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sábado

A Cabana do Zé do Sacho

O Zé do Sacho tem o sacho atrás da porta
Com que ele vai sachar a horta;
Tem toca e meia de pinho
Onde os morcegos fazem ninho;
Tem um altar curto e baixo,
Tem apenas um capacho
Por onde entra e sai o ar.
Meus senhores queiram notar
A cabana do Zé do Sacho!

O tio Zé contava-me assim pequeninas histórias, contos curtos em lengalengas que me deleitavam na infância e que eu mandava sempre repetir. Hoje recuperei este, cujas frases completas já me esqueciam, mas que a minha prima ainda se lembrava bem.

segunda-feira

Tradições – das orações e expressões orais II

Na senda de recolhas de Orações Tradicionais Antigas da Religiosidade Popular
-  Oração ao Justo Juiz Divinal 
(para proteger nas viagens e quando se sai de casa; contra o mal e contra as injustiças) 

"Justo Juiz Divinal, filho da Virgem Maria,
que em Belém fostes nascido,
em Nazaré fostes criado;
crucificado entre toda a judiaria.
Peço-vos, meu Deus e Senhor,
pelo Vosso Santo dia,
Que me guardeis de noite e de dia;
Que eu não seja preso,
nem ferido, nem morto,
Nem na injustiça envolto.

Pax tecum, pax tecum,
Disse Jesus aos seus Discípulos.

Se vierem para me ofender
Tendo olhos, não me vejam,
Tendo boca, não me falem,
Tendo mãos e não me peguem;
Tendo braços, não me prendam,
Tendo pernas, não me alcancem.

Com as armas de São Jorge serei armado,
Com a capa de Abraão serei coberto,
Com o leite da Virgem Maria serei borrifado,
Com o sangue do Senhor Jesus Cristo serei baptizado,
Na arca de Noé serei arrecadado,
Com as chaves de São Pedro serei fechado,
Para que os meus inimigos não me possam ver,
Nem ferir, nem matar,
Nem sangue do meu corpo tirar,
E nem em pensamento me possam fazer mal.

Por aqueles três sacerdotes revestidos ao altar,
Por aqueles três Cálices Benzidos,
por aquelas três Hóstias Consagradas,
que consagrastes ao Terceiro dia,
Peço-vos meu Deus e Senhor
Que me dês aquela doce companhia,
A que deste sempre à Virgem Maria,
desde Belém até Jerusalém.
Que eu vá e volte na mesma alegria.
Que eu seja tão bem guardado tanto de noite como de dia,
Assim como andou Jesus Cristo no ventre da Virgem Maria.

Deus adiante, paz na guia!

Em louvor de Nosso Senhor
e da Virgem Maria,
Um Pai-Nosso e uma Ave-Maria..."

quinta-feira

Tradições – das orações e expressões orais I


Aproveitando as reuniões diárias da recitação do terço do rosário, na capelita da aldeia, procurei recuperar, junto das participantes, algumas orações antigas tradicionais transmitidas oralmente de uma geração para outra.

A oração/lenga-lenga que se segue foi-me ensinada, em criança, pela minha avó paterna, que me a fazia recitar ao pôr-do-sol. Com o passar dos anos acabei por me esquecer de algumas partes e do seu encadeamento. 
Ei-la agora recuperada:

"Já o sol se vai escondendo, por detrás daquela serra;
Com uma capelinha (ou capinha?) vermelha que lhe deu a Madalena.
Madalena escreveu uma carta a Jesus Cristo;
O portador que a levava era o padre São Francisco.
O padre São Francisco, vestidinho de burel,
Vai beijar as cinco chagas ao divino Emmanuel.
O divino Emmanuel, cheio de chagas e feridas,
Vai-se lavar - o divino Emmanuel - nos braços de Margarida.
Margarida não está lá, foi à Senhora da Luz;
Estão os Anjos cantando na capela de Jesus.
Na capela de Jesus, filho da Virgem Maria,
Rezemos um Pai-Nosso e uma Ave-Maria..."


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