sábado, 30 de maio de 2009

Vê por onde andas!

"Faz muitos, muitos anos, usavam-se no Japão lanternas de papel e bambú, com uma vela no seu interior.
Uma noite, um certo senhor ofereceu uma dessas lanternas a um cego que o tinha ido visitar, para que ele pudesse voltar para casa.
O cego disse-lhe:
- A mim não serve para nada uma lanterna! A luz e a escuridão para mim são a mesma coisa.
- Já sei que tu não precisas de uma lanterna para veres o caminho - respondeu-lhe o outro -. Mas, se não a levares, pode vir alguém para cima de ti. Portanto deves levá-la, para advertires quem vem em sentido contrário.
O cego partiu com a lanterna, mas ainda não se tinha afastado muito da casa do amigo quando alguém lhe deu um encontrão que o atirou para o meio do chão.
- Olha por onde andas! - Exclamou o cego enraivecido -. Por acaso não viste a minha lanterna?
O desconhecido respondeu-lhe:
- Levas a lanterna apagada, irmão!"

(Bruno Ferrero, Histórias para acordar el camino)

Quantas vezes não somos nós esse cego?

Sim, somos esse cego quando não mostramos a Luz do Espírito Santo ao mundo, quando não nos guiamos por essa Luz, quando trazemos a lanterna apagada e deixamos que os outros colidam connosco, atirando-nos ao chão.


Espírito de Deus,
Manda-nos do céu um raio de Vossa Luz.
Vem, ó Pai dos pobres,
Doador das graças,
Luz dos corações.
Vem consolador,
Hóspede da alma,
Doce alívio, vem.
No labor descanso,
Na aflição remanso,
No calor aragem,
Vem, ó Luz Santíssima,
Encher de claridade o coração fiel.
Sem a Vossa luz nada o homem pode,
Nenhum bem há nele.
Lava o que é impuro,
Rega o que está seco,
O que é doente, cura.
Dobra o que enrijece,
O que está frio aquece,
Reconduz o errante.
Aos fiéis concede,
Toda Igreja pede,
Os teus sete dons.
Concede o prémio do bem,
A boa morte do justo,
A eterna alegria.
Amén! Aleluia!

(Sequência do Pentecostes)

domingo, 24 de maio de 2009

A primeira vez

Não soube dizer a idade que tinha. Não fui capaz de o raciocinar com coerência… estava por demais absorvida com a expectativa e, de certo modo, com o receio do que se iria passar, que a mente se recusava a pensar outra coisa.
Mas tinha então 22 anos… e um mundo de sonhos pela frente. Poderia dizer que era, ainda, uma menina que vivia um conto de fadas, que nada sabia do mundo real.
Para mim, era uma experiência nova e desconhecida, talvez dolorosa… esse era um grande medo, mas a minha ansiedade maior era pelo desejo de te poder ter nos meus braços.
Sabia que faltavam ainda algumas horas… foi-me dito que tinha que saber esperar… com calma! 
Calma?! Eu bem que tentava, mas o nervosismo aumentava à medida que percebia a altura a aproximar-se cada vez mais. 
Já me sentia a ficar dormente quando fui conduzida para a sala em que… 
Nasceste! 
Ouvi o teu choro… pude, enfim, já não só sentir-te mas olhar-te, ver o meu menino amado… 

Há sempre uma primeira vez para tudo… até para se ser Mãe!

Parabéns meu menino querido!

(Daqui a dois dias já te tenho nos braços outra vez... lá lá lá)


Canto como há pouco na Eucaristia:

Senhor, graças pelo trigo a crescer;
Graças pela vida a nascer;
Graças pelo que a minha alma sente e Vos quer dizer!

domingo, 17 de maio de 2009

O Sinal do Cristão

O Amor deve ser o sinal que distingue o cristão no mundo.

Pois Jesus diz-nos:
"O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei." (Jo 15, 12)

As comunidades dos primeiros cristãos eram exemplares neste mandamento do amor, de modo que despertavam a admiração dos não-cristãos que exclamavam: "Vede como eles se amam!"

E como é que eles se amavam?

Amavam-se, pondo tudo em comum, a ponto de não haver necessitados entre eles. (cf: Act. 2, 44-45 ; 4, 32. 34-35)

Será que hoje é também assim?
Já não digo pôr tudo em comum (que até já nem os casamentos são com comunhão geral)... mas ao menos partilhar as nossas riquezas, não só as materiais, mas também estas, com quem tem menos ou nada tem...

O cristão deve ser sinal do amor na sociedade.

Como amamos nós, cristãos, hoje, quando a riqueza anda tão mal distribuída - uns tão ricos e outros sem nada?

Que exemplos damos?
Demonstramos amor nos nossos actos diários, amamos como cristãos que somos, ou antes nos escondemos, com medo de ser apontados, envergonhando-nos de ser cristãos, porque isso hoje vai contra a filosofia desta sociedade laica?

No entanto, é este tipo de sociedade que nos querem impingir, que faz cada vez mais necessitados e excluídos. E nós, cristãos, estamos a deixar-nos contaminar por ela, em vez de nos deixarmos contaminar, cada vez mais, por Cristo!

Onde estamos nós, cristãos, nesta sociedade?
Onde é que marcamos o sinal da nossa diferença?

Tenhamos a ousadia de ser, no mundo, sinal do Amor de Cristo!

“É no amor que tereis uns pelos outros, que todos reconhecerão que sois meus discípulos” (Jo. 13, 35)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O que cabe numa mala de senhora

Numa mala de senhora cabe um bocado do seu mundo. Nela há de tudo... como na farmácia: compressas, comprimidos, toalhetes, pensos, pacotes de lenços de papel, estojo de maquilhagem, estojo de unhas, verniz, desodorizante, cremes de mãos e de rosto, protector solar, óculos, ganchos para o cabelo, elásticos; agulhas, linhas, botões, alfinetes; agendas, papeis, bilhetes com recados, caderno, livros, livro de cheques, cadernetas, cartões, carteira de documentos, porta moedas; garrafa de água, pacotes de bolachas, pacotes de açucar, chocolates, rebuçados, pastilhas; estojo com lápis e canetas, pen; clipes, mais lixo à solta; telemóvel, outro telemóvel desligado com cartão gémeo; máquina de calcular, afinador da viola, máquina fotográfica; fotos dos filhos e do marido; o terço; chaves... onde é que está a chave do carro??!!! ggrrr....


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Quando o sol não brilha

E... de repente, o cansaço... de novo.

Tenho que falar sobre Reinserção Social [de reclusos].

O céu está cinzento e branco
As nuvens toldam-me a luz
Que chega, até mim, opaca...

Ouço Robbie Wllliams, Angels.


Trabalho uma dada afirmação...

Essa afirmação indica que, segundo a nova concepção de ressocialização do actual modelo político-criminal, o trabalho prisional continua, tal como antes, a ter um papel de tratamento, mas agora pretende ir muito mais para além disso: o trabalho prisional tem por objectivo a reinserção social dos reclusos, levando-os a ser intervenientes activos na sua própria recuperação. Ou seja, pretende-se levá-los a quererem, eles próprios, recuperar-se e modificar o seu comportamento, de modo a que se reinsiram na sociedade sem cometerem os mesmos actos que os levaram à prisão. Portanto, pretende-se que esse tratamento dos reclusos seja mais “de dentro para fora” do que “de fora para dentro”. É preciso que sejam eles a querer, se assim não for... nada feito - voltam ao mesmo. É pretendido que eles próprios sintam a necessidade de se valorizarem, com vista a uma participação plena na sociedade, quando saírem em liberdade. Mais do que a punição (não deixando esta de ser importante), é importante a prevenção da reincidência, daí o pretender-se que a pena sirva para estimular o recluso a participar voluntária e conscientemente na sua reinserção, com a elaboração de um plano individual, em que o trabalho e a formação sejam tidos como ferramentas importantes para desenvolver as suas capacidades, com vista a terem uma actividade remunerada quando em liberdade; mas pretende-se também que a sociedade colabore na realização desses fins, aceitando a reinserção dos reclusos, sem os estigmatizar.

Concordo, mas não será, em muitos casos, utopia?

Hoje o céu não está azul.

Continuo a ouvir a mesma música... agora em
versão instrumental.



Tenho que escrever sobre Reinserção Social
[de toxicodependentes].


Pesquiso, alinhavo o trabalho, faço o esqueleto... falta o recheio.

E o sol que não brilha...

Estou cansada!

Vou almoçar e dormir.

domingo, 3 de maio de 2009

O Bom Pastor e a Mãe

(Maria Mãe do Bom Pastor)

__________



Fábula da ovelha e do lameiro

«Era uma vez uma ovelhinha que, junto com a sua mãe, passava em frente de um chiqueiro todos os dias a caminho do pasto. Os porcos divertiam-se tanto rebolando na lama que num dia de muito calor a ovelhinha pediu à mãe que a deixasse pular a cerca e chafurdar na lama fresca.
A mãe respondeu que não. A ovelhinha fez a clássica pergunta: “Por que não?” A resposta foi simples: “Porque ovelhas não chafurdam.”

A ovelhinha não se contentou. Achou que a mãe havia feito pouco caso dela e abusado da sua autoridade quando não devia. Assim que a mãe se afastou, a ovelhinha correu para o chiqueiro e pulou a cerca. Sentiu a lama fria nos pés, pernas e barriga. Pouco depois achou que já era hora de voltar para junto da mãe, mas não conseguiu! Estava presa!
Lama e lã não combinam. O prazer havia-se transformado em prisão. A ovelhinha estava desesperadamente presa em consequência da sua tolice. Ela pediu socorro e foi resgatada por um lavrador caridoso.
Depois de ter sido limpa e estar de volta ao aprisco, a mãe relembrou: “Não te esqueças de que ovelhas não chafurdam!” »

(Autor Desconhecido)

O mesmo acontece com o pecado. Sempre tão apetecível, e que parece tão fácil de ser abandonado quando quisermos. Mas não é assim! Os prazeres aprisionam-nos.
Por isso, os cristãos devem ter cuidado para não se deixarem seduzir pelos lameiros da vida.


Ouçamos a Mãe.

Sigamos o Bom Pastor!