quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Guardo-te em mim...

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
E o mundo nos leve pra longe de nós
E que um dia o tempo pareça perdido
E tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
Atado em mim, a cada lugar meu
E hoje apenas isso me faz acreditar
Que eu vou chegar contigo
Onde só chega quem não tem medo de naufragar


Mafalda Veiga - Cada lugar teu


... com nostalgia de dias tão especiais.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Inteira...


... num pedaço de terra e mar

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Algures entre terra e mar




Vou
E sei que me hei-de perder
Mas vou
Levo comigo pedaços do que sou
E de partida que me sei
Inteira só serei
Quando me achar
Algures entre terra e mar

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Desenhar uma pausa

No tempo da pausa não há música;
mas sem a ajuda da pausa a música não acontece.



Assim, também a melodia da vida precisa de tempos de pausas.

Não me importa que a pausa seja de semibreve ou de colcheia...
Prefiro desenhá-la em tons de azul de céu e mar!




Ao longe vê-se a ponte
O céu que muda
Entre o princípio e o fim
Ao fundo vê-se um monte
De casas velhas
De cor entre ocre e carmim
Eu espero no tempo
Algum sinal teu
Enquanto a saudade aperta
Agarro-me ao mundo
Recolho o que é meu
A ver se a vida se acerta
Naquilo que prometeu

Desenho no horizonte
Uma viagem
Que faço sem me mover
E passo sobre a ponte
Para outra margem
Onde pudesse perder
O peso dos dias
A dor do caminho
Que fica agarrada à pele
Se a vida voasse
Para além do destino
Como a cabeça nos voa
Numa folha de papel

A vida passa sempre
Tão apressada
Que pouco podes conter
Os dias são ausentes
Sabem a nada
Se te esqueceres de viver
Agarra o teu mundo
Acende os lugares
Onde se escondem os teus sentidos
E não tenhas medo
Se às vezes falhares
O que importa é o caminho
Que fica
Entre achados e perdidos
(Mafalda Veiga - Entre achados e perdidos)

sábado, 2 de agosto de 2008

Faísca

Eu sei que por vezes tenho mau feitio.
Sou brusca, impulsiva... Perante certas situações, saem assim umas coisas disparadas que, acredito, até façam doer do outro lado. E, na hora, nem me apercebo. Mas asseguro que não é por maldade. Costumo referir que é "jeito que ficou do berço", que ainda não consegui corrigir, muito embora me esforce para isso. Há um ditado popular que diz que "pau que nasce torto tarde ou nunca se endireita"; quem sabe se não é o meu caso?!
Mas caio em mim e reconheço, umas vezes por mim própria, outras se me chamam a atenção. E procuro refrear-me. Só que, por vezes, dou conta de que já tinha feito faísca! E venho a aperceber-me de que a faísca ficou a calar em restolho de palha seca.
Apenas restolho de palha seca...