Se já não andava muito bem, hoje piorei!
Estou aqui que nem posso. Chateada, aborrecida. Estou arrasada. Gasta, sufocada, perdida, estoirada… mas não vencida!
Eu, incrédula, ainda não me tinha dado bem conta da dimensão da superficialidade da vivência cristã, nos nossos dias.
Como é que se chega a um 10.º ano da Catequese, em vésperas de se receber o Sacramento da Confirmação, em completa contestação às leis da Igreja, às quais se chama “esta porcaria”?!!!
Que moverá alguns adolescentes a fazer o Crisma?
Ao abordar assuntos referentes ao recebimento deste Sacramento, nomeadamente no tocante ao perfil dos padrinhos, instalou-se a polémica.
Afinal para que serve um padrinho ou madrinha de Crisma? Não será para, entre outras coisas, lhe transmitir a sua vida cristã? Poderá alguém dar aquilo que não tem?
Já nem falo nas polémicas de anos anteriores, em que queriam à força ter um padrinho de Crisma sem ser ele próprio crismado! Parece que isso já entenderam. O que parece não terem entendido, ainda, é que para se transmitir vida cristã, tem que se viver como cristão. E o que é viver como cristão é que ainda não entrou bem na cabeça das pessoas.
Os Mandamentos da lei de Deus não são fáceis de cumprir. Muito embora se possam resumir a dois: amar a Deus e amar o próximo, eles são dez, que ditam regras de conduta que tem que ser seguida. Sabemos que a fragilidade humana nos coloca pedras no caminho que nos fazem tropeçar e que, muitas vezes, “não fazemos o bem que queremos e fazemos o mal que não queremos”. “O justo peca sete vezes ao dia”. Mas sabemos também que Deus nunca nos abandona. Os Sacramentos que nos deixou são disso prova. Se sentimos a consciência pesada devemos abeirar-nos do Sacramento da Reconciliação que restaura em nós a pureza perdida.
Mas a consciência só nos acusa daquilo em que nós sabemos que falhámos. E as mentalidades de hoje começam a encarar com completa normalidade aquilo que não o é!
Um dos requisitos para os padrinhos do Crisma é serem pessoas que, se casadas, que o sejam pelo Sacramento do Matrimónio e não apenas pelo civil, ou se solteiras, que não vivam maritalmente com ninguém. Ora, foi neste ponto que a bomba estoirou.
Se se é cristão, faz sentido que se siga a Cristo e a sua doutrina. Para quem não é cristão, não faz sentido seguir essa doutrina. Se se é cristão, no tocante ao casamento, faz sentido que se receba o Sacramento do Matrimónio. Se não for cristão, casar pela Igreja é uma incoerência. Tal como é uma incoerência, no caso de se dizer Cristão, viver maritalmente sem receber este Sacramento ou antes de o receber.
Como é que se pode avaliar se uma pessoa vive ou não cristãmente?
Certamente que os sinais exteriores darão alguma indicação. Mas quem sou eu para ajuizar o que quer que seja?
Deixei a minha advertência. Aconselhei a que fosse procurada ajuda espiritual, por exemplo através da Confissão. O que um catequista ensina é em nome da Igreja e não em seu nome pessoal.
Atiraram-me com “ponho as minhas mãos no lume em como a Igreja daqui a alguns anos não terá ninguém.”
Mas afinal, é a Igreja, fundada por Cristo, que segue a doutrina deixada por Cristo, que deve moldar-se à mentalidade da sociedade civil? Aos apetites inconstantes das pessoas? Não serão as pessoas que têm que decidir se querem viver segundo estes ensinamentos ou não? Seguem-nos, se sentem esse chamamento e necessidade, mesmo sabendo que correm o risco de tropeçar, pois sabem que Jesus está sempre connosco em Espírito Santo, para nos ajudar nas nossas fraquezas.
Quem achar que este é um caminho demasiado estreito, que não o force para que seja uma estrada larga de facilidades, pois nunca o será.
Muito mais poderia aqui referir de todo o bate-boca que se gerou. Muito mais aqui escrevi e acabei por apagar. Estou cansada. Às vezes dá-me vontade de fazer como Jesus quando expulsou os vendilhões do Templo. Outras vezes dá-me vontade de desistir desta “gente de pouca fé”. Sou fraca, imperfeita, pecadora. Espero que Deus me dê a força necessária a “travar o bom combate”, porque sei que vai sobrar para mim!














