20090826

Uma aventura… entre ilhas

Por favor, a vossa atenção! O autocarro não vai sair ainda, têm que descer e voltar para o terminal… há um atraso de uma hora… o avião está em manutenção.
“Oh, não!”
Sair. Voltar atrás. Esperar mais uma hora!

- Estou!... Já estão no avião?
- Ainda não!... o voo está atrasado uma hora…
- Ai, não!
- Pois, hoje já não vamos para o Pico, não vamos chegar a tempo de apanhar o último barco… com esta hora de atraso.
- Mas o que é que aconteceu?
- Só sei que o avião tem uma hora de atraso… está em manutenção. Uma avaria técnica. Um pneu furado. Os travões avariados. Um motor gripou… pifou, ou ardeu… queimou! Sei lá!... estou a começar a entrar em erupção!
- Calma! Vão ter tempo…
- Ainda se tivéssemos a chave da casa do Faial… assim vamos dormir debaixo da ponte… Ui! Não há lá ponte!... Dormimos no telheiro da varanda… (isto é, se dormirmos… se lá chegarmos!... e se avaria não for reparada como deve ser?… alguma vez tenho que morrer…) - os pensamentos atropelam-se a milhentos à hora. - E agora?
- Hei! Calma! – Responde a voz querida do outro lado – Vão chegar a tempo, o avião depois recupera!
- Ai quem me dera!

Dali a meia hora:
- Já vamos agora para o avião!
- Pronto, então vão ver que chegam a tempo… quando estiverem mesmo para sair, antes de desligarem os telemóveis mandem uma mensagem.
- Ok, até já!

Depois de cerca de meia hora dentro do avião. Após a contagem e recontagem dos passageiros… e mais outra recontagem ainda, é chamado um passageiro à cabine do comandante. Mais um compasso de espera.
Dali a mais algum tempo:
“Atenção, senhores passageiros, fala-vos o comandante. Por motivo de não aparecer um passageiro que faltou ao embarque, haverá mais alguns minutos de atraso, uma vez que se vai proceder ao descarregamento da bagagem.”
“Pronto, agora é que é!... é impossível apanhar o barco…”
- Mais um atraso! Um passageiro não aparece e têm de lhe ir procurar a bagagem para descarregar… olha, agora adeus: assim é que o barco vai embora sem a gente o apanhar
- Não se preocupem! Se não o apanharem, eu vou no barco das nove com a chave da casa e ficamos lá para amanhã. Liguem quando chegarem.

À chegada:
- Já desembarcámos!... agora vamos às bagagens… mas a esta hora o barco já deve ter ido…
- Vão na mesma para lá… que vai lá estar um barco à vossa espera… já tratei de tudo… só consegui um semi-rígido, mas o mar não está assim muito mau…
- Há aqui mais duas moças que também vão para o Pico…
- Está bem! Também podem ir. Sete pessoas… e bagagens… dá bem, dá bem!

Pegámos um táxi e chegámos, ‘os sete’, ao cais. E… ena!... o mar! mas já é quase noite, não é altura para ‘mergulhar’… (não sei, não!) mas acho que ‘os sete’… vão ter cá ‘uma aventura!... no Faial’… melhor dizendo: entre o Faial e o Pico… num barco de doze.
Três rapazes, que tinham chegado antes de nós, esperavam a sorte de um barco que rumasse ao lado de lá. O patrão do barco disse que podiam seguir connosco, que ainda havia lugares. Agora somos dez, mais a tripulação: um casal de jovens skippers. Um barco de doze, cheio. Uau! Só espero que não seja como jogar à ‘batalha naval’: ‘um barco de doze ao fundo!’
A nossa skipper deu-nos casacos impermeáveis e coletes insuflados que tivemos que vestir e… mar, aqui vamos nós!!!
Quinze minutos de travessia entre as duas ilhas. Mar um pouco picado. O barco aos altos e baixos e as ondas a molhar-nos. “Esta estrada está cheia de buracos!...” – gritava eu. Risos. “Parece as estradas da Madeira!” – volveu a rapariga madeirense que ia ao meu lado. “ O Alberto João é que havia de vir aqui também.” Gargalhadas. “A minha cara já está a arder!” – dizia a mesma moça que tinha ficado do lado pior e me guardava, com o seu corpo, das chicotadas da água. Uau! Mais salpicos!...
Hoow! Outra onda!... “Estou toda molhada!” Mais gargalhadas!... e mais e mais! E ainda mais de cada vez que sentíamos os beijos do mar no rosto e no corpo.



Bem!... Chegámos sãos e salvos. Não mergulhámos no mar, mas ele não deixou de nos vir saudar. Foi uma aventura e tanto - quem ler, pode acreditar. Bendito atraso do avião. Só por esta aventura, valeu o atraso! É como eu sempre digo: ‘nada acontece por acaso’. Eu estava mesmo a precisar desta adrenalina toda até à ponta dos cabelos. Há muito que não me sentia tão jovem, tão criança! Já sentia imenso a necessidade de me soltar. Eu e as minhas gargalhadas!


(Curiosidade: lembrei-me de que no livro d’Os Sete – “Uma Aventura nos Açores” – há um desenho premiado da minha muito querida.)


20090822

Abençoa, Senhor, o JP e a Cris

abençoa-os sempre!
...

Que nenhuma família comece em qualquer de repente
Que nenhuma família termine por falta de amor
Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente
E que nada no mundo separe um casal sonhador
Que nenhuma família se abrigue debaixo da ponte
Que ninguém interfira no lar e na vida dos dois
Que ninguém os obrigue a viver sem nenhum horizonte
Que eles vivam do ontem, no hoje e em função de um depois

Que a família comece e termine sabendo aonde vai
E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai
Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor
E que os filhos conheçam a força que brota do amor

Abençoa, Senhor, as famílias, Amén!
Abençoa, Senhor, a minha também!

Que marido e mulher tenham força de amar sem medida
Que ninguém vá dormir sem pedir ou sem dar seu perdão
Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida
Que a família celebre a partilha do abraço e do pão
Que marido e mulher não se traiam nem traiam seus filhos
Que o ciúme não mate a certeza do amor entre os dois
Que no seu firmamento a estrela que tem maior brilho
Seja firme esperança de um céu aqui mesmo e depois

Que a família comece e termine sabendo aonde vai
E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai
Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor
E que os filhos conheçam a força que brota do amor

Abençoa, Senhor, as famílias, Amén!
Abençoa, Senhor, a minha também!!




__________

...
...
... com uma lágrima ao cantinho do olho...

só espero que esta não chame as outras todas ;)

20090815

Tranquilidade

é o que busco: tranquilidade.



e sim, vou procurá-la... lá... onde mora o mar... e o céu.

20090813

Quando se desata o nó da garganta


"E do nada,
Se desata o nó da garganta
Quebra-se o vazio...

E, o grito atirado estilhaça o vidro
e sai pela janela como pássaro espantado...

(...)

escuto... olhos rasos
o eco"


(Fá Duarte, Grito - pintura e poema)

[Porque expressa magnificamente o meu estado de alma]

Mas
"Deus é para nós refúgio e fortaleza,
socorro na angústia, sempre pronto;
por isso nada tememos ainda que a terra se abale
e as montanhas no mar se precipitem;
mesmo que as suas águas rujam furiosas
e as montanhas tremam na tempestade"
(do Salmo 46)

20090810

A vida não é só dor...


a árvore que dá madeira



também dá flor.


(Adenda às 16:00h):

Mas quando Deus vem colher as flores...
mesmo que elas já tenham as pétalas murchas...
depois dos bons frutos que já deram...
mesmo assim...
há sempre a dor da separação...

A vida também é dor.

20090803

Vaidade...

Vaidade, tudo é vaidade...

Durmo... e acordo, e a certeza é a mesma: tudo é vaidade!
Não é sonho, nem pesadelo, é uma realidade que se impõe.

Foi um domingo bem passado, na companhia de amigos, ao ar livre, com odor a mar, a verde, a sombra fresca. A boa música ambiente deu ainda um ar mais apetecido, uma vontade maior de permanecer... de usufruir do descanso merecido.

Sobre a felicidade neste mundo,
"Compreendi bem, que o bom para o homem está em comer, beber, gozar o bem-estar em todo o trabalho que suporta debaixo do sol durante todos os dias da vida que Deus lhe dá. Esta é a sua sorte. Se Deus dá ao homem bens e riquezas, e a possibilidade de comer delas, disfrutar a sua parte e viver alegre no seu trabalho, isto é um dom de Deus. Não pensará nos dias da sua vida, porque Deus guarda o seu coração ocupado na alegria." (Ecle. 5, 17 - 19)

"Melhor é o que vêem os olhos do que a agitação dos desejos. Mas também isto é ainda vaidade e vento que passa." (Ecle. 6, 9)

Vaidade... vaidade... vaidade das vaidades. Tudo é vaidade!

"Mais vale ir à casa em luto do que à casa em banquete.
Porque aí se vê o fim de todo o homem e os vivos nele reflectem."
(Ecle. 7, 2)