quarta-feira, julho 14, 2010

Olhando à volta

.
« Senhor!

Se olho à minha volta
só vejo desgosto.
Pelas estradas e passeios
quantas pessoas suspiram
caminhando com dificuldade.
Achas que me esconda num beco
para me sentir seguro?...
Não! Penso que é melhor
enfrentar este mundo.

Senhor,
dá-nos
um pouco de esperança. »

(Angela Toigo, Um rato fala com Deus)

quarta-feira, julho 07, 2010

Abrir as mãos se o salto é sem rede



Pedes-me um tempo,
para balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair..

Pedes-me um sonho,
para fazer de chão.
Mas eu desses não tenho,
só dos de voar.

Agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração...

Prendes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens.
Esqueces que às vezes,
quando falha o chão,
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos.

Pedes-me um sonho
para juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte
se volta a colar.

E agarras a minha mão
com a tua mão e prendes-me
e dizes-me para te salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração.

Balançar - Mafalda Veiga

sábado, julho 03, 2010

Rezar de manhãzinha



Deus reza de manhãzinha

Poder rezar-lhe e poder escutá-lO é
simplesmente uma delícia!



LUDOVICO EINAUDI - Nefeli


quinta-feira, junho 24, 2010

P'lo S.João - Queijo e Pão

Dão nas vistas em qualquer lugar
Jogando com as palavras como ninguém
Sabem como hão-de contornar
As mais directas perguntas

Aproveitam todo o espaço
Que lhes oferecem na rádio e nos jornais
E falam com desembaraço
Como se fossem formados em falar demais

Demagogia feita à maneira
É como queijo numa ratoeira

P’ra levar a água ao seu moinho
Têm nas mãos uma lata descomunal
Prometem muito pão e vinho
Quando abre a caça eleitoral

Desde que se vêem no poleiro
São atacados de amnésia total
Desde o último até ao primeiro
Vão-se curar em banquetes, numa social

Demagogia feita à maneira
É como queijo numa ratoeira

Demagogia- Lena D’Água (Single, EMI, 1982)





Há canções que não são novas mas que permanecem actuais.

É como no reino dos pardais:
eles não conseguem mudar os acordes aos chilreios
mas quando se juntam fazem um grande cagaçal.

quarta-feira, junho 09, 2010

É o meu Violino!

Numa certa manhã de Outono, um pobre cego pedia esmola à porta de uma igreja, como fazia todos os domingos, com um pequeno cão que ele tinha ensinado a sentar-se sobre as patas traseiras segurando na boca um velho chapéu amassado, onde ele esperava que algumas almas caridosas lhe lançassem umas pobres moedas.
O mendigo tocava, ou melhor, tentava tocar uma canção no velho violino que rangia desafinado, e os frequentadores do local davam pouca importância àquela dupla de artistas passando por ambos sem ao menos olhar para eles.

Porém, nessa manhã, sucedeu passar por ali um senhor muito distinto que, ao ver o cego a tocar o violino tão desafinadamente, pediu-lho emprestado, quando ele terminou a canção.
Afinou cuidadosamente as cordas e começou a tocar. E fê-lo de tal maneira que em poucos minutos a praça ficou cheia de gente, formando à sua volta um apertado círculo de espectadores. As notas ecoavam no ar com uma agilidade e vibração arrebatadoras.
A música era tão harmoniosa que todos estavam encantados a ouvi-la.
Foi quando, no meio do silêncio, se ouviu um grito:

- É o meu violino, é o meu violino!

Era o pobre mendigo que bradava entusiasmado, orgulhoso, porque do seu violino saía uma música tão maravilhosa...

Depois de executar várias peças musicais, sob o aplauso delirante do público que se acotovelava, o desconhecido entregou o violino ao mendigo e desapareceu apressado, deixando todos perplexos e maravilhados, e a pergunta era uma só:
- Quem é este músico maravilhoso?

Um dos presentes adiantou-se e pegando no chapéu da boca do pequeno animal, estendeu-o ao público, dizendo:
- Os senhores acabam de ouvir um grande violinista, um mestre, e o espectáculo não foi de graça; por favor, contribuam para este homem, assim como o excelente violinista o fez.
E as esmolas foram tantas que o pequeno cãozinho não podia suportar o peso do chapéu.

(Adaptado)

• É curioso observar que aquele violinista não deu uma moeda sequer de esmola ao cego, mas com o seu talento e humildade, provavelmente transformou o dia daquele mendigo no dia mais feliz da sua vida.

• Também podemos concluir que não é por se ter um violino que se produz música. É preciso afiná-lo e saber tirar dele as notas certas para que a melodia seja bela e harmoniosa.

• E assim é na nossa vida: muitas vezes somos como um violino desafinado. Mas se nos deixarmos tocar pelas mãos do Mestre, a melodia será maravilhosa!

segunda-feira, maio 31, 2010

Mãe, no Teu Mês que Chega ao Fim...

Mãe, o meu dia chegou ao fim
Sinto uma paz dentro de mim
E estou feliz, no meu cansaço

Mãe, por tudo o que eu fui e dei
Leva o meu obrigado ao Pai
Enquanto fico em Teu regaço


Em ti, eu encontrei o que procuro
Mais energia para dar, e para ser
Mãe, és meu caminho e meu seguro
E sinto bem que Tu me estás a acolher

Aqui, o abandono filial
Vou aprender e o Teu colo experimentar
Mãe, confio a Ti meu ideal
E sinto bem que Tu me estás a transformar



Mãe, o meu dia chegou ao fim
Letra e Música: Ir. Maria Amélia Costa IFHIC
Acordes, Pauta e Ouvir

sábado, maio 22, 2010

Espírito Santo desce sobre nós

(Os 7 Dons do Espírito Santo, inspirados em Isaías 11,2-3)

Estes sete "dons são qualidades dadas por Deus que capacitam o ser humano para seguir com gosto e facilidade os impulsos divinos, para tomar a decisão acertada em situações obscuras e para reprimir as forças do orgulho, do egoísmo e da preguiça, que se opõem à graça de Deus".


“Digo-vos, pois: Andai segundo o Espírito e não satisfareis os apetites da carne.
Porque os desejos da carne são opostos aos do espírito, e estes aos da carne, pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.
Se, porém, vos deixais guiar pelo Espírito não estais sob a Lei.

Ora as obras da carne são estas:
Prostituição, impureza, desonestidade, idolatria, malefícios, inimizades, contendas, ciúmes, iras, rixas, discórdias, partidarismos, invejas, homicídios, embriaguês, orgias e outras coisas semelhantes, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus.

Mas o fruto do Espírito é:
Caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança.
Contra estas coisas não existe lei.

Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e apetites.”
(Gal. 5, 16-24)



O cristão é chamado a realizar um projecto de vida num constante converter-se ao crescimento da fé e comprometimento a gerar estes frutos do Espírito na vida do dia-a-dia.
O cristão é chamado a dar testemunho da fé cristã, não só pela palavra, mas em obras - em frutos de Vida Nova do Espírito.

Espírito Santo
Desce sobre nós;
Espírito Santo
Enche-nos de Ti!

domingo, maio 09, 2010

Deus cuidará de ti

Não desanimes, Deus proverá;
Deus cuidará de ti;
Sob Suas asas te acolherá;
Deus cuidará de ti.

Deus cuidará de ti
No teu viver, no teu sofrer;
Seu olhar te acompanhará;
Deus cuidará de ti.


Se o coração palpitar de dor,
Deus cuidará de ti;
Tu já provaste Seu terno amor.
Deus cuidará de ti.

Nos desalentos, nas provações,
Deus cuidará de ti;
Lembra-te dEle nas tentações;
Deus cuidará de ti.

Tudo o que pedes, Ele fará;
Deus cuidará de ti;
E o que precisas, não negará.
Deus cuidará de ti.

Como estiveres, não temas, vem!
Deus cuidará de ti;
Ele te entende e te ama bem!
Deus cuidará de ti.


Letra: Civilla Durfee Martin, 1904
Música: Walter Stillman Martin


"Nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, porque Eu sou o teu Deus; Eu te fortaleço e venho em teu socorro, e te amparo com a Minha destra vitoriosa."
(Isaías 41,10)

sexta-feira, abril 30, 2010

Aquele Mar... é Um Pouco Meu Também

Aquele mar
Meu confidente de horas idas


Tudo escutava e adivinhava
Do meu pueril e ingénuo anseio



E a eternidade em tudo via
Humano sonho sempre esquecido
Na eterna voz que fala o mar
( João de Barros)

sábado, abril 24, 2010

Tu és, Senhor, o meu Pastor

Pelos prados e campinas verdejantes eu vou,
é o Senhor que me leva a descansar.
Junto às fontes de águas puras repousantes eu vou,
minhas forças o Senhor vai animar.

Tu és, Senhor, o meu pastor,
por isso nada em minha vida faltará. (bis)

Nos caminhos mais seguros junto d’Ele eu vou,
e pra sempre o seu nome eu honrarei.
Se eu encontro mil abismos nos caminhos eu vou,
segurança sempre tenho em suas mãos.

Ao banquete em sua casa muito alegre eu vou,
um lugar em sua mesa me preparou.
Ele unge minha fronte e me faz ser feliz
e transborda a minha taça em seu amor.

Bem à frente do inimigo confiante eu vou,
tenho sempre o Senhor junto de mim.
Seu cajado me proteje e eu jamais temerei
sempre junto do Senhor eu estarei.

Co’alegria e esperança, caminhando eu vou,
minha vida está sempre em Suas mãos.
E na casa do Senhor eu irei habitar
e este canto para sempre eu cantarei.

Pelos Prados e Campinas

(Padre Zezinho, Pelos Prados e Campinas - Salmo 22)
(Partitura e acordes)


sexta-feira, abril 16, 2010

A Vida Deixa Sempre a Porta Aberta

A vida é tão diferente
Daquilo que sonhamos
Talvez o nosso mal seja acordar
Lancei o meu futuro
Para lá do firmamento
E agora não consigo lá chegar

Estou a sentir
A minha voz perdida no deserto
Mas sou quem diz
Que a vida deixa sempre a porta aberta
P'ra que eu possa lá entrar
E quem sabe regressar
À mais pura inocência

A vida é tão diferente
Dos sonhos que lembramos
Eu sei que o nosso mal é recordar
Perdi o teu futuro
P'ra lá do nosso tempo
E agora não consigo lá voltar

Estou a Sentir
A minha voz perdida no deserto
Mas sou quem diz
Que a vida deixa sempre a porta aberta
P'ra que eu possa lá entrar
E quem sabe te encontrar
Na mais pura inocência

(Polo Norte, Pura Inocência)



(acordes)

Mas sou quem diz
Que a vida deixa sempre a porta aberta

quarta-feira, abril 14, 2010

Isto é progresso?

"O vitupério anti-católico prolifera, é o que mais se destaca nestes dias, é o que mais une toda esta banda mediocres semi-cultos. O tema é indiferente. O Papa ou as procissões de Semana Santa, dá igual. O católico molesta, incomoda, é uma fraude."

Leis, ironias, blasfémias, preconceitos e sarcasmo. O desdém. E patadas ao mais sagrado. )


"Não penseis que eu vim trazer paz sobre a Terra; eu não vim trazer a paz, mas a espada." (Mt. 10, 34)

domingo, abril 11, 2010

“Meu Senhor e meu Deus!”



"Felizes os que acreditam sem terem visto."
(Jo 20,29)

terça-feira, abril 06, 2010

É Páscoa na Aldeia

É Páscoa na aldeia. Ouvem-se foguetes a estalar. Brilham tapetes de verduras às portas das casas por onde o Senhor vai passar. É um dia diferente. E está um dia de luar!
Depois de mais de trinta anos: a Visita Pascal. Uma segunda-feira de Páscoa com cheiro de outros tempos.
As pessoas esperam na rua, às portas. É a tradição que se revive uma vez mais.
A campainha soa cada vez mais perto: é o Cristo Ressuscitado que se faz anunciar!
E entra nas casas. E se faz Graça de Deus em cada lar.
No fim, os sorrisos, a satisfação em cada olhar, em cada palavra, em cada conversa entre vizinhos de um ao outro lado da estrada.
É Páscoa na aldeia.
Que seja para continuar!

domingo, abril 04, 2010

Cristo Ressuscitou! Aleluia! Aleluia!

É Domingo de Páscoa: Cristo ressuscitou. Aleluia! Aleluia!

Jesus Cristo vive. Está bem vivo no meio de nós.
Jesus morreu na Sexta-feira santa, sim, mas ressuscitou ao terceiro dia como havia prometido. Este é o mistério central da nossa fé.
Cristo venceu a morte para que pudéssemos ter a Vida.




Que Jesus ressuscite verdadeiramente nos nossos corações!

Boas Festas Pascais!

terça-feira, março 30, 2010

Em Semana Santa

Terça-feira Santa - 42.º Dia de Caminhada

Tempo da Paixão de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se fez carne da nossa carne, e se entregou à morte para nos dar a Vida.

É tempo de Oração, de Espera...

É tempo de silenciar, de meditar...

O fruto do Silêncio é a Oração;
o fruto da Oração é a Fé;
o fruto da Fé é o Amor;
o fruto do Amor é o Serviço;
o fruto do Serviço é a Paz.
(Madre Teresa de Calcutá)

Continua ainda a nossa caminhada: amanhã vamos reflectir com a Dulce no Degrau de Silêncio... silenciando, orando, crescendo na Fé, crescendo sempre mais no Amor e no Serviço... na Paz... em Vida!


Uma Páscoa de Vida Nova para todos!


quinta-feira, março 25, 2010

O "Fiat"

"Nossa Senhora de Março traz a merenda no regaço."

Lembro-me desta frase desde miúda. Uma frase que nos traz um duplo significado de merenda: a merenda física - lanche da tarde, na tradição popular; e a merenda espiritual - Jesus, o nosso verdadeiro alimento.

25 de Março é o dia da Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria de Nazaré. Data escolhida pela Igreja para realçar o simbolismo da Festa da Anunciação: exactamente nove meses antes do Natal, período normal de uma gestação.

"Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Avé, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?» O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; *faça-se em mim segundo a tua palavra»." (Lc.1,26-38)



Segundo os teólogos, foi no momento desse sublime *fiat que se deu o mistério da Encarnação do Filho de Deus. É aqui que começa um novo período da história: Deus está connosco! Maria, Virgem de Nazaré, ao dar o seu Fiat, acolheu o Verbo de Deus no seu regaço.

Que Nossa Senhora, Mãe de Deus, nos ensine a também acolher sempre a Palavra de Deus, a dar o nosso Fiat!

terça-feira, março 23, 2010

Mais do que a Idade é a Vida

Na contagem do tempo, na viragem do vento, nova primavera. A vida se [re]desenha com renovado entusiasmo.

Nascer. Viver. Tempo. Idade.

Porque há uma eterna vida por detrás da palavra. Nascer.
Compreendo que nascer não é um acontecimento menor; embora uma etapa; uma rampa de lançamento numa pista coberta.
Nascer. Não me lembro de ter nascido. Mas guardo nas lembranças o sítio onde nasci. O sítio onde nasci poder-me-á ter condicionado a existência. Porém, mais do que nascer para existir é nascer para viver.

Viver. Viver requer aprendizagem, requer [auto]domínio, noção da realidade… porque viver ‘não é existir sem mais nada’.
A vida é uma estrada. Uma estória a construir. Com dias em que o sol a pinta de ouro e noutros a farrusca a tempestade.

O tempo começa a escassear. A idade não perdoa.
A idade faz-me compreender que a vida é o que fazemos com ela.
E envelhecer será sempre melhor do que morrer jovem.
Porque mais do que a idade é a vida!

domingo, março 21, 2010

No Trilho do Amor

Quaresma - Tempo de Renascer -
- a caminhar é que se faz o caminho - 33.º Dia

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio



Escutar e meditar a Palavra

"Jesus disse:
Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente: tal é o maior e primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. A estes dois mandamentos está ligada toda a Lei, bem como os Profetas." (Mt. 22, 37-40)

"Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros. É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." (Jo 13, 34-35)

"Eu peço-vos mais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam." (Mt 5, 43-44)

"Quem aceita os meus mandamentos e lhes obedece, esse é que Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai. Eu também o amarei e manifestar-Me-ei a ele." (Jo. 14, 21)


Procurar-se na solidão

* Para mim o que é o amor? Um sentimento bonito que acontece quando tem de acontecer? Uma paixão? Uma atracção romântica; desejo libidinoso? Ou uma decisão?
* Quem amo? Quem me é mais fácil amar? Aqueles com quem me identifico, que pensam como eu; quem é simpático, bonito; os familiares, os amigos? Amo o meu próximo? E quem é o meu próximo? E como trato os inimigos?
* Como amo? Esperando reciprocidade? Amo apenas quem me ama? Ou amo sem nada esperar em troca? Amo com todo o coração o marido ou a esposa; os filhos, os irmãos, os pais, os sogros, a nora, o genro? Guardo o meu amor na pureza e na castidade?
* O que é amar? Será o mesmo que gostar? E o que é, e como é, amar a Deus?


É tempo de procura de água

Podemos dizer que toda a Lei, todos os mandamentos se resumem a um só: Amar! Um só mandamento que abrange todos: Deus, o próximo, e nós mesmos.
Este mandamento fundamenta todos os outros. É um programa de vida.
"Amamos, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê." (1Jo.4,19-20)
Se não amo o meu irmão, eu não amo a Deus. O amor não é uma coisa que apenas acontece. É uma decisão. É a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro. O amor é um mandamento, mas não é uma mera exigência, porque antes nos é dado.

Amar como a si mesmo é condição essencial do amor ao próximo. Não fazer aos outros o que não gostaria que lhe fizessem e fazer aos outros o que gostaria que fosse feito a si em circunstâncias semelhantes. O próximo deve ter, aos olhos de cada um de nós, tanto valor como nós próprios. Quem se conhece e estima a si mesmo, deve abrir-se aos outros e estimá-los como seus próximos. Deve tornar-se o próximo de todos os que necessitam de si. Fazer ao próximo aquilo de que ele tem necessidade.

Amar o próximo é condição do amor a Deus.
"Porque tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber; era peregrino, e recolhestes-Me; estava nu e vestistes-Me; adoeci e visitastes-Me; estive na prisão e fostes ver-Me.
(...) Senhor, quando foi que te vimos com fome e Te demos de comer? Ou com sede e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino e Te hospedamos? Ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente ou na prisão e fomos visitar-Te?
(...) Em verdade vos digo: sempre que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes". (Mt. 25, 35-40)


Encontrar oásis no deserto

Deus é a fonte de todo o amor:
“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não chegou a conhecer Deus, porque Deus é amor.” (1 Jo 4, 7-8)

"Porque Deus nos amou primeiro, podemos então amar gratuita e oblativamente, pois sempre estará disponível para nós a fonte divina jorrando incansavelmente o Seu infinito amor." (Bento XVI, Encíclica «Deus caritas est»)

Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, bebendo sempre desse amor infinito do Pai, colocando-o no nosso coração e transportando-o para a nossa vida, a fim de crescermos no amor a Deus e no amor uns aos outros.

sexta-feira, março 12, 2010

Perdoa, Senhor, os Nossos Pecados

Quaresma - Tempo de Renascer - mais um dia de Caminhada - 24.º

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio



Escutar e meditar a Palavra

"Há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento."
(Lc. 15, 7)
"Não são os que têm saúde que necessitam de médico mas sim os doentes; Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento."
(Lc. 5, 31-32)


Procurar-se na solidão

Onde me incluo? sou um(a) pecador(a) que se arrepende, ou um justo que não necessita de arrependimento?
Não sabemos nós que até "o justo peca sete vezes ao dia" (Prov. 24, 16), ou seja, muitas vezes?


É tempo de procura de água

Assiste-se, nos nossos dias, a uma grande perda de consciência e do sentido do pecado.
Depois, a dificuldade e o orgulho em reconhecer e confessar as próprias fraquezas diante de outra pessoa leva ao afastamento da reconciliação com Deus e com os irmãos, a uma certa "alergia" a pedir desculpa, a pedir, sobretudo, perdão. Vive-se uma crise de frequência dos Sacramentos, neste caso o da Penitência (ou Reconciliação, ou Confissão).
Mas bem sabemos que quem não admite estar doente não procura curar-se.
No entanto, o pecado é um mal que enferma cada um de nós como parte de um povo de pecadores que, em Igreja, somos chamados por Deus à penitência e à conversão.

O pecado é tudo o que constitui uma ruptura da amizade, da fidelidade, do compromisso e dos laços que nos unem a Deus e aos irmãos, e a sua raiz é, directa ou indirectamente, o egoísmo.
É preciso que nos reconheçamos pecadores, pois esse é o primeiro passo para acolher a graça do perdão.

Encontrar oásis no deserto

O perdão consiste em Deus entrar em contacto com o homem pecador para restabelecer a união vital com ele. Supõe, portanto, que também o homem corresponda de modo pessoal a esta atitude divina. Diante deste Senhor que quer dar o Seu perdão, a condição do homem para o receber é a contrição e a humildade interior.

O Sacramento da Penitência é o sinal eficaz da graça do perdão reconciliador, que Jesus faz chegar ao coração de cada um de nós que se reconhece pecador, ao deixar aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (João 20, 23)

O Sacramento da Penitência não deve ser entendido como "um vazadouro de pecados nem lavar de roupa suja"*, mas fonte de conversão, de cura e de vida nova, pois na sua centralidade não está o pecado, mas sim a Misericórdia de Deus que "não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva..." (Ez 18, 23)

Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, aceitando que somos pecadores penitentes a percorrer o caminho da conversão.

*(in: O Perdão e a Misericórdia, "A Alegria de Crer", SNEC)

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