terça-feira

Na margem


(Pintura de Karl Albert Buehr)

Sento-me na margem
E ouço os ruídos do mar
É fria a aragem!
Encolho-me
Prefiro recolher-me
À minha insignificância
E nem sequer ousar
Desvendar
Os segredos das ondas
Sou ave pequenina
Perante uma vastidão
De desconhecido
Gosto de me saber humilde
Com a certeza de que a humildade
Nunca fez mal a ninguém!
E o mar
Torna-se revolto
Agita-se
Arroga-se um deus
Deixá-lo!...
Bem pode crescer
Depois recuar
Não vou na onda
Nunca aprendi a surfar
E sei bem que é a lua
Que influencia as marés
Por isso fico na margem
Com o sol a doirar nos pés!

segunda-feira

Aprendendo a nadar

Hoje mergulhei
No mar das minhas lágrimas.
Quase me afoguei!

Debati-me
E emergi.
Foi então que percebi
Que urge ser forte,
Aprender a viver sem ti.

Oh!
Mas como estás longe!
Um oceano te separa de mim.
E como dói a saudade!

Estás no meu coração,
No meu pensamento
Sempre!

Apenas quero a tua felicidade.
E sabes bem
Que se fores feliz,
Eu também.

Por isso
Não me posso afundar.
Tenho de ir aprendendo
A nadar!

(Para J.P.)

domingo

História de uma saudade

















Recordo com nostalgia as viagens com a família quando as crianças eram pequenas.
Ainda retenho na lembrança as belíssimas paisagens que pude observar. Os acampamentos - bons tempos - as crianças brincavam na praia… desfrutávamos do contacto agradável da Natureza.

Certa vez, numa dessas viagens, acampámos na Serra de Sintra. Como nos deliciámos ao ouvir, à noite e à luz de velas, canções lindas ao som de violas, cantadas por um grupo de jovens acampado ao nosso lado! Pela noite dentro, uma sensação agradável ao ouvir os mochos e as corujas. Maravilhoso mesmo foi o despertar ao som do chilrear da passarada!

São muitos os episódios interessantes que gosto de lembrar, por ocasião destas viagens, durante a infância dos meus meninos, quando eles gostavam de andar connosco!

Foram anos inesquecíveis, impossíveis de repetir e que se eu pudesse teria parado no tempo!

quinta-feira

ANTROPOLOGIA(...)

Ciência que se dedica ao estudo comparativo do ser humano e da humanidade de uma forma totalizante, isto é, que tem em conta as suas múltiplas dimensões biológicas, culturais e sociais.

Permite-nos compreender de modo crítico as culturas e os complexos processos sociais do mundo contemporâneo.


SOCOOORRO!!!

quarta-feira

Os Barretes Novos

Costumava ouvir do meu pai muitas histórias. Hoje lembrei-me desta:

Há muitos anos havia um homem que tinha um filho que, quando lá se lembrava, pedia ao pai que lhe comprasse um barrete novo. Porque aquele que tinha, ou era já do ano passado, ou já estava fora de moda, ou que vinham aí as festas do S. João, ou porque algum amigo também tinha estreado um novo, ou…
E o pai, ainda que lhe fosse dizendo que ele não tinha ainda necessidade de outro, que ainda havia pouco tempo que lhe tinha comprado aquele, perante a insistência do filho e porque não o queria ver desgostoso lá lhe comprava outro barrete. E os outros, que ainda estavam em bom estado, ia-os guardando a todos dentro duma arca.
Isto foi acontecendo ao longo da juventude do filho, enquanto este ainda era solteiro, de modo que os barretes se iam acumulando na arca.
Quando o filho se casou e começou a governar a sua própria casa, nunca mais o pai lhe viu estrear um barrete novo.
A dada altura, quando lhe viu na cabeça aquele mesmo barrete, todo gasto e puído, o último que lhe comprara em solteiro, já havia uns três ou quatro anos, o pai interpelou-o sobre isso, “É que eu preciso de remir uma casa de família, e o que vou granjeando não dá para tudo..., se o pai ainda por lá tivesse algum que me desse…”, e o pai foi à arca e deu-lhe um dos barretes que já fora dele. Passado mais uns tempos: “Se o pai tivesse outro barrete que me desse, que este já nem parece barrete…”, e o pai lá tirava outro da arca e lho dava. E assim o filho foi gastando, um a um, os barretes que noutros tempos já não quisera.

E vá-se lá saber por que me lembrei disto hoje…

Quando a canga pesa, a vida dói. 

terça-feira

Paradoxos

A Ailime mostrou-me um toque do Divino:

“Para chegares a saborear tudo,
Não queiras ter gosto em coisa alguma.
Para chegares a possuir tudo,
Não queiras possuir coisa alguma.
Para chegares a ser tudo,
Não queiras ser coisa alguma.
Para chegares a saber tudo,
Não queiras saber coisa alguma.”


Um paradoxo de "nada saber para perceber tudo" de S. João da Cruz.

E eu fiquei com sede e fui procurar mais:

“Entrei onde não sabia,
e fiquei sem saber,
toda a ciência transcendendo.

Eu não sabia onde entrava,
porém, quando lá me vi,
sem saber onde estava,
grandes coisas entendi.
Não direi o que senti
pois fiquei sem saber,
toda a ciência transcendendo.

De paz e de piedade
era a ciência perfeita,
em profunda solidão,
diretamente entendida;
era coisa tão secreta,
que fiquei balbuciando,
toda a ciência transcendendo.

Estava tão enlevado,
tão absorto e desatento,
que meu sentido ficou
de todo sentir privado;
e o espírito dotado
de um entendimento sem entender
toda ciência transcendendo.” (Poema 2 - S. João da Cruz)


Descobri sabedoria muito bela nestes escritos de um Santo-poeta, que nos deve levar à reflexão - S. João da Cruz.

"Para chegar a saborear tudo,
Não queiras ter gosto por nada. 
 (...)
Para chegar a não ter gosto, 
Deves ir por onde não gostes.
(...)
Para chegar inteiramente a tudo,
Em tudo deves te abandonar.
E quando chegares a ter tudo,
Deves tê-lo sem nada querer." (Poema 1 - S. João da Cruz)
.

sábado

Unidos pelo mesmo Sol

Ao passar a vida, eu sei,
Que nem tudo vai ser como sonhei
Ter caminho p’ra fazer
E um Plano, sem saber ser “Mais alguém”.

E vais ver, vais sentir, não precisas desistir
Quando a Vida te pára e diz “Não!”
Pois Eu estou junto a ti, dou-te a Força que há em Mim
Tu és mais do que “um só”: somos Um!

Somos Um, somos Um...
somos Um
(Eu e Tu)
Somos Um, somos Um...
somos Um
(Eu e Tu)

Posso ser igual a mim
Ou terei de desistir de ser assim?
Confiar no coração?
Ou no Plano que Deus tem para mim?

Mesmo os que aqui não estão, de ti esperam, com razão
Teu Rumo tu estás a traçar
Seres alguém, seres Feliz, porque “Alguém” assim o quis
Seres um “mais” para ti: somos Um!

Somos Um, somos Um...
somos Um
(Eu e Tu)
Somos Um, somos Um...
somos Um
(Eu e Tu)

Somos Um, Eu e Tu, como a Terra e o Céu
Unidos pelo mesmo Sol
E de ti vais colher o Orgulho de crescer...
E sorrires quando vires que somos...um!



Ou ouvir aqui e Download gratuito

quinta-feira

Pisei uma cobra

(reposição)

Já fez uns anos que pisei uma cobra. 

Não foi com a roda do carro como da outra vez e morreu: ttrrrr... parecia pisar correntes. 
Não, foi com o salto do sapato: aarrggh... 
Eu distraída e: “pisaste uma cobra”, saltei! E era: mal olhei e pareceu-me. E fugi. Transpirei. Arrepiei-me, levantaram-se-me os cabelos em pé como se tivesse levado um choque eléctrico. Ela atingira-me no calcanhar (pelo salto do sapato acima) que eu bem senti... aarrggh!
Parecia fina, pequena... e estava morta. Dizem-me que fui eu que a matei... mas eu não acredito: só me gozam: tal pai tal filha, gente sem coração, sem dó nem piedade! 
Imaginam algo mais horrível para quem tem fobia a cobras? 


Mas agora, visto a uns anos de distância, esbatem-se os porquês da importância que lhe dei, e lembro-me de pormenores que então não ditei. Era lusco-fusco e, por isso, não a vi; e ela já estava morta. Só a senti depois de a ter pisado. Ajuízo, agora, que não era mesmo nada grande... nem grande coisa. Pelo contrário, afigura-se-me pequenota e mirradota; no entanto, para mim, foi obra!: não deixava de ser uma cobra. E eu que não vi nada. Só sei porque me disseram: "pisaste uma cobra". E eu que corri esbaforida, arrepiada, sacudindo os pés na estrada... olhem só se a tivesse visto, e se ela estivesse viva! E se corresse atrás de mim! Qual não seria o meu fim? 

Bah, lembrei-me disto, sei lá, porque neste ano já lá vai o tempo delas e, felizmente, não vi nenhuma, só ouvi alguém falar, à boca pequena, que tinha avistado uma... Que pena! 
Aarrrrgggggh


quarta-feira

Só em Ti é que eu quero arriscar


"Se eu tivesse a coragem de sair daqui
De dizer aos outros, de falar de Ti
Se fizesse o que digo quando estou aqui
Veria em Cristo um amigo sempre ao pé de mim

Mas as cordas que me prendem à vida
Não são fáceis de rebentar

És Cristo vivo que estás em mim
Quando te sei aceitar
És minha razão de ser e de agir
Só em Ti é que eu quero arriscar
Só em Ti é que eu quero arriscar

E às vezes o vento fala-me de Ti
E do Teu sofrimento que passaste por mim
E eu sinto cá dentro que nasce a vontade
De tornar as palavras vida, realidade

Mas as pedras do caminho
Não são fáceis de ultrapassar

És Cristo vivo que estás em mim
Quando te sei aceitar
És minha razão de ser e de agir
Só em Ti é que eu quero arriscar
Só em Ti é que eu quero arriscar

Só em Ti é que eu quero arriscar
Só em Ti é que eu quero arriscar"

(trouxe do GJovens de Constantim - desconheço o autor)

adenda - foto da minha pasta de cânticos:


poderá também gostar de:

Partilhas maiores