Mas eu posso dizer, com certo grau de convicção, que creio que amanhã não choverá, se não se apresentam indícios de chuva.
Ao utilizar a palavra creio, nesta frase, quero dizer que suponho que acontecerá assim, ou seja, não sei bem, não tenho certeza, mas acredito, tenho fé de que assim será. Essa é a minha opinião, embora possa não ser absolutamente segura.
Por outro lado, posso usar a palavra crer para significar que acredito, que confio em alguém, amigo, médico, advogado..., que tenho fé nessa pessoa.
É este segundo sentido do verbo crer que se usa na Fé dos cristãos. Eu creio em Jesus Cristo. Eu confio em Jesus Cristo, o enviado do Pai. Eu tenho Fé.
Ter Fé é deixar as seguranças humanas e embarcar numa aventura radical. Entrar numa relação interpessoal de amor com Cristo, de modo totalizante, até que esse amor já não caiba mais só dentro da relação, mas tenha de extravasar daí para fora, sendo arrastado aos que estão próximos.
Conhecemos ou já ouvimos falar de muitas pessoas concretas que rumaram neste sentido, desde Abraão até aos nossos dias. Pessoas como nós, que confiaram e aderiram a um projecto de vida novo. E fizeram-no de todo o coração, transformando assim o seu viver e o mundo à sua volta.
A definição de Fé ou crer será, assim, uma atitude de confiança total na pessoa de Jesus Cristo vivo, Verbo de Deus, não de maneira abstracta, mas em comunhão íntima com Ele, que leva a acreditar na sua mensagem, procurando conhecê-la cada vez melhor e fazê-la chegar aos outros; que leva a um compromisso de ajudar a construir um mundo mais fraterno, mais justo.
"Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tgo. 2, 18)
Eu sei que não é fácil, que surgem dificuldades, momentos de dúvida e de desânimo, avanços e recuos... mas se eu tenho Fé, a minha vida será conforme essa Fé e não conforme se apresentar o dia. Quer com sol, quer com chuva, terei de agir de acordo com aquilo em que creio.
É este o caminho da felicidade.
Obrigada, António, por me indicares Mc. 2, 17 [«Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos mas, os pecadores»].
A minha resposta, então, até poderia ser com a citação de Lc. 6, 39 [«Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova?»].
Ou então, muito bem, com a de Lc. 7, 39 [«Se este homem fosse profeta, saberia quem e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!»].
Agora concluo com Lc. 11, 28:
"Felizes os que escutam a palavra de Deus e a põem em prática."













