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terça-feira, abril 06, 2010

É Páscoa na Aldeia

É Páscoa na aldeia. Ouvem-se foguetes a estalar. Brilham tapetes de verduras às portas das casas por onde o Senhor vai passar. É um dia diferente. E está um dia de luar!
Depois de mais de trinta anos: a Visita Pascal. Uma segunda-feira de Páscoa com cheiro de outros tempos.
As pessoas esperam na rua, às portas. É a tradição que se revive uma vez mais.
A campainha soa cada vez mais perto: é o Cristo Ressuscitado que se faz anunciar!
E entra nas casas. E se faz Graça de Deus em cada lar.
No fim, os sorrisos, a satisfação em cada olhar, em cada palavra, em cada conversa entre vizinhos de um ao outro lado da estrada.
É Páscoa na aldeia.
Que seja para continuar!

domingo, abril 04, 2010

Cristo Ressuscitou! Aleluia! Aleluia!

É Domingo de Páscoa: Cristo ressuscitou. Aleluia! Aleluia!

Jesus Cristo vive. Está bem vivo no meio de nós.
Jesus morreu na Sexta-feira santa, sim, mas ressuscitou ao terceiro dia como havia prometido. Este é o mistério central da nossa fé.
Cristo venceu a morte para que pudéssemos ter a Vida.




Que Jesus ressuscite verdadeiramente nos nossos corações!

Boas Festas Pascais!

terça-feira, março 30, 2010

Em Semana Santa

Terça-feira Santa - 42.º Dia de Caminhada

Tempo da Paixão de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se fez carne da nossa carne, e se entregou à morte para nos dar a Vida.

É tempo de Oração, de Espera...

É tempo de silenciar, de meditar...

O fruto do Silêncio é a Oração;
o fruto da Oração é a Fé;
o fruto da Fé é o Amor;
o fruto do Amor é o Serviço;
o fruto do Serviço é a Paz.
(Madre Teresa de Calcutá)

Continua ainda a nossa caminhada: amanhã vamos reflectir com a Dulce no Degrau de Silêncio... silenciando, orando, crescendo na Fé, crescendo sempre mais no Amor e no Serviço... na Paz... em Vida!


Uma Páscoa de Vida Nova para todos!


quinta-feira, março 25, 2010

O "Fiat"

"Nossa Senhora de Março traz a merenda no regaço."

Lembro-me desta frase desde miúda. Uma frase que nos traz um duplo significado de merenda: a merenda física - lanche da tarde, na tradição popular; e a merenda espiritual - Jesus, o nosso verdadeiro alimento.

25 de Março é o dia da Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria de Nazaré. Data escolhida pela Igreja para realçar o simbolismo da Festa da Anunciação: exactamente nove meses antes do Natal, período normal de uma gestação.

"Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Avé, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?» O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; *faça-se em mim segundo a tua palavra»." (Lc.1,26-38)



Segundo os teólogos, foi no momento desse sublime *fiat que se deu o mistério da Encarnação do Filho de Deus. É aqui que começa um novo período da história: Deus está connosco! Maria, Virgem de Nazaré, ao dar o seu Fiat, acolheu o Verbo de Deus no seu regaço.

Que Nossa Senhora, Mãe de Deus, nos ensine a também acolher sempre a Palavra de Deus, a dar o nosso Fiat!

domingo, março 21, 2010

No Trilho do Amor

Quaresma - Tempo de Renascer -
- a caminhar é que se faz o caminho - 33.º Dia

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio



Escutar e meditar a Palavra

"Jesus disse:
Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente: tal é o maior e primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. A estes dois mandamentos está ligada toda a Lei, bem como os Profetas." (Mt. 22, 37-40)

"Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros. É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." (Jo 13, 34-35)

"Eu peço-vos mais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam." (Mt 5, 43-44)

"Quem aceita os meus mandamentos e lhes obedece, esse é que Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai. Eu também o amarei e manifestar-Me-ei a ele." (Jo. 14, 21)


Procurar-se na solidão

* Para mim o que é o amor? Um sentimento bonito que acontece quando tem de acontecer? Uma paixão? Uma atracção romântica; desejo libidinoso? Ou uma decisão?
* Quem amo? Quem me é mais fácil amar? Aqueles com quem me identifico, que pensam como eu; quem é simpático, bonito; os familiares, os amigos? Amo o meu próximo? E quem é o meu próximo? E como trato os inimigos?
* Como amo? Esperando reciprocidade? Amo apenas quem me ama? Ou amo sem nada esperar em troca? Amo com todo o coração o marido ou a esposa; os filhos, os irmãos, os pais, os sogros, a nora, o genro? Guardo o meu amor na pureza e na castidade?
* O que é amar? Será o mesmo que gostar? E o que é, e como é, amar a Deus?


É tempo de procura de água

Podemos dizer que toda a Lei, todos os mandamentos se resumem a um só: Amar! Um só mandamento que abrange todos: Deus, o próximo, e nós mesmos.
Este mandamento fundamenta todos os outros. É um programa de vida.
"Amamos, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê." (1Jo.4,19-20)
Se não amo o meu irmão, eu não amo a Deus. O amor não é uma coisa que apenas acontece. É uma decisão. É a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro. O amor é um mandamento, mas não é uma mera exigência, porque antes nos é dado.

Amar como a si mesmo é condição essencial do amor ao próximo. Não fazer aos outros o que não gostaria que lhe fizessem e fazer aos outros o que gostaria que fosse feito a si em circunstâncias semelhantes. O próximo deve ter, aos olhos de cada um de nós, tanto valor como nós próprios. Quem se conhece e estima a si mesmo, deve abrir-se aos outros e estimá-los como seus próximos. Deve tornar-se o próximo de todos os que necessitam de si. Fazer ao próximo aquilo de que ele tem necessidade.

Amar o próximo é condição do amor a Deus.
"Porque tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber; era peregrino, e recolhestes-Me; estava nu e vestistes-Me; adoeci e visitastes-Me; estive na prisão e fostes ver-Me.
(...) Senhor, quando foi que te vimos com fome e Te demos de comer? Ou com sede e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino e Te hospedamos? Ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente ou na prisão e fomos visitar-Te?
(...) Em verdade vos digo: sempre que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes". (Mt. 25, 35-40)


Encontrar oásis no deserto

Deus é a fonte de todo o amor:
“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não chegou a conhecer Deus, porque Deus é amor.” (1 Jo 4, 7-8)

"Porque Deus nos amou primeiro, podemos então amar gratuita e oblativamente, pois sempre estará disponível para nós a fonte divina jorrando incansavelmente o Seu infinito amor." (Bento XVI, Encíclica «Deus caritas est»)

Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, bebendo sempre desse amor infinito do Pai, colocando-o no nosso coração e transportando-o para a nossa vida, a fim de crescermos no amor a Deus e no amor uns aos outros.

sexta-feira, março 12, 2010

Perdoa, Senhor, os Nossos Pecados

Quaresma - Tempo de Renascer - mais um dia de Caminhada - 24.º

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio



Escutar e meditar a Palavra

"Há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento."
(Lc. 15, 7)
"Não são os que têm saúde que necessitam de médico mas sim os doentes; Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento."
(Lc. 5, 31-32)


Procurar-se na solidão

Onde me incluo? sou um(a) pecador(a) que se arrepende, ou um justo que não necessita de arrependimento?
Não sabemos nós que até "o justo peca sete vezes ao dia" (Prov. 24, 16), ou seja, muitas vezes?


É tempo de procura de água

Assiste-se, nos nossos dias, a uma grande perda de consciência e do sentido do pecado.
Depois, a dificuldade e o orgulho em reconhecer e confessar as próprias fraquezas diante de outra pessoa leva ao afastamento da reconciliação com Deus e com os irmãos, a uma certa "alergia" a pedir desculpa, a pedir, sobretudo, perdão. Vive-se uma crise de frequência dos Sacramentos, neste caso o da Penitência (ou Reconciliação, ou Confissão).
Mas bem sabemos que quem não admite estar doente não procura curar-se.
No entanto, o pecado é um mal que enferma cada um de nós como parte de um povo de pecadores que, em Igreja, somos chamados por Deus à penitência e à conversão.

O pecado é tudo o que constitui uma ruptura da amizade, da fidelidade, do compromisso e dos laços que nos unem a Deus e aos irmãos, e a sua raiz é, directa ou indirectamente, o egoísmo.
É preciso que nos reconheçamos pecadores, pois esse é o primeiro passo para acolher a graça do perdão.

Encontrar oásis no deserto

O perdão consiste em Deus entrar em contacto com o homem pecador para restabelecer a união vital com ele. Supõe, portanto, que também o homem corresponda de modo pessoal a esta atitude divina. Diante deste Senhor que quer dar o Seu perdão, a condição do homem para o receber é a contrição e a humildade interior.

O Sacramento da Penitência é o sinal eficaz da graça do perdão reconciliador, que Jesus faz chegar ao coração de cada um de nós que se reconhece pecador, ao deixar aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (João 20, 23)

O Sacramento da Penitência não deve ser entendido como "um vazadouro de pecados nem lavar de roupa suja"*, mas fonte de conversão, de cura e de vida nova, pois na sua centralidade não está o pecado, mas sim a Misericórdia de Deus que "não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva..." (Ez 18, 23)

Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, aceitando que somos pecadores penitentes a percorrer o caminho da conversão.

*(in: O Perdão e a Misericórdia, "A Alegria de Crer", SNEC)

quarta-feira, março 03, 2010

Oração e Vida

Quaresma - Tempo de Renascer - mais um dia na Caminhada - 15.º

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio



Escutar e meditar a Palavra

"Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.
(...)
Rezai, pois, assim:
«Pai nosso, que estais no Céu,
santificado seja o teu nome,
venha o teu Reino;
faça-se a tua vontade,
como no Céu, assim também na terra.
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia;
perdoa as nossas ofensas,
como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal.»
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas."
(Mt. 6, 5 - 15)



Procurar-se na solidão

- O que rezo eu?... Que palavra me "sai" melhor do coração?... Que palavra me custa mais a sair da boca?... Que costumo pedir na oração?... As minhas orações podem resumir-se ou inserir-se em alguns dos pedidos do Pai-Nosso?...
- Como rezo eu?... Com confiança e serenidade?... Ou nem sequer tenho tempo?... Que me ensina Jesus sobre as atitudes da oração "filial"?... A minha oração tem sido como Deus deseja ou haverá algo que devo modificar?...
(in: Um Povo orante, "A Alegria de Crer", SNEC)


É tempo de procura de água

Oração e Vida Cristã são inseparáveis.
O modelo de oração ensinado por Jesus consta de duas partes: primeiro voltamo-nos para o céu; depois para a terra. Dois pedidos centrais: "venha o teu Reino"; e o pedido do perdão.

“A verdadeira situação da oração não é quando Deus está a ouvir o que lhe pedimos, mas quando o orante persevera na oração até que seja ele a escutar o que Deus quer”. (S. Kierkegaard)

- Se soubéssemos escutar a Deus, se soubéssemos olhar a vida, toda a vida se tornaria oração. Pois toda ela se desdobra sob o olhar de Deus e nada deve ser vivido sem Lhe ser oferecido livremente. As palavras de cada dia servem-nos antes de tudo como traço-de-união com o céu.
- Se soubéssemos olhar a vida com os olhos do próprio Deus, então veríamos que nada no mundo é profano; tudo, ao contrário, participa da construção do Reino de Deus. Assim, pois, ter fé não é somente erguer os olhos a Deus e contemplá-Lo; é, também, olhar a terra, mas com o olhar de Cristo. É preciso pedir a Deus fé para saber olhar a Vida.
- Se o Pai nos colocou no mundo, não foi para que andássemos de olhos no chão, mas O acompanhássemos pelas marcas que deixou em todas as coisas, nos acontecimentos, nas pessoas. Tudo nos deve ser revelação de Deus.
Não há necessidade de longas orações para sorrir a Cristo nos mais pequenos pormenores da vida quotidiana.
(in: Michel Quoist, "Poemas para rezar")


Encontrar oásis no deserto

Um sapateiro recorreu ao rabino Isaac de Ger e disse-lhe: “Não sei como fazer a minha oração da manhã. Os meus clientes são pessoas que só têm um par de sapatos. Se os recolho ao fim da tarde, passo a noite a trabalhar e, ao amanhecer, ainda tenho trabalho para fazer, se quero que todos tenham os sapatos prontos para ir trabalhar. O que devo fazer com a minha oração da manhã?” “O que tens feito até agora?” Perguntou-lhe o rabino. “Umas vezes faço a oração a correr, mas isso faz-me sentir mal. Outras vezes deixo passar a hora da oração e fico com a sensação de ter falhado. Muitas vezes, enquanto trabalho, quase posso escutar como o meu coração suspira e penso: “como sou desgraçado, pois não sou capaz de fazer a minha oração da manhã…!”. Respondeu-lhe o rabino: “Se eu fosse Deus, apreciava mais esse suspiro do teu coração do que a oração”.
(Anthony de Mello , “La oración de la Rana”)

A oração é um anelo de coração, um simples olhar para o Céu, um grito de reconhecimento e de amor, no meio da provação como no meio da alegria”. (Sta Teresa do Menino Jesus)

Jesus previne-nos da hipocrisia: a falta de coerência interior e o que se diz ou faz. Ele diz-nos que a autêntica oração tem de ser entrega total e exclusiva a Deus, o que se consegue melhor em intimidade com Ele, num lugar secreto (o nosso coração), mesmo que seja em público.


Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, não esquecendo de que na Oração encontramos a mais maravilhosa relação de amor e vida. 
A oração é a respiração da alma.


[A ordem das reflexões desta Caminhada: José António; Utília; Canela; Joaquim; Gisele; Fa menor; Dulce; Teresa; Malu.]


segunda-feira, fevereiro 22, 2010

“Permanecei em mim”

Quaresma - Tempo de Renascer - um dia na Caminhada - 6.º

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio




Escutar e meditar a Palavra

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»
(Jo 15, 1-8)



Procurar-se na solidão

- Que significa “permanecei em mim”? E eu, permaneço em Cristo? Com que atitudes: de uma forma passiva ou de uma forma comprometida?...
- Jesus diz: “Sem mim nada podei fazer”. Tenho consciência disto? Deixo que Deus tenha uma presença activa e decisiva nas minhas opções, nas minhas palavras, nos meus gestos?...
- “Dar fruto”… Este é o desafio que Cristo nos lança neste trecho do Evangelho de S. João. Olhando a minha vida de todos os dias posso afirmar que ela produz “frutos que vêm de Deus”?...


É tempo de procura de água

Cada um de nós é desafiado a permanecer unido a Jesus e dar fruto.
Nós somos os ramos da videira que é Cristo Ressuscitado; só unidos a esta videira, recebendo da sua seiva, alimentando-nos desse Corpo e desse Sangue, podemos dar frutos de unidade, comunhão e paz, na Igreja e fora dela.
“permanecei em mim, pois sem mim nada podeis fazer” - significa, em primeiro lugar, que todos e cada um de nós temos de tomar consciência que Deus nos chama a tomar parte no Seu projecto de Amor. Permanecer em Jesus produz, não um fruto qualquer, mas o fruto do amor aos outros, em que se superam desentendimentos, divisões, diferenças, e se vive um relacionamento novo entre nós. Permanecer em Jesus significa produzir frutos de vida.


Encontrar oásis no deserto

“permanecei em mim” - permanecer em Cristo é atitude de quem faz a opção pelo essencial.

Somos os ramos, muitos ramos, na Videira que é Jesus, cada um com a mesma importância que os demais. Bebemos da mesma seiva. Somos uma comunidade de iguais. Somos comunhão.

“sem mim nada podeis fazer” - não pensemos que somos auto-suficientes; não nos podemos bastar a nós próprios. Sem Jesus somos ramos não irrigados, secos, infiéis, egoístas, que não podem dar frutos porque se separaram da cepa; somos apenas deserto... sem um oásis.
Jesus é que faz/é o oásis no nosso deserto; é a água que nos sacia; o alimento que nos permite frutificar.

Para que sejamos um ramo que frutifica, um ramo que está plenamente unido à videira, o grande desafio é o da oração. Sem oração não há comunhão com Deus nem com os irmãos. Sem oração o nosso testemunho torna-se vazio… falaremos muito sobre Deus, mas como falamos pouco com Ele, tudo o que dissermos e fizermos será sempre superficial.


Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, na certeza de que só quem permanece em Cristo é que pode produzir bons e abundantes frutos.


Textos de apoio:
"Somos Comunhão" in: A Alegria de Crer, SNEC;
“Permanecei em mim… sem mim nada podeis fazer”

domingo, fevereiro 14, 2010

Contradições

No Sermão da Montanha (Mt 5, 3-12) Jesus ensina-nos as Bem-aventuranças:

* Bem aventurados (felizes) os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
* Bem aventurados os que choram, porque serão consolados.
* Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
* Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
* Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
* Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
* Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
* Bem aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
* Bem aventurados sereis, quando vos insultarem, vos perseguirem, e disserem, falsamente, toda a espécie de mal contra vós por causa de mim.

Alegrai-vos e exultai porque será grande no Céu a vossa recompensa.

A sociedade ocidental deste princípio de século XXI também nos ensina bem-aventuranças:

» Felizes os que promovem a guerra e a discórdia, porque fazem fortuna com a desgraça alheia.
» Felizes os que insultam, caluniam e sobre o nome dos outros lançam lama, porque jamais serão responsabilizados.
» Felizes os ricos, porque nada lhes falta.
» Felizes os que roubam, fogem aos impostos e não declaram os seus rendimentos, porque jamais serão punidos.
» Felizes os maldosos e os mentirosos, porque semeiam a confusão e escapam sempre.
» Felizes os que comem e bebem em excesso, porque aproveitam a vida.
» Felizes os que perseguem e maltratam, porque são donos e senhores do mundo.
» Felizes os que exploram, porque alcançam os seus objectivos.
» Felizes os agressivos e os brigões, porque a eles ninguém incomoda.
» Felizes os que possuem um título académico, porque todos os respeitam.
» Felizes os que são importantes e famosos, porque todos os admiram.
» Felizes os que matam, porque sabem defender-se.
» Felizes os que seguem todos estes preceitos de modo exemplar, porque revelam um profundo desrespeito pela vida.


No Evangelho de hoje (Lc 6,17.20-26) Jesus continua:

- Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome.
- Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar.
- Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem.

domingo, janeiro 17, 2010

Dos Sinais do Reino

«- Não têm vinho.»

«- Ainda não chegou a minha hora.»

«- Fazei o que Ele vos disser.»

«- Enchei as talhas de água.»

(In: João 2,1-11)


Bodas de Caná
(Guache de Maria Helena Andrés)


É através de sinais que, na nossa vida diária, apreendemos realidades importantes mas que não se vêem com os olhos, como o amor, a amizade, a alegria, a paz, a tristeza, a dor... se nos faltarem os sinais que nos-las mostrem podem passar-nos despercebidas.

O episódio das Bodas de Caná é o primeiro sinal que Jesus nos apresenta do Reino de Deus.
Acho que este episódio nos pode sugerir várias leituras.
Como é que Jesus nos mostra o seu Reino através deste milagre? Porque é que o primeiro sinal desse Reino aconteceu numa boda de casamento, no início de uma nova família? Será a família tão importante para a concretização do Reino? Será ela "vinho do Reino", o seu sumo fermentado que possa levedar a sociedade? Até que ponto um casamento - uma família - que tenha Jesus como convidado pode superar todos os contratempos (a falta do vinho)? Qual o papel da Mãe de Jesus num casamento? ...
...

Muitas vezes nos falta o vinho - o sumo essencial -, mas Jesus pode sempre mudar a nossa água em vinho, só é preciso ter a água e que a coloquemos à sua disposição para que a transforme.

domingo, janeiro 03, 2010

Sem oiro, nem incenso, nem mirra

De braços abertos
e mãos vazias
estendidas
como quem pede
espera
prontas a receber

prontas a dar
tudo
no seu nada
e a abraçar
a acolher

Cristo
em todos
e em cada um
dos pequenos

na humildade
sem oiro
nem incenso
nem mirra
nem outro ter
que não o ser

Epifania

domingo, dezembro 27, 2009

Sagrada Família


Que este seja o modelo de família para todos!

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Eis O Milagre!



Santo! Santo! Santo! Santo!
Todo o céu veio cantar,
Eis aqui O milagre !
na cidade de Belém,
com uma Estrela a brilhar,
e Deus sorrindo entre nós,
Eis aqui O milagre !
Levai as novas sobre a terra,
Vinde para adorar,
Toda a criação cante...
Eis aqui O milagre !
Para ti nasceu o Rei.

E vós pastores no campo,
Ouçam os anjos cantar,
"Novas de alegria trazemos,
Nasceu o vosso Rei,
Sigam a estrela brilhante,
nesta noite de natal,
Encontrareis o Salvador,
Debaixo da sua luz".

(Behold a Miracle - letra em português)



Linda Edge - Behold a Miracle.wma

sábado, dezembro 19, 2009

Que Brilhe [em nós] Uma Nova Luz!

Existe um grande céu
Tão perto de você
Eu sei que encontrei
Essa nova forma de viver
Me tocou com seu amor
E mudou meu coração
Me iluminou com sua luz
E deu a paz com seu perdão

Então que brilhe a Nova Estrela
E renove todos nós
Vem mostrar o Teu poder
Que nos cura e faz crescer
Pois que brilhe a Nova Estrela
Eu sei que é Jesus
Que nos chama de irmãos e nos conduz


Os dias que eram vazios
Se encheram de alegria
Hoje aprendi viver melhor
Com Jesus não me sinto só
Se você não me entendeu
O importante é ser feliz
Abra o coração e se entregue a Deus
E saberá o que ele diz

(Anjos de Resgate - Uma Nova Luz)

Vídeo no Youtube: O Nascimento de Jesus


Que brilhe sobre nós a Nova Estrela e nos fortaleça com os seus dons - os dons do Deus Menino.

Um Santo e Feliz Natal para todos vós!

sábado, dezembro 12, 2009

Uma Voz Clama no Deserto

"Uma voz grita do deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as Suas veredas". (Mt 3, 3)

Imagino-me a ver e ouvir João Baptista, vestido com uma simples pele, a alimentar-se de gafanhotos, a clamar no deserto e a incitar ao arrependimento, com palavras duras, mas de olhos numa esperança, a anunciar uma oportunidade de mudança radical.

E sinto-me interpelada, incomodada…

Preparar os caminhos significa preparar um mundo novo.

Vejo o mundo de hoje cada vez mais podre… mais corrompido, onde os homens querem ser grandes, não olhando a meios para conseguirem os seus objectivos. Os grandes querem ser cada vez maiores, não se importando com a dignidade dos mais pequenos a quem calcam debaixo dos pés!

No entanto, há vozes que se levantam, clamando pelos mais fracos a quem é roubada a dignidade!

O problema está em que estas vozes, até podem ser ouvidas, mas não são escutadas, às vezes porque são sufocadas por quem não tem interesse em que se ouçam, outras porque andamos muito distraídos com a nossa vidinha.

"Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da devassidão, da embriaguez e das preocupações da vida, (…) Portanto, ficai atentos e orai a todo momento.” (Lc 21, 34-36)

“Arrependei-vos, dizia, porque está próximo o reino dos céus”. (Mt 3, 2)

terça-feira, dezembro 08, 2009

Rainha de Portugal



8 de Dezembro - Solenidade da Imaculada Conceição.

Em Portugal é feriado para celebrar a Padroeira de Portugal, o que parece um contra-senso numa sociedade que se quer afirmar, cada vez mais, laica.

No entanto, Nossa Senhora da Conceição foi proclamada Padroeira de Portugal, no ano de 1646, quando D. João IV, depois da restauração de Portugal, depôs aos pés da imagem da Mãe Imaculada de Jesus, a sua coroa real. A Rainha do Céu é, a partir desse momento, a Rainha de Portugal.

Desde aí, nenhum dos nossos reis voltou a ostentar coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus - a verdadeira Soberana de Portugal.

Ó Maria, Imaculada Conceição, Mãe de Deus e nossa Mãe, Rainha de Portugal, rogai por nós que recorremos a Vós.

sexta-feira, outubro 23, 2009

O Maior

«A forma de entender a fé é diferente de pessoa para pessoa, de um liberal para um ateu, de um teocrático para um cristão. Tem a ver com o relevo que é dado por cada um às suas vertentes familiar, afectiva, político-social, cultural, económica, religiosa e moral.

Para um liberal, cada uma destas vertentes é autónoma e independente, sem que nenhuma delas influencie qualquer outra. Como tal, a religião não influi nas opções de qualquer outra vertente. A fé é do domínio privado e pessoal.

Para um teocrático, todas as vertentes são influenciadas pela religião. Esta envolve e prevalece sobre todas as outras. Cada vertente não tem sentido em si mesma, nem nenhuma tem poder sobre qualquer outra. Todas são dominadas pela vertente religiosa, dependem exclusivamente dela, podendo mesmo ser humilhadas e desprezadas por ela quando levada ao extremo, tendo como resultado o fundamentalismo.

Num cristão, cada vertente tem a sua autonomia e identidade próprias, mas inter-relacionando-se como partes de um todo – de um só corpo. No centro deste corpo encontramos o Amor. Amor de/a Cristo que dinamiza e dá força a todas as vertentes da vida humana, procurando o equilíbrio entre todas. Conforme a sua vida e circunstâncias pessoais, assim cada pessoa encarnará a fé, sempre com Cristo como referência para a sua vida, que lhe dá sentido, a partir do seu interior e não por qualquer imposição externa. Cristo é o centro, a “pedra angular”, o amor que está no centro de tudo.

Um ateu exclui radicalmente a vertente religiosa, aceitando todas as outras. Se alguma das vertentes predominar será para fazer sobressair o ateísmo. O fenómeno religioso é encarado como alienação, estruturas de poder ou superstições, que não humanizam e que, por isso, têm de se eliminar.»

Fui buscar estas linhas a um texto que escrevi há algum tempo, apesar de toda a polémica que gerou, porque quando se aborda o tema religião é sempre passível de polémica, precisamente pelo acima exposto - cada pessoa tem o seu modo de encarar a fé.

O motivo de as trazer aqui, agora, está nas palavras de um ATEU que têm dado que falar.

Andei a ponderar se abordaria ou não essa matéria, com algum receio de que, ao fazê-lo, poderia dar importância demais a palavras loucas de quem não sabe do que fala.

Este é um assunto que já me chateia, pois acho que anda meio mundo incomodado com este atrevimento quando, na minha opinião, aquilo que transpira é apenas um monte de preconceitos de um ateu que se arroga em dono da verdade.

Sendo certo que todos temos direito à nossa opinião, ou à nossa crença ou não-crença, e a usar de liberdade de expressão na manifestação do que nos vai na alma, também é verdade que nos devemos saber colocar no nosso lugar e respeitar os lugares dos outros. E devemos tão mais saber fazê-lo quanto maior for o estatuto que a sociedade nos confere. Donde que este ateu deveria, assim, saber ter tento na língua.

Mas quando Caim mata é sempre por insegurança. É sempre por medo da sombra da sua vítima sobre si. Então há que aniquilá-la.
Ele não se contenta em ser grande.
Ele quer ser o maior!

Quão falível é a natureza humana!

E quanto é enorme Deus!
Infinitamente maior do que todo o pecado.


Adenda:
Ler também um texto sobre este assunto em: Crónicas de uma Peregrinação

domingo, outubro 18, 2009

Orientação missionária



Dai de graça o que recebestes de graça.

domingo, junho 21, 2009

E pelo meio, o mar... outra vez

"Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar"

(Como uma onda no mar - Lulu Santos / Nelson Motta)

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Também o mar, na liturgia de hoje, em posts de duas amigas:

Quem é este homem?, por Sandra Dantas;

Cantai ao Senhor, porque é eterno o Seu amor, por Ailime.

quinta-feira, junho 11, 2009

Quando...

Quando ainda é de noite e não consegues mais dormir
Quando acordas com uma dor de cabeça daquelas...
Quando ainda o sol não rompeu e já alguém grita por ti
Quando te sentes sobrecarregada com tudo e mais alguma coisa
Quando a vida e os afazeres te subjugam
Quando sentes receio de que as coisas não corram bem
Quando querias que tudo fosse perfeito
Quando nem sabes o que queres
Quando entras em conflito contigo
Quando a ansiedade te bate à porta

Quando te sentes assim:

Quando não sabes para onde te virar...

Mas sabes que não está tudo nas tuas mãos

Vira-te para Cristo!
Só dEle te vem a força!
Só Ele é o alimento que te sacia
te refresca
te anima!

O Pão da verdadeira vida!


"Tomai e comei todos
Este é o Meu Corpo"

Comei e saciai a vossa fome!

Tu és o meu alimento, Jesus...
Vem a mim, Senhor
Vem me dar a luz...
E a calma que procuro.

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