sexta-feira, março 08, 2019

Palavras em tempo de pedras


"Quando as pedras frias
caem brancas e torcidas
sobre as palavras imperiais,
mordendo-lhes as raízes
como se fossem o contrário do que são,
fecham-nos a alma e ficamos sem saber
se as asas se quebram ou
se ficamos de pé à espera das próximas pedras."
(José Maria Brito Sj https://www.facebook.com/zemariasj


A natureza humana é tal que os pensamentos lutam para serem expressos em palavras faladas, e palavras faladas procuram se realizar através de acções – muitas vezes por caminhos tortuosos, que a pessoa que originalmente pronunciou as palavras não desejava nem previa.


Pedras? Não guardo nenhuma. Os castelos ganham imensa humidade.



quinta-feira, dezembro 27, 2018

O Amor, esse bicho papão


«O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.»

  (João Cabral de Melo Neto (09.01.1920 / 09.10.1999), Os Três Mal-Amados, falas da personagem Joaquim)


  A minha leitura:
 O texto é formado por imagens poéticas que revelam um apego aos seus bens – materiais, certezas, memórias, preocupações... –, que passou a desapego a partir do momento em que o amor entrou em cena; aí deixou de haver apego a tudo isso para só o amor fazer sentido. O amor vem perturbar toda a vida de quem ama.

 O amor comeu tudo aquilo a que eu chamava meu. Porque isso não era amor, mas egoísmo. Quem ama deixa de chamar seu ao que é seu, para dividir com os outros. Só assim se ama, deixando que o amor tome o que é meu para repartir com os demais. Só assim o amor se multiplica, se soma, se dá e se tem.  

  Se amo deixo de ser eu para ser tu, para ser nós.
 Se amo, aquilo que para mim é um bem fica para segundo plano, já não me apego a isso; mas também as minhas dores ficam suavizadas porque não ponho aí o meu foco, e, porventura, porque também recebo amor. O meu foco, ou objecto do meu amor, deixa de ser eu próprio para ser o outro a quem me dedico.

Já entre as primeiras comunidades cristãs ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. Havia "um só coração e uma só alma” (Act 4, 32). Era o Amor que reinava, que os unia, de modo que não havia necessitados entre eles, porque tudo o que tinham o punham em comum.

Parece tão simples!
Então porque há tanto desamor no mundo?
E porque há tanta gente que não ama... e gente que não (se) deixa amar?


[A todos desejo um Bom Ano de 2019, sobretudo repleto do "bichinho" do Amor! 
 Pois onde rói o "bichinho" do amor na vida entra calor. 
 E, acredito, muito de bom virá por acréscimo. ]


sábado, agosto 25, 2018

Livre-se dos lixos!

A Lei do Camião do Lixo: Uma história para reflectir.

«Certo dia apanhei um táxi para o aeroporto.
Seguíamos na faixa correcta, quando, de repente, um carro preto saiu do estacionamento e se mandou à estrada na nossa frente.
O taxista travou bruscamente, deslizou e escapou de bater no outro carro. Foi por um triz!
E o motorista do outro carro ainda sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente.
Mas o taxista apenas sorriu e acenou-lhe, fazendo um sinal positivo. E fê-lo de maneira bastante amigável.

Indignado perguntei-lhe: 'Porque é que fez isso? Aquele sujeito quase nos batia e, por pouco, nos mandava para o hospital!'
Então o motorista do táxi ensinou-me aquilo que eu agora chamo "A Lei do Camião do Lixo."
Explicou-me que muitas pessoas são como camiões do lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e desilusões. À medida que as suas pilhas de lixo crescem, elas precisam dum lugar para descarregar, e, às vezes, descarregam sobre nós.

Nunca leve isso a peito. Não é o seu problema! É o dele!
Simplesmente sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e siga em frente. Não fique com o lixo dessas pessoas, nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.
Fique tranquilo... respire fundo e deixe a “pessoa do lixo” passar.

O princípio que se retira disto é que, "pessoas felizes não deixam os camiões do lixo estragarem o seu dia."

A vida é muito curta, não transporte lixo consigo! Limpe os maus sentimentos, os aborrecimentos do trabalho, as picuinhices pessoais, os ódios e as frustrações.

Ame todas as pessoas, tratando-as bem: as que o(a) tratam bem e as que não o fazem.»

(Desconheço o autor)

Acho que esta história faz cada vez mais sentido no nosso pequeno mundo à nossa volta e no mundo global que nos entra janelas adentro. Mundos pejados de intolerâncias e de desamor, que nos vão corrompendo sem darmos conta -- a história refere ainda que "a vida é dez por cento daquilo que fazemos dela, e noventa por cento da maneira como a recebemos!"
Não nos deixemos, pois, conspurcar pela porcaria que os "camiões do lixo" ousam descarregar para cima de nós. Desviemo-nos das investidas, vistamos "roupagens" que não absorvam esses lixos, tomemos "banho" regularmente.

segunda-feira, junho 25, 2018

O Blogger sempre a surpreender-nos

Eis que, da noite para o dia, deixas de receber as notificações dos comentários do blogue comodamente no email como habitualmente.

Pensas que algo se passará com as tuas definições e vais procurar... 
O email está lá marcado. Então, pensas que deve ter que ver com as novas políticas de privacidade e tentas adaptar-te à situação.

Mas como nada nunca mais foi como antes, isso começa a chatear-te: qualquer dia acabo por deixar mesmo este mundo virtual, qual jardim abandonado a criar ervas daninhas!...

Contudo não te conformas. Apesar de nem sempre passeares pelos jardins que plantaste com carinho, gostas de passar por lá e vê-los, ao menos, um pouco cuidados,  regados, adubados.

Voltas às definições e salta-te à vista uma coisa nova: 
"O endereço de email introduzido neste campo será convidado por email, e terá 14 dias para aceitar o convite para poder receber notificações."
Alto aí!, vamos experimentar isto: retiras o email que lá tinhas colado anteriormente, deixas vazio e guardas as definições. De seguida, escreves novamente o email e voltas a guardar.
E vês que parece ter funcionado quando recebes uma notificação no email: "Foi convidado a receber notificações por email em xx.xxxx@gmail.com quando for necessário moderar novos comentários no blogue XXXXXX.
Clique no link Subscrever abaixo para aceitar este convite. Se não pretender receber estas notificações por email, pode ignorar esta mensagem ou clicar no link Recusar abaixo.
Se pretender deixar de receber notificações por email relativas à moderação de comentários deste blogue, pode clicar no link de exclusão aqui ou em qualquer um dos emails de notificação.
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Agora resta receber comentários para ver se funciona ou não.

Fica a dica para quem estiver interessado.



(Clicar nas imagens para ver em ponto maior)


segunda-feira, maio 21, 2018

Eu sinto que vem do Céu um sopro leve



Eu sinto que vem do Céu um sopro leve
Um vento quente que nos aquece,
Um sopro vivo que vem de Deus
Um vento que acalma o ser e envolve a alma
Do mesmo modo que o mar se acalma
Logo que as ondas se vão deitar

Eu sinto que vem do Céu um amor imenso
Que se entrega em nuvens de incenso
Um amor suave que vem de Deus
Um Amor que nos transforma e alumia
Tal como a noite dá vez ao dia
Quando as estrelas se vão deitar

Eu sinto que vem do Céu uma Paz serena
E que em minha alma se faz terrena
E traz aos Homens o Dom de Deus
O Dom da Paz que vemos numa criança
Entregue ao sono quando descansa
Enquanto sonha com o acordar

Eu sinto descer do Céu toda a Esperança
Que me consome na confiança
De contemplar o Senhor Meu Deus
A Fé que sinto viva em cada dia,
Enche o meu canto desta Alegria,
Vibra nas notas do meu cantar

Um Sopro Leve 
Autor da Música: Schoenstatt; 
Autor da Letra: Gonçalo Saraiva, CVX; 
Colaboração de: David Silva (pauta).

quinta-feira, dezembro 28, 2017

*A Vaca, o Burro e Nós

A manjedoura faz-nos pensar nos animais que encontram nela o seu alimento.

“O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Isaías 1,3) (...)  uma profecia que apontava para o novo povo de Deus, a Igreja composta tanto por judeus como por gentios.

Diante de Deus todos os homens, Judeus e Gentios, eram como a vaca e o burro, sem razão nem conhecimento. Mas a criança no presépio abriu-lhes os olhos e agora reconhecem a voz do seu Mestre, a voz do seu Senhor.

(...) uma questão de lógica uma vez que os dois animais eram considerados símbolos proféticos para o mistério da Igreja – o nosso próprio mistério, uma vez que não passamos de vacas e burros diante do Deus Eterno, vacas e burros cujos olhos se abrem na noite de Natal, para que possam reconhecer o seu Senhor no presépio. 
(...)
Quem são a vaca e o burro hoje, e quem são “o meu povo” que não compreende? Como podemos reconhecer a vaca e o burro? Como podemos reconhecer “o meu povo”? E porque é que o irracional reconhece, enquanto a razão é cega? 

Aquele que não o reconheceu foi Herodes, que nem compreendeu aquilo que lhe disseram sobre a criança: em vez disso o seu desejo de poder e a paranoia que o acompanhava cegaram-no ainda mais (Mt. 2,3). Aqueles que não o reconheceram eram “toda Jerusalém com ele” (ibid). Aqueles que não o reconheceram eram as pessoas “ricamente vestidas” – aquelas com posição social elevada (11,8). Aqueles que não o reconheceram eram os mestres do conhecimento que eram especialistas na Bíblia, os especialistas na interpretação bíblica que, admita-se, conheciam as passagens correctas nas escrituras, mas mesmo assim não compreendiam nada (Mt. 2,6). 

Mas aqueles que o reconheceram foram “a vaca e o burro” (...): os pastores, os magos, Maria e José. (...) Aqueles de condição social elevada não estão no estábulo onde descansa o menino Jesus, mas é aí que vivem a vaca e o burro.

E nós? Estamos longe do estábulo porque as nossas roupas são demasiado ricas e somos demasiado inteligentes? Envolvemo-nos de tal forma na exegese sofisticada das Escrituras, nas demonstrações da inautenticidade ou da verdade histórica de passagens individuais, que nos tornamos cegos ao menino em si e não entendemos nada dele? 
(...)
As caras da vaca e do burro olham para nós com uma interrogação: O meu povo não compreende, mas tu discernes a voz do teu Senhor?» 


 *Do artigo traduzido por Filipe d'Avillez 
em Actualidade Religiosa, A Vaca, o Burro e Nós,
 Do Excerto do livro “A Bênção do Natal”, de Joseph Ratzinger
Publicado pela primeira vez na segunda-feira, 25 de Dezembro de 2017 
em The Catholic Thing, The Ox, the Ass, and Us.


terça-feira, dezembro 19, 2017

Faça-se um Natal mais quentinho



Feliz e Santo Natal para todos, cheio das bênçãos da Sagrada Família – Jesus, Maria e José.

segunda-feira, julho 31, 2017

Quem tem ouvidos, oiça!


«“Explica-nos a parábola do joio no campo”. Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Demónio. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça”.» (Mt. 13, 36-43) 

Mas convém ter presente que não há o mal quimicamente puro de um lado e o bem quimicamente puro do outro… Mal e bem misturam-se no mundo, na vida e no coração de cada um de nós.


«É maravilhoso o perfume das flores,
mas também as ervas daninhas têm a sua fragância.
Cada um tem o seu lugar para crescer e desabrochar.»
(Um rato fala com Deus - Angela Toigo)


sábado, abril 08, 2017

A vida em Tuas mãos




"Graças Pai, minha vida é a tua
Tuas mãos amassam meu barro,
Minha alma é teu sopro divino,
Teu sorriso em meus olhos está."

(Desconheço o autor do cântico)


segunda-feira, março 27, 2017

Toma-me de entre a minha dispersão


Manifesta a tua santidade em mim
Toma-me de entre a minha dispersão,
Recolhe-me de onde me perdi
Enche-me de novo o coração.

Tu és a água viva,
Tu és a água pura,
Inunda-me, inunda-me
E tudo se transformará em mim.

(Ir. Glenda Hernandéz, Tu És a Água Viva)





segunda-feira, março 06, 2017

As tentações a que Jesus não fugiu, mas enfrentou


O Evangelho de Mateus 4,1-11 faz-nos reflectir nas tentações de Jesus, que são também as nossas:

⇒ tentação de Ter:
«Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães»
(a tentação de ser Messias através das riquezas e da posse;

⇒ de (A)parecer (das nas vistas):
«Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’»
(a tentação de ser Messias através do sucesso e da imagem);

⇒ e de Poder:
«Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares»
(a tentação de ser Messias através da subjugação do outro e do domínio).


 Às quais somos desafiados a contrapor as atitudes fundamentais de
 ➸ Desprendimento:
«Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’»;

 Autenticidade:
«Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’»;

➸ e Serviço:
«Vai te, Satanás, porque esta escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’».


terça-feira, dezembro 20, 2016

Construí um Presépio



Pedras no caminho? Vou-as juntando; hoje construí um Presépio...


Sejamos sempre pedras vivas nas nossas construções diárias.



domingo, setembro 25, 2016

Para Lili


(Cantado pela P. com a música de "Anda comigo ver os aviões";
para Lili, depois da celebração do seu matrimónio, à saída dos noivos.)


– Anda comigo ver o sol pintar a madrugada
Acender estrelas
na noite escura

Anda daí descobrir canções, fazer poemas
Pelo céu, sem asas,
Poder planar

Os dois lado a lado procurar
Descobrir o dia
Como eu sempre quis
Pois Deus bem sabe o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
Ter-te ao pé de mim
Ir de mãos dadas pelo mundo
Para juntos estar no mundo aqui

– Eu vou contigo dar as mãos ao mundo e ao Senhor
Que é minha Estrela
No oriente

Vamos os dois ver a Luz do Céu todos os dias
Semear o amor
Pela vida afora

Os dois unidos semear
Construir o dia
Cristo mora aqui
Senhor Tu sabes como eu Te amo
Como eu gosto de Ti
Vamos para Ti
De pés na terra edificar
A casa sobre a rocha
E o sol sorri

De hoje em diante anunciar-Te
Juntos ser Igreja
Cristo mora em nós
Senhor, tu sabes, de Ti dependemos
Que sem Ti nada podemos
Fica junto a nós
Precisamos da Tua ajuda
Pois só conTigo é que venceremos

(RAMOS, Fatinha de Oliveira – Aka Fá menor)

segunda-feira, julho 11, 2016

Resiliência


«Um dia o Senhor de todas aquelas terras foi ter com um homem da sua confiança e disse-lhe: "Peço-te que empurres esta pedra naquela direcção." Era um imponente pedregulho, mas em virtude da sua lealdade, obediência, amizade, o homem pôs-se a empurrar. O imponente pedregulho, fazendo jus à sua imponência, não se mexia, mas o servo fiel durante meses a empurrou com todas as suas forças. Passado tempo, voltou o Senhor e foi ter com ele. Envergonhado, estafado, suado, o servo confessa que apesar de todos os seus esforços não conseguiu mover a pedra nem um centímetro. Responde o Senhor: "Não te pedi que a movesses, só te pedi que a empurrasses, e vejo que o fizeste muito bem. Olha agora para os teus braços e pernas, para a musculatura que desenvolveste, e não dês o tempo por perdido".» [autor desconhecido] 

"O que não nos mata, torna-nos mais fortes." [Nietzsche]


terça-feira, março 08, 2016

Todos os dias



Mulher, torna-te naquilo que és: Mulher. Com toda a tua essência, carisma, fragilidade, poder. 

Não precisas nem queiras ser super-homem – que não és: nem super, nem homem – apenas mulher, com todas as tuas especificidades: valoriza-as, sem entrares em competição com homem nenhum pelo que em ti é dom, encanto, genuíno. Mas tão-pouco deixes que te queiram escurecer o que de ti resplende. 

Afirma-te naquilo em que és igual e marca a tua diferença naquilo em que és diferente. 

Porque todos os dias são dias das mulheres… e também dos homens – criaturas de Deus: criados à Sua imagem e semelhança.


quinta-feira, dezembro 17, 2015

As Antífonas do Ó


A Liturgia das Horas do dia 17 ao dia 23 de Dezembro expressa de forma poética a chegada do Senhor, nas antífonas das Vésperas, chamadas "Antífonas do Ó”.

São sete estas antífonas que nos lembram a plenitude de Deus que é “tudo em todos”.

Além disso, somam as letras que constituem o acróstico invertido: “ERO CRAS”, isto é, Estarei (aí) amanhã!

17  S apientia 
18  A donai 
19  R adix Jesse 
20 C lavis David 
21  O riens 
22  R ex Gentium 
23  E mmanuel
(1 Apud. Ryan, 1992, p. 43.)

17 de Dezembro:
Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo (Eclo 24,3), Vós estendeis-vos até aos confins de todo o universo, e com fortaleza e benignidade governais o mundo inteiro (Sb 8,1): Ó, vinde ensinar-nos o caminho da prudência! (Is 40,14);

18 de Dezembro:
Ó Senhor, guia da casa de Israel (Mt 2,6), que aparecestes a Moisés no fogo da sarça ardente e que no Sinai lhe destes a vossa lei: Vinde resgatar-nos com o vosso braço poderoso! (Jr 32,21);

19 de Dezembro:
Ó Raiz de Jessé, ó estandarte levantado em sinal para as nações! (Is 11,10); ante vós se calarão os reis da terra e as nações implorarão misericórdia (Is 52,15): Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora! (Hab 2,3);

20 de Dezembro: 
Ó Chave de David, e Ceptro da casa de Israel, que abris e ninguém pode fechar, fechais e ninguém pode abrir (Is 22,22): Vinde logo e libertai das prisões os cativos que vivem nas trevas e na sombra da morte. (Sl 106,10); 

21 de Dezembro:
Ó Sol nascente, justiceiro, resplendor da Luz eterna (Hab 3,4): Ó vinde e iluminai os que jazem nas trevas e, na sombra do pecado e da morte, estão sentados! (Lc 1,78); 

22 de Dezembro:
Ó Rei das nações, desejado dos povos (Ag 2,8): Ó Pedra angular, que os opostos unis (Ef 2,20): Ó vinde e salvai este homem tão frágil, que um dia criastes do barro da terra! (Gn 2,7);

23 de Dezembro:
Ó Emmanuel: Deus-connosco, nosso Rei Legislador (Is 32,22), Esperança das nações e dos povos Salvador (Gn 49,10): Vinde, enfim, salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus!


sábado, dezembro 05, 2015

Tua voz que clama no silêncio


"O som do mar e as estrelas 
Falam tanto de Ti 
Tua voz que 
Clama no silêncio 
Que me queres aqui 
Perto de Ti"


segunda-feira, setembro 14, 2015

15 de Setembro, dia de Nossa Senhora das Dores


(também chamada Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da Soledade, Nossa Senhora das Angústias, Nossa Senhora das Lágrimas, Nossa Senhora das Sete Dores, Nossa Senhora do Calvário ou ainda Nossa Senhora do Pranto, e invocada em latim como 'Beata Maria Virgo Perdolens', ou 'Mater Dolorosa')

Nossa Senhora das Dores surge representada sendo ferida por sete espadas no seu coração imaculado (algumas vezes uma só espada), dado ter sido trespassada por uma espada de dor, aquando da Paixão e Morte do seu Filho, unindo-se ao seu sacrifício enquanto redentor. 

O culto à Mater Dolorosa iniciou-se em 1221, no Mosteiro de Schönau, na Germânia. Em 1239, a sua veneração no dia 15 de Setembro teve início em Florença, na Itália, pela Ordem dos Servos de Maria (Ordem Servita).

Em revelações a Santa Brígida (aprovadas pela Igreja Católica), Nossa Senhora prometeu conceder Sete Graças a quem rezar, todos os dias, sete Ave-marias em honra das suas Dores e Lágrimas, 
meditando sobre as mesmas.

E também para fazer companhia à nossa querida Mãe é tradição rezar o Terço das Sete Dores da Virgem Maria: um Pai-nosso e sete Ave-marias por cada uma das 'dores' de Maria

1ª. - As profecias de Simeão na apresentação de Jesus no templo
         (Lc 2,34-35);
2ª. - A fuga da Sagrada Família para o Egipto
         (Mt 2,13);
3ª. - O Menino Jesus perdido e encontrado no Templo
         (Lc 2,43-45);
4ª. - O Doloroso encontro de Maria com Jesus no caminho do Calvário
         (Lc 23,26);
5ª. - Maria observando o sofrimento e morte de Jesus na Cruz
         (Jo 19,25);
6ª. - Maria recebe o corpo de Jesus nos braços aos pés da Cruz
         (Mt 27,57-59);
7ª. - Maria observa o corpo do filho a ser depositado no Santo Sepulcro
         (Jo 19,40-42).


A Santíssima Virgem é ainda honrada em Setembro nas seguintes festas:

Natividade de Nossa Senhora - a 8 de Setembro;

Santíssimo Nome de Maria - a 12 de Setembro.

segunda-feira, julho 27, 2015

Tradições – das orações e expressões orais II

Na senda de recolhas de Orações Tradicionais da Religiosidade Popular
-  Oração ao Justo Juiz Divinal (para proteger nas viagens) 

"Justo Juiz Divinal, filho da Virgem Maria,
Em Belém fostes nascido,
em Nazaré fostes criado.
Crucificado entre toda a judiaria.
Peço-vos, meu Deus e Senhor,
pelo Vosso santo dia,
Que me guardeis de noite e de dia;
Que o meu corpo não seja preso,
ferido, nem morto,
Nem na justiça envolto.

Pax tecum, pax tecum,
Disse Jesus aos seus Discípulos.

Se vierem para me ofender
Tendo olhos, não me vejam,
Tendo boca, não me falem,
Tendo mãos e não me peguem;
Tendo braços, não me prendam,
Tendo pernas, não me alcancem.
Com as chaves de São Pedro serei fechado,
Para que os meus inimigos não me possam ver,
Nem ferir, nem matar,
Nem sangue do meu corpo tirar,
E nem em pensamento me possam fazer mal.

Por aqueles três sacerdotes revestidos ao altar,
Por aqueles três Cálices Benzidos,
por aquelas três hóstias consagradas,
que consagrastes ao terceiro dia,
Peço-vos meu Deus e Senhor
Que me dês aquela doce companhia,
A que deste sempre à Virgem Maria,
quando veio desde Belém até Jerusalém.
Que eu vá e venha na mesma alegria.

Em louvor de Nosso Senhor
e da Virgem Maria,
Um Pai-Nosso e uma Ave-Maria..."

quinta-feira, maio 28, 2015

Tradições – das orações e expressões orais I


Aproveitando as reuniões diárias, para as rezas do terço do rosário neste mês de Maio, na capelita da aldeia, procurei recuperar, junto das participantes, algumas orações antigas tradicionais transmitidas oralmente de uma geração para outra.

A que se segue foi-me ensinada, em criança, pela minha avó paterna, que me a fazia recitar ao pôr-do-sol. Com o passar dos anos acabei por me esquecer de algumas partes e do seu encadeamento. 
Ei-la agora recuperada:

"Já o sol se vai escondendo, lá por detrás daquela serra;
Com uma capelinha vermelha que lhe deu a Madalena.
Madalena escreveu uma carta a Jesus Cristo;
O portador que a levava era o padre São Francisco.
O padre São Francisco, vestidinho de burel,
Vai beijar as cinco chagas ao divino Emmanuel:
O divino Emmanuel cheio de chagas e feridas.
Vai-se lavar, o divino Emmanuel, nos braços de Margarida.
Margarida não está lá, está para a Senhora da Luz;
Estão os Anjos cantando na capela de Jesus:
Na capela de Jesus, filho da Virgem Maria.
Rezemos um Pai-Nosso e uma Ave-Maria..."


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