Ai senhor das furnas
que escuro vai dentro de nós
rezar o terço ao fim da tarde
só para espantar a solidão
e rogar a Deus que nos guarde
confiar-lhe o destino na mão
De que adianta saber as marés
os frutos e as sementeiras
tratar por tu os ofícios
entender o suão e os animais
falar o dialecto da terra
conhecer-lhe o corpo pelos sinais
E do resto entender mal
soletrar assinar em cruz
não ver os vultos furtivos
que nos tramam por detrás da luz
Ai senhor das furnas
que escuro vai dentro de nós
a gente morre logo ao nascer
com olhos rasos de lezíria
de boca em boca passando o saber
com os provérbios que ficam na gíria
De que nos vale esta pureza
sem ler fica-se pederneira
agita-se a solidão cá no fundo
fica-se sentado à soleira
a ouvir os ruídos do mundo
e a entendê-los à nossa maneira
Carregar a superstição
de ser pequeno ser ninguém
mas não quebrar a tradição
que dos nossos avós já vem.
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Um Poema em formato de Crónica
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... um sopro de ar puro e fresco, que me eleva pelos ares e me faz voar como u...
Há 3 dias





7 comentários:
Olá, Fa, que delícia ouvir a música e ler esse poema tão tocante. Obrigad pela excelente partilha! Bjbjbj!
só tu miga para descobrires esta preciosidade , eh eh eh ...
beijocas grandesssss ..
Quem entende o suão, aquela 'brisa' que aperta e martiriza os mais fracos?
Que os ancestrais temiam e continua a ceifar...
Não é superstição.
É a afirmação da vida perante a morte!!!
Bom dia Fá menor
Ontem estive aqui e quis escrever mas o cansaço era tanto que nada consegui dizer.
Obrigado pela música que me chega nesta madrugada e pela mensagem de rara beleza. Bem hajas.
Que coisa linda!
Bjs
lindíssimo vídeo! o tema já conhecia, está muito enquadrado das imagens...
beijinhos
Fá, boa tarde!
Belíssimo!
Obrigada pela partilha.
Não conhecia.
Beijinhos.
Ailime
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