.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Os rapazes

Tanto por dizer.
Tanto sempre por falar!

Um, cabelos louros, encaracolados, agora nem tanto. O outro, mais moreno, de olhos verdes.
Faz hoje anos que o primeiro conheceu o segundo.
Hoje, este vê aquele ir embora novamente.
As brincadeiras de crianças ficaram para trás.
Longe vão os dias em que um tomava conta do outro. Mais longe ainda, o tempo em que a abelha-mestra os fazia dormir, mas era ela que adormecia.
Lindos, estes rapazes!
Sempre tão lindos! E ainda mais, aos olhos da mãe!



domingo, 9 de março de 2008

Hoje cantámos assim

Chamas meu nome Senhor
Bates na porta gentilmente
Eu vou abrir para ti
Quero entregar-me totalmente

Contigo eu quero comer
Ó que presença e comunhão
Restaura todo o meu ser
Faz tua morada em meu coração

Jesus,
Meu Jesus, és o pão
Tu és meu alimento
Jesus,
Quero ser o teu lar
Amado da minh’alma
Jesus

Meu Jesus, és o pão
Tu és meu alimento
Jesus,
Quero ser o teu lar
Amado da minh’alma
Jesus




(Beto Tavares - Chamas Meu Nome)

sábado, 8 de março de 2008

Um mimo para a Mulher



Que belos são os teus pés nas tuas sandálias,
ó filha de príncipe!
As curvas dos teus quadris são como jóias,
obras de mãos de artista.
O teu umbigo é uma taça arredondada
cheia de vinho perfumado.
O teu ventre é um monte de trigo cercado de lírios.
Os teus dois seios são como dois filhinhos
gémeos de uma gazela.
O teu pescoço é como uma torre de marfim.
Os teus olhos são como as fontes de Hesebon,
junto à porta de Bat-Rabim.
O teu nariz é como a torre do Líbano,
que olha para os lados de Damasco.
A tua cabeça levanta-se como o monte Carmelo;
os teus cabelos são como a púrpura,
e um rei ficou preso nas tuas madeixas.

[Livro do Cântico dos Cânticos, CânticoVI. 7, 2-6]

segunda-feira, 3 de março de 2008

Agarra, agarra a vida!

A semente é lançada
Em terra trabalhada
Não fiques de mãos fechadas
Sem horizontes, sem estradas

Se não a cuidares
Nunca poderá nascer
Nunca irá ouvir
O que a vida tem para dizer

Agarra, agarra a vida
Ela é dom
Ela é para todos
para toda a vida


A semente germinou
Numa rosa se tornou
Não olhes sem coração
Os que morrem em botão

Se não a defenderes
Não vai sobreviver
Não pode haver primavera
Nem flores a crescer

Agarra, agarra a vida
Ela é dom
Ela é para todos
para toda a vida


Os espinhos aparecem
A vida jovem enlouquecem
Não fiques no teu cantinho
Constrói o teu caminho

A vida é beleza
Amor e alegria
Não deixes de lutar
Vive bem em cada dia

(canção: Agarra a vida, O desafio de Viver)



Ao chegar a mim o eco de uma pessoa desesperada, questionei-me e senti-me impotente para mitigar aquela dor.
Só consegui dizer:
Agarra a vida