quinta-feira, dezembro 17, 2020

Ero Cras


A partir do dia 17 de Dezembro, o Advento encaminha-nos rapidamente ao Natal.



Alegrem-se os Céus, exulte a terra: 
o Senhor visitará o seu povo.

«O ceptro não se afastará de Judá» (Gén. 49)

O Salmo Responsorial:

=Nos dias do Senhor 
nascerá a justiça e a paz para sempre.  

=Deus, concedei ao rei o poder de julgar 
=e a vossa justiça ao filho do rei. 
=Ele governará o vosso povo com justiça 
=e os vossos pobres com equidade. 

=Os montes trarão a paz ao povo 
=e as colinas a justiça. 
=Ele fará justiça aos humildes 
=e salvará os indigentes. 

=Florescerá a justiça nos seus dias 
=e uma grande paz até ao fim dos tempos. 
=Dominará de um ao outro mar, 
=do grande rio até aos confins da terra. 

=O seu nome será eternamente bendito 
=e durará tanto como a luz do sol; 
=nele serão abençoadas todas as nações, 
=todos os povos o hão-de bendizer.
Salmo 71 (72)


"Eis que vem o desejado de todos os povos 
e encherá de glória o templo do Senhor."
(Antífona da Comunhão cf. Ageu 2, 8)

Ó Sabedoria do Altíssimo, 
que tudo governais com firmeza e suavidade: 
vinde ensinar-nos o caminho da salvação.
(aclamação do Evangelho do dia 17)


17 de Dezembro - um dia bonito, do caminho da Luz que nos leva ao Presépio. 

[Também neste dia nasceu Jorge Mario Bergoglio (17-12-1936).
Salve Papa Francisco!  ]

_____________
*Ero Cras

terça-feira, dezembro 08, 2020

Um Ano dedicado a São José

“Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo”.  (Carta Apostólica ‘Patris Corde’, Papa Francisco)


O Papa convoca a um “Ano especial de São José
entre 8 de Dezembro de 2020 e 8 de Dezembro de 2021.

Esta iniciativa assinala o 150.º aniversário da declaração de São José como padroeiro da Igreja. 


“Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade”.    

“Todos os fiéis terão assim a oportunidade de se comprometer, com orações e boas obras, para obter, com a ajuda de São José, chefe da Família celestial de Nazaré, conforto e alívio das graves tribulações humanas e sociais que hoje dominam o mundo contemporâneo”, refere o Papa.

São José é o padroeiro da Igreja; da família; dos trabalhadores; das almas aflitas...

São-lhe celebradas duas festas: a 19 de Março – Esposo da Virgem Maria, Dia do Pai; e a 1 de Maio – São José Operário.

Temos agora oportunidade especial durante todo um ano.

Dirijamos-lhe as nossas orações.

«Glorioso Patriarca São José, cujo poder consegue tornar possíveis as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade. Tomai sob a vossa protecção as situações tão graves e difíceis que vos confio, para que obtenham uma solução feliz. Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em Vós. Que não se diga que eu vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Ámen» 
(oração rezada diariamente pelo Papa Francisco a São José, tirada dum livro francês de devoções, do século XIX, da Congregação das Religiosas de Jesus e Maria) 

Glorioso São José, castíssimo esposo da Virgem Maria, rogai por nós!



sábado, novembro 14, 2020

Dia Mundial dos Pobres

O Papa Francisco, por vontade explícita na Carta Apostólica Misericórdia et Misera (20 de Novembro de 2016), instituiu o XXXIII Domingo do Tempo Comum como Dia Mundial dos Pobres, pois, nas suas palavras, o encontro com os pobres que nos rodeiam "será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos".
O 4.º Dia Mundial dos Pobres -  15 de Novembro de 2020
Este ano vivido numa situação ainda mais difícil, com a pandemia.

«A esperança dos pobres jamais se frustrará» (Sal 9, 19)
3.º Dia Mundial dos Pobres - 17 de Novembro de 2019

«Este pobre clama e o Senhor o escuta» (Sal 34, 7)
 2.º Dia Mundial dos Pobres - 18 de Novembro de 2018

 
 1.º Dia Mundial dos Pobres - 19 de Novembro de 2017

Mensagens para o Dia Mundial dos Pobres, ler em:      https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/poveri.index.html

🔻

Fica sempre um pouco de perfume,
Nas mãos que oferecem rosas,
Nas mãos que sabem ser generosas. (Bis)

Dar o pouco que se tem
Ao que tem menos ainda,
Enriquece o doador,
Torna a alma ainda mais linda.

Dar um pouco de alegria,
Parece coisa tão singela,
Aos olhos de Deus, porém
É das graças a mais bela.
(Fica sempre um pouco de perfume, Irmã Judith Junqueira Vilella)  Acordes e ouvir
                                                                                  Pauta

quinta-feira, setembro 10, 2020

Tempo da Criação


Os cristãos são convidados a viver o Tempo da Criação, em que o tema sugerido para este ano é: “Jubileu pela Terra: Novos Ritmos, Nova Esperança”. 

Agradecer; reflectir, informar-se; agir; contemplar; rezar; e saborear:
7 verbos pela Terra, associados a cada dia, em ordem a «reconhecer estes dias para celebrar a riqueza de fé como uma expressão para proteger a nossa Casa Comum».


"Então Deus contemplou toda a sua criação, e viu que era tudo muito bom."  (Gn 1, 31a)


“Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear internamente as coisas.” (Sto Inácio) 


A proposta  Praticar a Esperança continua todos os dias até 4 de Outubro, na mesma sequência: agradecer; reflectir, informar-se; agir; contemplar; rezar; e saborear.

terça-feira, setembro 01, 2020

Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e Tempo da Criação

Tempo da Criação 2020

A 1 de Setembro, a Igreja Católica celebra o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído pelo papa Francisco em 2015, a que se segue o Tempo da Criação  um mês para sensibilizar para o cuidado do planeta  até 4 de Outubro, que é o dia da festa de São Francisco de Assis (que afirmou a bondade e a maravilha da Criação).

O "Dia de Oração pelo Cuidado da Criação «surge» como uma «oportunidade extraordinária»". Porque “extraordinários são os meses que temos vivido desde Março, marcados pela incerteza e pelo medo, às vezes pela angústia, pela aflição e pela dor de tantos”  Bispos portugueses lembram tempos de «incerteza», «medo», «dor» e «cuidado com os mais frágeis» na pandemia

“Devemos aproveitar este momento decisivo para acabar com actividades e objectivos supérfluos e destrutivos, e cultivar valores, vínculos e projectos criadores”  Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2020


«Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da Terra».
(cf. Sal 104/103, 30)

(...) 
 "Louvai e bendizei a meu Senhor, 
 e dai-lhe graças e servi-o com grande humildade." 
(S. Francisco de Assis, Cântico das Criaturas)

 


segunda-feira, julho 13, 2020

Não tenho culpa de ser um caso raro


(clicar em cima da letra para ler e ver os acordes - créditos Renata Cortez Sica )

terça-feira, julho 07, 2020

Sei-te de cor

Sei de cor
cada traço do teu rosto, do teu olhar
cada sombra da tua voz e cada silêncio,
cada gesto que tu faças,
meu amor sei-te de cor.

Sei cada capricho teu e o que não dizes
ou preferes calar, deixa-me adivinhar
não digas que o louco sou eu
se for tanto melhor
amor sei-te de cor.

Sei porque becos te escondes,
sei ao pormenor o teu melhor e o pior
sei de ti mais do que queria,
numa palavra diria
sei-te de cor.

Sei cada capricho teu e o que não dizes
ou preferes calar, deixa-me adivinhar
não digas que o louco sou eu
se for tanto melhor
amor sei-te de cor.

Sei de cor
cada traço do teu rosto, do teu olhar
cada sombra da tua voz e cada silêncio,
cada gesto que tu faças
meu amor sei-te de cor.

(Sei-te de Cor - Paulo Gonzo)


segunda-feira, julho 06, 2020

Livre-se dos lixos!

A Lei do Camião do Lixo: Uma história para reflectir.

«Certo dia apanhei um táxi para o aeroporto.
Seguíamos na faixa correcta, quando, de repente, um carro preto saiu do estacionamento e se mandou à estrada na nossa frente.
O taxista travou bruscamente, deslizou e escapou de bater no outro carro. Foi por um triz!
E o motorista do outro carro ainda sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente.
Mas o taxista apenas sorriu e acenou-lhe, fazendo um sinal positivo. E fê-lo de maneira bastante amigável.

Indignado perguntei-lhe: 'Porque é que fez isso? Aquele sujeito quase nos batia e, por pouco, nos mandava para o hospital!'
Então o motorista do táxi ensinou-me aquilo que eu agora chamo "A Lei do Camião do Lixo."
Explicou-me que muitas pessoas são como camiões do lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e desilusões. À medida que as suas pilhas de lixo crescem, elas precisam dum lugar para descarregar, e, às vezes, descarregam sobre nós.

Nunca leve isso a peito. Não é o seu problema! É o dele!
Simplesmente sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e siga em frente. Não fique com o lixo dessas pessoas, nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.
Fique tranquilo... respire fundo e deixe a “pessoa do lixo” passar.

O princípio que se retira disto é que, "pessoas felizes não deixam os camiões do lixo estragarem o seu dia."

A vida é muito curta, não transporte lixo consigo! Limpe os maus sentimentos, os aborrecimentos do trabalho, as picuinhices pessoais, os ódios e as frustrações.

Ame todas as pessoas, tratando-as bem: as que o(a) tratam bem e as que não o fazem.»

(Desconheço o autor)

Acho que esta história faz cada vez mais sentido no nosso pequeno mundo à nossa volta e no mundo global que nos entra janelas adentro. Mundos pejados de intolerâncias e de desamor, que nos vão corrompendo sem darmos conta -- a história refere ainda que "a vida é dez por cento daquilo que fazemos dela, e noventa por cento da maneira como a recebemos!"
Não nos deixemos, pois, conspurcar pela porcaria que os "camiões do lixo" ousam descarregar para cima de nós. Desviemo-nos das investidas, vistamos "roupagens" que não absorvam esses lixos, tomemos "banho" regularmente.

quarta-feira, julho 01, 2020

O preço e o valor; e o sítio certo

Um pai, em determinado dia, chamou o filho e disse-lhe:
- Filho, vou dar-te este relógio, que é muito especial para mim. É um relógio muito antigo do teu bisavô. Há mais de 100 anos que está na nossa família. Talvez seja a melhor herança que eu te possa deixar. Mas antes, quero que procures saber quanto vale. Vai ali ao café em frente e diz às pessoas que lá estiverem que queres vendê-lo, para ver quanto te dão por ele.

O filho lá foi. Quando voltou disse que, lá no café, o máximo que lhe ofereceram foi 10€, porque disseram que era velho. Então o pai disse:
- Agora vai ao relojoeiro e faz o mesmo.
O jovem assim fez e na relojoaria conseguiu uma oferta de 30€ pelo relógio. O pai disse:
- Então agora quero que vás ao museu, nas primeiras horas da manhã, e mostres lá o relógio.
Ele assim fez. Chegou lá ainda antes de o museu abrir. Quando abriu, entrou e procurou por quem dirigia o museu para oferecer o relógio.

Quando voltou disse ao pai:

- O dono do museu ficou com os olhos brilhantes diante do relógio e, irradiando alegria, disse que o relógio é uma peça rara. Existirão no mundo apenas 100 exemplares deste relógio. Disse que algo assim não tem preço... de tão raro que é. Aconselhou-me a não vender, pois eu tinha nas mãos uma verdadeira jóia. Mas, se por acaso, eu me quisesse desfazer do relógio, que o procurasse em primeiro lugar, pois ele pagaria 50.000€ por ele.

O pai então disse:
- Filho, a herança que tenho para te deixar não é o relógio nem os 50.000€ que ele pode valer. A herança que te vou deixar é esta lição: não fiques irritado por não te darem o valor que mereces. Ninguém te vai dar o valor certo enquanto estiveres no lugar errado.
Quem sabe o teu valor é quem te aprecia; nunca fiques num lugar onde não te valorizam, um lugar que não combina contigo. Não sejas a pérola dos porcos. Conhece o teu valor!
O relógio já é teu. Ele pode valer 50.000€... mas escolher os lugares e as pessoas que são tão valiosos como tu, ah, isso não tem preço; isso tem valor! Eu queria que aprendesses que o lugar certo conhecerá o teu valor da maneira certa.

(desconheço o autor)

quinta-feira, junho 25, 2020

História de uma saudade

















Recordo com nostalgia as viagens com a família quando as crianças eram pequenas.
Ainda retenho na lembrança as belíssimas paisagens que pude observar. Os acampamentos - bons tempos - as crianças brincavam na praia… desfrutávamos do contacto agradável da Natureza.

Certa vez, numa dessas viagens, acampámos na Serra de Sintra. Como nos deliciámos ao ouvir, à noite e à luz de velas, canções lindas ao som de violas, cantadas por um grupo de jovens acampado ao nosso lado! Pela noite dentro, uma sensação agradável ao ouvir os mochos e as corujas. Maravilhoso mesmo foi o despertar ao som do chilrear da passarada!

São muitos os episódios interessantes que gosto de lembrar, por ocasião destas viagens, durante a infância dos meus meninos, quando eles gostavam de andar connosco!

Foram anos inesquecíveis, impossíveis de repetir e que se eu pudesse teria parado no tempo!

(repescado)

terça-feira, junho 23, 2020

O essencial é invisível aos olhos

"- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa – disse a raposa.
- Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda…
- Ah! Então, desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar: - O que é que quer dizer “cativar”?
- Vê-se logo que não és de cá – disse a raposa. - De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens – disse o principezinho. - O que é que "cativar" quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar – disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não – disse o principezinho. Ando à procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Quer dizer estar ligado a alguém, “criar laços” com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber – disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor...tenho a impressão que estou ligado a ela...
- É bem possivel - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- Oh! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça...E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão...- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver ligada a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...cativa-me! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual, à quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém ligado a vocês e vocês não estão ligadas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sózinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a ela que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer."

(Antoine de Saint-Exupéry – O Principezinho)

sábado, junho 20, 2020

Atendei-me, Senhor

Pela vossa grande misericórdia, atendei-me, Senhor
Atendei-me, Senhor.

Sofri por Vós, Senhor, toda a afronta,
E a confusão cobriu o meu rosto.
Sou um estranho para os meus irmãos,
Um desconhecido para os filhos de minha mãe.
Devorou-me o zelo pela vossa casa,
Caíram sobre mim os insultos contra Vós.

Para Vós, Senhor, a minha oração,
Pelo vosso amor vinde em meu auxílio.
Ouvi-me, Senhor!
Pela Vossa bondade e Graça.
Pela Vossa imensa compaixão
Voltai-vos para mim.

Atendei, humildes, e alegrai-vos,
Buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.
O Senhor atende os pobres
e não despreza os que vivem sem liberdade.
Louvem-n’O a terra e os céus,
os mares e tudo o que neles se move.

SALMO 68
Salmo Responsorial do 12.º Domingo Comum ano A

Pela Vossa grande Misericórdia.mp3

Partitura da música, mas letra dos versículos diferente

Partitura com arranjos para viola


domingo, junho 07, 2020

Digno de Louvor e de Glória para sempre

Dan. 3
Bendito sois Senhor Deus de nossos pais
Bendito o vosso nome glorioso e santo
Digno do supremo louvor e exaltação eterna

Bendito sois no templo da Vossa Glória
Digno do supremo louvor e exaltação eterna

Bendito o Senhor que domina as profundidades
O Senhor que está sentado sobre os anjos
Digno do supremo louvor e exaltação eterna

Bendito o Senhor no trono do seu reino
Digno do supremo louvor e exaltação eterna

Bendito o Senhor no firmamento dos céus
Digno do supremo louvor e exaltação eterna

(Salmo Responsorial, SS. Trindade, ano A)

Em mp3

Outra versão:

sábado, junho 06, 2020

quarta-feira, junho 03, 2020

Philia – amor de amizade



“Ama e faz o que quiseres. A medida do amor é amar sem medida.” (Santo Agostinho)

Philia é o sentimento de amizade, simpatia e afeição por alguém.
É uma forma de amar.
É amor de ternura, alegre, expansivo.
É saber ouvir e aconselhar.
É também confiar.
É querer bem a alguém, em vez de o possuir.

Em Português só temos uma palavra para Amor, mas ele contempla três vertentes: o amor Philia - esse amor de amizade; o amor Eros, que é o amor erótico, apaixonado; e o amor Ágape - o amor de Deus, aquele que devemos nutrir pelo próximo, até por aqueles de quem não gostamos. A partir daí pode perceber-se melhor o amor.

Acho engraçada a expressão: “Amizade é o amor sem sexo”. (Onde é que eu já ouvi isto?)
Será que amizade poderá ser amor sem sexo?
Poderá haver amizade entre duas pessoas de sexo diferente?
Será que esta é sempre verdadeira amizade ou poderá evoluir para outros estádios?
Terá alguma componente de simpatia romântica?

Amizade será, também, o amor conjugal realizado?
Philia e Eros que terão em comum?

Penso que amizades grandes e incondicionais, às vezes podem confundir-se com outro tipo de amor. Se calhar conviria saber fazer a distinção, o que, se calhar, nem sempre será fácil.

O que é certo é que na amizade se correm riscos, se esta descambar para além do que na realidade é (amizade) ou, sobretudo, se não for recíproca.

Às vezes, aposta-se numa amizade e, mais tarde, surgem desilusões.
Afinal, na amizade nem sempre tudo corre bem. Porquê? O que faltará? Lealdade? Reciprocidade?

Para não nos magoarmos, convém que saibamos, também, fazer a distinção entre “amigos” e apenas “conhecidos”. Não podemos considerar verdadeiramente “amigos” todos aqueles com quem, de certo modo, nos relacionamos.

Nesses relacionamentos deverá entrar a outra dimensão do amor – o Ágape. Este está acima do Philia e do Eros e nunca nos magoará, uma vez que não exige reciprocidade.

E, tanto Philia como Eros tem de ter Ágape à mistura, quando não... falta-lhes a parte essencial para que sejam completos e verdadeiros.

sábado, maio 30, 2020

A Cabana do Zé do Sacho

O Zé do Sacho tem o sacho atrás da porta
Com que ele vai sachar a horta;
Tem toca e meia de pinho
Onde os morcegos fazem ninho;
Tem um altar curto e baixo,
Tem apenas um capacho
Por onde entra e sai o ar.
Meus senhores queiram notar
A cabana do Zé do Sacho!

O tio Zé contava-me assim pequeninas histórias, contos curtos em lengalengas que me deleitavam na infância e que eu mandava sempre repetir. Hoje recuperei este, cujas frases completas já me esqueciam, mas que a minha prima ainda se lembrava bem.

segunda-feira, março 30, 2020

O Senhor é meu Pastor nada me falta

O Senhor é meu Pastor
Nada me falta, nada me falta


Leva-me a descansar em verdes prados
Conduz-me às águas refrescantes.
Reconforta a minha alma
E conduz-me por Seus caminhos,
Por amor do Seu nome,
Por amor do Seu nome.

Ainda que eu passe por vales tenebrosos,
Nada temo, porque Tu estás comigo.
Teu bastão e Teu cajado confortam meu sofrimento.
Meu Senhor e bom Pastor,
Meu Senhor e bom Pastor.

Preparas diante de mim mesa abundante,
À vista dos meus inimigos;
Unges com óleo minha cabeça,
E transborda a minha taça
Meu Senhor e bom Pastor,
Meu Senhor e bom Pastor.

Tua bondade e graça me acompanham
Porque sei, Senhor, que Tu estás comigo.
Habitarei na Tua casa
Nos dias da minha vida,
Por todo o sempre, meu Senhor,
Por todo o sempre, meu Senhor.
(Salmo 23)



Acordes
Adenda:

domingo, janeiro 05, 2020

No dia de hoje se cantam os reis

I
Venho-vos cantar os reis,
Pela folhinha da vinha,
Senhora abra-nos a porta,
Que eu quero ver a lapinha.

Coro
Se vós não sabíeis,
Agora sabeis
Que no dia de hoje,
Se cantam os reis.

II
Venho-vos cantar os reis,
Pela folhinha da rama,
Se vós ainda estais deitada,
Levante-se já da cama.

III
Venho-vos cantar os reis,
Pela folha de hortelã,
Se não nos abre a porta,
Boa noite e até amanhã.

IV
Donde eu estou bem vejo,
Uma luzinha deserta,
Graças a Deus para sempre,
Que eu já vejo a porta aberta.

(Tradicional madeirense)

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