20130930

Pisei uma cobra

Já fez um ano que pisei uma cobra. 

Não foi com a roda do carro como da outra vez e morreu: ttrrrr... parecia pisar correntes. 
Não, foi com o salto do sapato: aarrggh... 
Eu distraída e: “pisaste uma cobra”, saltei! E era: mal olhei e pareceu-me. E fugi. Transpirei. Arrepiei-me, levantaram-se-me os cabelos em pé como se tivesse levado um choque eléctrico. Ela atingira-me no calcanhar (pelo salto do sapato acima) que eu bem senti... aarrggh!
Parecia fina, pequena... e estava morta. Dizem-me que fui eu que a matei... mas eu não acredito: só me gozam: tal pai tal filha, gente sem coração, sem dó nem piedade! 
Imaginam algo mais horrível para quem tem fobia a cobras? 


Mas agora, visto a um ano de distância, esbatem-se os porquês da importância que lhe dei, e lembro-me de pormenores que então não ditei. Era lusco-fusco e, por isso, não a vi; e ela já estava morta. Só a senti depois de a ter pisado. Ajuízo, agora, que não era mesmo nada grande... nem grande coisa. Pelo contrário, afigura-se-me pequenota e mirradota; no entanto, para mim, foi obra: não deixava de ser uma cobra. E eu que não vi nada. Só sei porque me disseram: "pisaste uma cobra". E eu que corri esbaforida, arrepiada, sacudindo os pés na estrada... olhem só se a tivesse visto, e se ela estivesse viva! E se corresse atrás de mim! Qual não seria o meu fim? 

Bah, lembrei-me disto, sei lá, porque neste ano já lá vai o tempo delas e, felizmente, não vi nenhuma, só ouvi alguém falar, à boca pequena, que tinha avistado uma... Que pena! 
Aarrrrgggggh


8 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Também não gosto de cobras.
Dizem que elas comem ratos que são parte do nosso ecossistema.
Se as vejo não as mato, respeito-as.
Que sigam o seu caminho e que me respeitem também.
Há uns trinta anos agarrei uma aqui no quintal. Estava a dormir. Depois deixei-a ir à vida dela e eu fui à minha. Nunca disse nada a ninguém...

GarçaReal disse...


Cobras assustam-me...Acho que também tinha fugido sem olhar mais para trás.

Bem relatado. Gostei muito

Bom fim de semnana

Bjgrande do Lago

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Não gosto de cobras, apesar de algumas serem belíssimas. Se pisasse uma, mesmo morte, fugiria a " sete pés" também. Beijinhos, amiga e desculpa a ausência. Estarei mais por perto agora. Um bom fim de semana...sem cobras. Há muitas por aí...bem disfarçadas.
Emília

Ailime disse...

Olá Fá, sempre um prazer lê-la, até como neste caso ao relatar esta história! Penso eu todas nós mulheres temos grande receio de cobras! Eu também tenho e a última vez que as vi (cobras a sério;), foi no Zoo de Lisboa e conforme entrei, sai! Amiga, um tema que tem pano para mangas! Agora já nem sei se é a minha imaginação a divagar:))! Beijinhos e bom fim de semana. Ailime

Nilson Barcelli disse...

Não deve haver mulher à face da Terra que não tenha pavor das cobras...
Eu gosto de as ver, coisa que não é fácil. Mas há umas pequeninas, penso que não devem ultrapassar os 20 ou 30 cm, que vivem nas ervas e não fogem muito. Há tempos vi duas delas numa luta de morte. Estive a assistir... até que uma delas desistiu e enterrou-se na relva.
Pois, tenho destas cobrinhas na relva mas não as mato. Estou convencido que elas afugentam as toupeiras...
Menorzinha, minha querida amiga, tem um bom domingo e uma boa semana.
Beijo.

Ana Tapadas disse...

Não tenho medo de cobras, mas se trocar por «rato», entendo a força do texto!

Beijinho e feliz Domingo.

Jota Effe Esse disse...

Que medo danado é esse, menina? Vem visitar meu post A BUSCA DO NIRVANA, que o medo some. Meu beijo.

Petrus Monte Real disse...

Fa,

Uma linda história,
rica de humor
e afectos.

Recordo, da infância, algumas serpentes
que mereciam o máximo respeito.
Era o único animal que largava a "camisa" - a fim de renovar
a pele - extraordinário mistério!
Beijo.

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