quinta-feira, junho 28, 2007

Viver (n)a Justiça e (n)a Verdade

No mundo de hoje “quem tem um olho é rei”. É um mundo onde impera a falsidade. Um mundo de gente corrupta que domina através da mentira. É fraude atrás de fraude!
Hoje o poder e a riqueza são, para muitos, o que há de mais fascinante e sedutor.

A ambição do dinheiro, da produtividade e do consumo eleva-se facilmente acima de tudo e de todos. “Cada um que se arranje como puder” é o lema. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

As relações entre as pessoas, muitas vezes, medem-se em função do que se pode ganhar ou perder. “Amigos, amigos, negócios à parte”, diz-se. Em questões económicas não há lugar para a moral, até mesmo entre os cristãos.

Na ordem do dia estão a mentira, a difamação, a maledicência, a insinuação, a calúnia, a hipocrisia, o julgamento fácil, o falso testemunho…
E o faltar à verdade leva à injustiça, pois entre a justiça e a verdade existe uma relação muito íntima.

Quantos atropelos aos direitos humanos?!
Quantas situações de injustiça e de mentira no nosso mundo envolvente?!
Quantas vezes se utilizam “dois pesos e duas medidas”?!

Na base das situações de injustiça estão o egoísmo, a avareza e a falta de respeito pelos outros.

Quem se procura orientar pelos valores e não pela corrupção é apelidado de pouco esperto ou apontado como não sendo deste tempo!

Contudo, a justiça e a verdade são critérios para uma vida realizada e feliz e imprescindíveis nas relações inter-pessoais. A justiça e a verdade são dois valores que nos interpelam e desafiam a viver de modo diferente. É urgente a conversão e a mudança de vida. Assentar a vida nestes valores. Pois o cristão não deve pactuar com falsidades e meias verdades.

Mas sabemos que comprometer-se com a justiça e a verdade não é tarefa fácil.

No entanto, Deus, fonte da verdade, chama-nos a viver na verdade, uma vez que esta é uma forma de amor ao próximo. E este é expressão da vontade de Deus e construtor de um mundo justo.

Se ser cristão é seguir Jesus Cristo, não devemos temer ser diferentes e afirmar essa diferença, mesmo que nos atribuam rótulos. Ao seguir Jesus vivemos a verdade que liberta e “a verdade nos salvará”.

“Que a tua linguagem seja: sim, sim; não, não.”
(Mt. 5, 37)

terça-feira, junho 26, 2007

Livros - "Batata Quente"


Pegando na "Batata quente" passada pelo Moinante - Conversas sem ferrolho, que consiste em indicar alguns livros que nos tenham sido referenciais de alguma forma. Ei-los:

Bíblia Sagrada (sempre presente)

Um futuro para a juventude, Omraam Mikhael AIVANHOV

O principezinho, Antoine de Saint EXUPÉRY

A inesperada Mrs. Pollifax, Dorothy GILMAN

As pontes de Madison County, Robert James WALLER


Memorial do Convento, José SARAMAGO


sábado, junho 23, 2007

Memórias

Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular,
Quem disse
Que há horas e momentos p'ra se amar?

Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi
quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal?

As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar

Queria viver tudo numa noite
sem perder a procurar
Um tempo ou espaço
Que é indiferente p'ra poder sonhar

As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar

Quem foi que provocou vontade
e atiçou as tempestades
e amarrou o barco ao cais?

Quem foi que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais?

As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever,
devagar
devagar

(Luis Represas)


terça-feira, junho 19, 2007

A providência



Se não for o Senhor a edificar a casa,
em vão trabalham os construtores.

Se não for o Senhor a guardar a cidade,

debalde a vigiam as sentinelas.

Inútil levantar-se demasiado cedo,

e fazer serão até noite dentro,
ou comer o pão de tanta fadiga,
se Ele enche de bens os seus fiéis enquanto dormem.

Os filhos são bênçãos do Senhor,

os frutos do ventre, um mimo do Senhor.

[do Salmo 126 (127)]

segunda-feira, junho 18, 2007

Abatimento


Mais uma vez, caí!
Deixei-me abater de desânimo.
Tudo ao meu redor me sufoca, me quebra.
Hoje, nem a natureza me alegra.
Até esta está solidária comigo.
Nada quero para mim.
Só o bem dos que amo.

Senhor, meu refúgio e fortaleza, levantai-me!

domingo, junho 17, 2007

Puríssimo Coração de Maria

O Coração de Maria é, depois do de Jesus, o coração mais amável de todos os corações, o mais digno da nossa ternura e gratidão, pela amabilidade incomparável que em si encerra, pela doçura, pela bondade e pela caridade que tem para connosco.


Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!” 

sexta-feira, junho 15, 2007

Coração de Jesus



Sagrado Coração de Jesus que tanto nos amais
Fazei com que eu Vos ame cada vez mais.


Junho: Mês de devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

As doze promessas de Jesus a quem se consagrar ao Seu Sagrado Coração:

1. A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração.

2. Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.

3. Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias.

4. Eu os consolarei em todas as suas aflições.

5. Serei seu refúgio seguro na vida, e principalmente na hora da morte.

6. Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos.

7. Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias.

8. As almas tíbias se tornarão fervorosas pela prática dessa devoção.

9. As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.

10. Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais empedernidos.

11. As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes inscritos para sempre no meu Coração.

12. A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.

Amen!

terça-feira, junho 12, 2007

Aprendendo a nadar

Hoje mergulhei
No mar das minhas lágrimas.
Quase me afoguei!

Debati-me
E emergi.
Foi então que percebi
Que urge ser forte,
Aprender a viver sem ti.

Oh!
Mas como estás longe!
Um oceano te separa de mim.
E como dói a saudade!

Estás no meu coração,
No meu pensamento
Sempre!

Apenas quero a tua felicidade.
E sabes bem
Que se fores feliz,
Eu também.

Por isso
Não me posso afundar.
Tenho de ir aprendendo
A nadar!

(Para J.P.)

segunda-feira, junho 11, 2007

“A vida não é existir sem mais nada”

(O Restolho e o Sentido da Vida – Viver porquê e para quê?)




Descobrindo o sentido da vida humana
Viver significa ter um objectivo e ordenar a vida em função dele.
A vida só é vida verdadeiramente se for vivida tendo em vista um objectivo, se não, pode tornar-se um absurdo. Será um carregar de fardos sem qualquer finalidade, uma rotina diária, um viver um dia atrás do outro à espera da morte.
De que vale viver a vida um dia após o outro, sempre igual e sempre vazio?

O que dá sentido à vida pode ser mais importante que a própria vida.
A vida não é existir sem mais nada, é feita duma entrega alucinada para receber daquilo que aumenta o coração.

Ou seja, a vida com sentido é vivida com amor, é um “dar-se” aos outros, amando-os e ajudando-os a carregar os seus fardos, pois só assim o nosso coração se enche de felicidade, que é a única coisa a que qualquer ser humano aspira – ser feliz.
E como ninguém é feliz sem amor, ninguém é feliz sozinho. Só amando os outros, estando rodeado de outros iguais a si, o ser humano se realiza verdadeiramente e recebe daquilo que aumenta o coração – o amor, a verdadeira felicidade – a sua recompensa de uma vida vivida com verdadeiro objectivo.

É preciso viver, não apenas existir. (Plutarco)
Mas é preciso morrer e nascer de novo, semear no pó e voltar a colher.É claro que nem tudo na vida se faz sem dificuldades, sem sofrimento. A vida prega-nos partidas. Somos constantemente assaltados por contrariedades, desilusões. Fraquejamos, temos momentos de desânimo, somos traídos. Os outros nem sempre correspondem às nossas expectativas, são sempre muito diferentes de nós. Têm vida própria, não “giram à nossa volta”, não os moldamos a nós, e isso, muitas vezes, gera incompatibilidades que nos transtornam de modo mais ou menos profundo. Além disso, estamos constantemente a ser confrontados com a perda de pessoas que amamos, ou que nos são mais ou menos próximas, e isso causa sofrimentos e faz-nos colocar questões relativas à finalidade da nossa existência.

E, de fracos que somos, caímos. Às vezes até bem para o fundo, até “morder o pó do chão”. A vida tem “altos e baixos”. Às vezes mais “baixos” do que “altos”.

Mas a vida não é dia sim, dia não. Ela é constituída por todos os dias, os bons e os menos bons. E há que aprender a vivê-los mesmo quando estamos tristes e solitários. Tristes e solitários como o restolho quando o trigo lhe é cortado.


Temos dias assim. Desses em que nos deixamos envolver pela noite escura e fria e nos deixamos ir ao sabor do vento, sem saber que rumo tomar.

Deixamo-nos arrasar pelos sonhos sonhados, tantas vezes utópicos, sem qualquer coragem para os realizar, e com uma mágoa enorme, intensa, aguda.A vida é feita de pequenos nadas.

Pura ilusão!?
Pura desilusão!?

Será a vida um absurdo?

Decididamente, não!
Há que penar para aprender a viver.
É preciso ir à luta e enfrentar a vida mesmo que por vezes nos assuste.

A vida é um campo de batalha em que as armas a utilizar devem ser a nossa Força, o Amor, a Amizade e o Perdão para que possamos fazer dele não um campo de guerra, mas um campo de Paz.

E nunca devemos abdicar dos nossos princípios, sentimentos e convicções, porque sem eles não teremos paz. É a paz, interior e com os outros, que nos faz sentir donos da nossa vida.

Há que ser trigo, depois ser restolho.
Não somos sempre jovens e belos. Nem são a juventude, a beleza física, o lugar social ou a inteligência que fazem a verdadeira felicidade.

É preciso não desistir de perseguir um sonho, aconteça o que acontecer, pois muito embora se chegue cansado ao fim do dia, pelo menos será por fazer aquilo que se gosta.

A vida tem etapas a percorrer que, se não forem cumpridas fielmente, dificilmente se alcançará a meta com satisfação. E também é preciso ajuda nessa caminhada. Temos que procurar apoio em qualquer coisa. Mas essa “coisa” não pode ser uma coisa qualquer. Muitos há que, durante toda a vida, a procuram sem nunca a encontrar. Procuram em diversos sítios, por estradas largas, portas escancaradas…e não é lá que encontram. Então, só resta procurar outra via. Seguir pelo “caminho apertado” e passar pela “porta estreita”.

É preciso morrer e nascer de novo.
É preciso encarar o futuro com uma esperança sempre renovada, não deixando que nada interfira negativamente na vida.
Vencer as dificuldades em cada dia, “morrendo para nós e nascendo para os outros”. Dando, em cada dia, a mão ao outro. Só assim encontraremos outros que também nos dêem a mão.

É belo e importante viver numa entrega alucinada, “pois é dando que se recebe”.

E não devemos ter medo de nada, pois Cristo disse-nos:

“Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt. 28, 20)


O sol volta sempre todos os dias.

(respescado)

sexta-feira, junho 01, 2007

Papoila


(Para J.A.)

Dia da criança.
Hoje.
É o teu dia!
Minha criancinha mimada
Minha filha muito amada
Que só me dás alegria.

Eu sei…
Eu sei que já não és criança,
És até maior que eu…
Mas, que queres?!
Vejo-te sempre assim…
Sabes que para mim
És e sempre serás
A papoilinha,
A menininha
Muito querida dos papás!

Tanto que fazes sonhar
Amorosa e lindinha
Apesar de quereres ser grande
És sempre pequenininha

Vive e sê feliz
Papoila do meu jardim
Só mereces o melhor
Quem dera que a vida te desse
Tudo o que de melhor houvesse
Para seres sempre feliz assim

Corre, pula, voa!
Voa bem alto,
Sonha.
Trabalha sem temer
Realiza o sonho
E serás
Tudo o que quiseres ser.

domingo, maio 27, 2007

Contemplação

As aventuras de um casal no regresso de levar o filho ao aeroporto:

Dez e meia da manhã.
Primeira paragem: Serra dos Candeeiros.

Sair do carro e passear de mãos dadas…
Depois de alguns passos percorridos, um barulhinho nos penhascos.

Detive o olhar e…

Soltei um grito lancinante!

Uma… comprida… enorme… castanha… medonha…

Ui!...
Nem quero lembrar!

Quem comigo convive sabe bem o pavor imenso que tenho por cobras (apesar de saber que até estas são criaturas de Deus).

É claro que, depois de tamanho susto…
Já não conto mais nada…

Esta não esqueço tão depressa!

“Faz tudo como se alguém te contemplasse.”
(Epicuro)

quinta-feira, maio 24, 2007

Impele a tua própria canoa

Não deixes cair teus olhos,
Não te deixes enganar,
Olha de frente os escolhos,
Olha podes encalhar.

É urgente estar atento,
Ver pra onde corre a maré,
Ver pra onde sopra o vento,
Não vás tu perder o pé.

Jesus* é quem te diz, oh oh,
Impele a tua própria canoa.
Se queres mesmo ser feliz,
Não te deixes ir à toa,
Impele a tua própria canoa,
Impele a tua própria canoa.


A vida não é deserto
Não queiras ficar no cais
Jesus Cristo é rumo certo
Decide tu aonde vais

Pioneiros - Autoria: Rumos (Escuteiros) *(Adaptação: Jesus)

Acordes e ouvir

Ouvir em: PIONEIROS
Do álbum: Escuteiros

sábado, maio 19, 2007

GRITO


( O Grito, de Edward Munch)

Em "O Grito ", Munch exprime com veemência o desespero emocional que o assola, o medo intolerável de perder a razão.


Concedei-me, Senhor:
- Serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar;
- Coragem para modificar as que posso;
- Sabedoria para distinguir umas das outras.

segunda-feira, maio 14, 2007

Quanto vale a vida?

“Depois de uma aula sobre o sentido da vida humana, a aluna aproxima-se do professor e pergunta-lhe:
- Professor, quanto vale a vida humana?
O professor ficou pensativo. Naquele momento passaram-lhe pela mente as questões clássicas (Donde venho? O que faço? Para onde vou? A vida humana acaba nesta terra? Existe o transcendente? Quem dá sentido à vida?). Após alguns momentos, retirou o anel que tinha no dedo, com uma pérola, entregou-o à aluna e disse-lhe:
- Vai perguntar às pessoas quanto vale o anel. Mas não o vendas. Depois de saberes as respostas, vem ter comigo.
A aluna encontrou uma senhora a vender cerejas e perguntou-lhe:
- Quanto me dá por este anel?
- Dou-te 10 quilos de cerejas, respondeu a senhora.
A seguir encontrou um senhor que vendia uvas:
- Quanto me dá por este anel?
- Dou-te 100 quilos de uvas.
Mais adiante, encontrou uma ourivesaria. Entrou e perguntou:
- Quanto me dá por este anel?
- Fico com ele por 10.000 euros.
Entrou noutra ourivesaria. O ourives, ao examinar o anel, olhando por cima dos óculos, com uma expressão enigmática, disse à aluna:
- Este anel vale mesmo muito. Pode ter um valor incalculável.
Depois, a aluna foi ter com o professor e entregou-lhe o anel. Este interpelou a aluna:
- Entendeste agora quanto vale a vida humana?
- Não. Respondeu a aluna.”

[In: O desafio de Viver, S. N. E. C. (9.º ano)]

E tu entendeste?
Quanto vale, para ti, a vida humana?
Queres imaginar como termina a história?...
Qual será a resposta que o professor vai dar à aluna?


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Adenda em 19/05/2007

A resposta do professor:

"- Pois é, disse o professor. Para uns, a vida humana vale 10 quilos de cerejas, para outros 100 quilos de uvas, para outros 10.000 euros.
Mas o valor da vida humana é incalculável. Não há dinheiro que pague o valor da vida humana. É que a vida humana não é mercadoria, não é material negociável, mas é um dom de Deus dado à própria pessoa. E nenhum dom se negoceia, mas respeita-se, por ser dom, pela ligação à pessoa que no-lo deu e pela marca da sua dignidade."

sexta-feira, maio 04, 2007

Não adores...



Não adores nunca ninguém mais que a Deus. (dó sol dó)
Não adores nunca ninguém mais que a Deus. (dó fá sol )
Não adores nunca ninguém mais, (lá- sol)
Não adores nunca ninguém mais, (mi- lá-)
Não adores nunca ninguém mais que a Deus. (dó sol dó)

Não escutes nunca ninguém mais que a Deus...

Não contemples nunca ninguém mais que a Deus...

Porque só Ele nos pode saciar.
Porque só Ele nos pode saciar.
Não adores nunca ninguém mais,
Não escutes nunca ninguém mais,
Não contemples nunca ninguém mais que a Deus.

(Autor desconhecido)

Ouvir uma versão e partitura

quarta-feira, maio 02, 2007

Ave Maria

Ave Maria!
Virgem do Céu, Santa de amor
Tem vosso olhar toda a magia
Da luz que brilha no olhar do Senhor!
Venha a nós a graça que esplende de vós!
Vinde a nós vosso amor!

Dai paz, amor, felicidade
Aqui na terra onde andamos ao léu!
Fazei triunfar no mundo a verdade!
Ó Vós, que sois a rainha do céu!
Ave Maria!

(Avé Maria - Franz Schubert) (letra em português de autor desconhecido)

Avé Maria Schubert - Partitura

 
(Margaret Windler soprano)

sexta-feira, abril 13, 2007

Eu finjo ter paciência…

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
A vida não pára...
Enquanto o tempo acelera e pede pressa,
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa;
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo espera a cura do mal,
E a loucura finge que isso tudo é normal,
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando cada vez mais veloz,
A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara, tão rara...
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
Eu sei,
A vida não pára...

(Paciência - Lenine)




segunda-feira, abril 09, 2007

Desafio de amizade

Há coisas engraçadas!
As pessoas lembram-se de começar certas correntes que nunca sei como acabam. No geral não sou muito virada para esse tipo de coisas, sobretudo quando envolvem superstições, prometem felicidade ou fazem ameaças se a corrente for quebrada. Aí, quebro-a sempre. E não é por isso que deixo de ser feliz ou que o mal me acontece.
No caso particular desta corrente, recebi-a do Haras (http://www.sementinha-da-vida.blogspot.com/), que diz ser uma corrente de amor feita amizade, a que achei alguma graça porque pretende que revele um pouco de mim.
Para mim não é uma corrente, mas sim um desafio ao qual vou responder, mesmo sabendo que estarei a revelar algumas coisitas que não me apetecia muito. Mas pronto, aqui vai para me ficarem a conhecer melhor.

1º- Quem admiro?
– Admiro algumas pessoas, mas particularmente, uma amiga querida, por estar sempre de bem com o mundo, apesar de todas as adversidades por que já passou.
2º- O que faço nas horas vagas?
– Nas horas vagas, mesmo vagas – DURMO – tenho necessidade de dormir muito.
3º- Características que mais gosto em mim?
– Gosto de sorrir (com os dentes todos, lol); gosto de me sentir jovem; gosto da cor dos meus olhos (azuis); e gosto de amar, melhor dizendo, gosto de me relacionar com todas as pessoas, vendo nelas, acima de tudo, o que têm de bom e tolerando o que têm de menos bom, o que nem sempre é tarefa fácil, mas é uma tendência natural que tenho para amar todos sem excepção e que me realiza.
4º- Meus defeito(s)?
– Perfeccionismo; insegurança; inconformismo; impulsividade.
5º- O que não suporto nos outros?
– A prepotência, a arrogância e a crueldade.
6º- Medo(s)?
– Tenho medo de que os meus filhos não sejam felizes. E tenho pavor a cobras.
7º- Uma lembrança de Infância?
– São tantas as que me tornaram feliz! A convivência com a avó paterna, com as primas, com a tia, com o mano mais novo…
8º- Uma mania?
– Tenho a mania de mandar, mas depois, muitas vezes, acabo por fazer aquilo que mandei! Assim, quem já me conhece a mania, não faz logo o que mando ficando à espera que eu o faça. Mas, mesmo sabendo que muitas vezes não resulta, continuo sempre mandona.
9º- Uma viagem inesquecível?
– A Lourdes – França – com a família, de Renault 4L e atrelado/tenda de campismo!!! E outras! E outras! (Tenho saudades desse carrito mas, coitado, não podia durar sempre!)
10º- Um homem (mulher) famoso fisicamente bonito?
– José Mourinho.
11º- Livro de cabeceira?
– De momento é este que ando a ler: “Sete anos no Tibete” de Henrich Harrer.
12º- A canção da minha vida?
– Não tenho propriamente uma canção da minha vida. São muitas as que me tocam em determinadas alturas. Mas há um Salmo que gosto particularmente de cantar: “O Senhor é a minha herança” (do Salmo 16) – Ainda o partilharei aqui no blog.
13º- Sou péssima quando?
– Quando me tentam impor o que quer que seja ou me obrigam a fazer opções. Aí fico mesmo furiosa. Quem me impõe alguma coisa leva para trás. Também sou má perdedora.
14º- Sou boa... a?
– Penso que sou boa (quase sempre) em tudo o que me proponho levar a cabo. Ou então sou muito convencida, lol.

Resta-me agradecer ao Haras por me ter levado a reflectir nestas questões. É sempre bom interiorizar e exteriorizar coisas acerca de nós, para tentar ir modificando o que está menos bem.

E agora, como é da praxe, vou passar o desafio a outros amigos, esperando que também ousem revelar algo de si.

Os desafiados são:
Enfim (http://realidadehilariante.blogspot.com/ )
Eugénio (http://www.heartpierrot.blogspot.com/ )

Vá lá, revelem-se!

domingo, abril 08, 2007

Via Lucis


Cristo Ressuscitou . ALELUIA!!!

**
“Jesus venceu a morte. O pior inimigo do ser humano foi vencido e a Vida triunfou sobre a morte. A partir deste momento, em que Jesus ressuscitou, já ninguém poderá parar Deus. O Seu plano de Salvação que vinha desde o início do mundo, atingiu a sua plenitude com a ressurreição do Seu Filho. Por Ele fomos salvos e o caminho, que tem por guia Jesus, foi aberto para a descoberta do Amor de Deus que nos salva daquilo que nos rodeia, daqueles que nos impedem de crescer e de nós próprios, curando-nos. Tal como Maria Madalena, façamos desenvolver em nós o desejo de correr, indo ter com todos e contar-lhes que Jesus está Vivo!”***

A Cátia transmitiu-me este círio, símbolo da Ressurreição de Cristo!

É a Luz de Cristo
A iluminar o nosso caminho.

Cristo ressuscitou! Ressuscitou! Aleluia!

"Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que tendes... Se Cristo não ressuscitou, a fé que tendes é ilusória... Se a nossa esperança em Cristo é somente para esta vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens" (1Cor 15, 14.17.19).


domingo, abril 01, 2007

Jesus Cristo - Como entender esse amor?


Michael W.Smith - Above All

sábado, março 31, 2007

O essencial é invisível aos olhos

"- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa – disse a raposa.
- Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda…
- Ah! Então, desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar: - O que é que quer dizer “cativar”?
- Vê-se logo que não és de cá – disse a raposa. - De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens – disse o principezinho. - O que é que "cativar" quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar – disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não – disse o principezinho. Ando à procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Quer dizer estar ligado a alguém, “criar laços” com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber – disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor...tenho a impressão que estou ligado a ela...
- É bem possivel - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- Oh! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça...E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão...- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver ligada a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...cativa-me! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual, à quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém ligado a vocês e vocês não estão ligadas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sózinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a ela que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer."

(Antoine de Saint-Exupéry – O Principezinho)

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