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sábado

O preço e o valor; e o sítio certo

Um pai, em determinado dia, chamou o filho e disse-lhe:
- Filho, vou dar-te este relógio, que é muito especial para mim. É um relógio muito antigo do teu bisavô. Há mais de 100 anos que está na nossa família. Talvez seja a melhor herança que eu te possa deixar. Mas antes, quero que procures saber quanto vale. Vai ali ao café em frente e diz às pessoas que lá estiverem que queres vendê-lo, para ver quanto te dão por ele.

O filho lá foi. Quando voltou disse que, lá no café, o máximo que lhe ofereceram foi 10€, porque disseram que era velho. Então o pai disse:
- Agora vai ao relojoeiro e faz o mesmo.
O jovem assim fez e na relojoaria conseguiu uma oferta de 30€ pelo relógio. O pai disse:
- Então agora quero que vás ao museu, nas primeiras horas da manhã, e mostres lá o relógio.
Ele assim fez. Chegou lá ainda antes de o museu abrir. Quando abriu, entrou e procurou por quem dirigia o museu para oferecer o relógio.

Quando voltou disse ao pai:

- O dono do museu ficou com os olhos brilhantes diante do relógio e, irradiando alegria, disse que o relógio é uma peça rara. Existirão no mundo apenas 100 exemplares deste relógio. Disse que algo assim não tem preço... de tão raro que é. Aconselhou-me a não vender, pois eu tinha nas mãos uma verdadeira jóia. Mas, se por acaso, eu me quisesse desfazer do relógio, que o procurasse em primeiro lugar, pois ele pagaria 50.000€ por ele.

O pai então disse:
- Filho, a herança que tenho para te deixar não é o relógio nem os 50.000€ que ele pode valer. A herança que te vou deixar é esta lição: não fiques irritado por não te darem o valor que mereces. Ninguém te vai dar o valor certo enquanto estiveres no lugar errado.
Quem sabe o teu valor é quem te aprecia; nunca fiques num lugar onde não te valorizam, um lugar que não combina contigo. Não sejas a pérola dos porcos. Conhece o teu valor!
O relógio já é teu. Ele pode valer 50.000€... mas escolher os lugares e as pessoas que são tão valiosos como tu, ah, isso não tem preço; isso tem valor! Eu queria que aprendesses que o lugar certo conhecerá o teu valor da maneira certa.

(desconheço o autor)

Livre-se dos lixos!

A Lei do Camião do Lixo: Uma história para reflectir.

«Certo dia apanhei um táxi para o aeroporto.
Seguíamos na faixa correcta, quando, de repente, um carro preto saiu do estacionamento e se mandou à estrada na nossa frente.
O taxista travou bruscamente, deslizou e escapou de bater no outro carro. Foi por um triz!
E o motorista do outro carro ainda sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente.
Mas o taxista apenas sorriu e acenou-lhe, fazendo um sinal positivo. E fê-lo de maneira bastante amigável.

Indignado perguntei-lhe: 'Porque é que fez isso? Aquele sujeito quase nos batia e, por pouco, nos mandava para o hospital!'
Então o motorista do táxi ensinou-me aquilo que eu agora chamo "A Lei do Camião do Lixo."
Explicou-me que muitas pessoas são como camiões do lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e desilusões. À medida que as suas pilhas de lixo crescem, elas precisam dum lugar para descarregar, e, às vezes, descarregam sobre nós.

Nunca leve isso a peito. Não é o seu problema! É o dele!
Simplesmente sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e siga em frente. Não fique com o lixo dessas pessoas, nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.
Fique tranquilo... respire fundo e deixe a “pessoa do lixo” passar.

O princípio que se retira disto é que, "pessoas felizes não deixam os camiões do lixo estragarem o seu dia."

A vida é muito curta, não transporte lixo consigo! Limpe os maus sentimentos, os aborrecimentos do trabalho, as picuinhices pessoais, os ódios e as frustrações.

Ame todas as pessoas, tratando-as bem: as que o(a) tratam bem e as que não o fazem.»

(Desconheço o autor)

Acho que esta história faz cada vez mais sentido no nosso pequeno mundo à nossa volta e no mundo global que nos entra janelas adentro. Mundos pejados de intolerâncias e de desamor, que nos vão corrompendo sem darmos conta -- a história refere ainda que "a vida é dez por cento daquilo que fazemos dela, e noventa por cento da maneira como a recebemos!"
Não nos deixemos, pois, conspurcar pela porcaria que os "camiões do lixo" ousam descarregar para cima de nós. Desviemo-nos das investidas, vistamos "roupagens" que não absorvam esses lixos, tomemos o "banho" necessário regularmente.

Pérolas para Jesus

Todos sabem que os presentes oferecidos ao Menino Jesus pelos Reis Magos foram: ouro, incenso e mirra.

Mas há uma lenda, formada na Idade Média, que nos fala de um outro Rei Mago que lhe levava Pérolas. Será que lhas chegou a oferecer?... vamos ver:

Reza a lenda que o Rei Mago Artaban também viu a estrela brilhar sobre Belém, mas chegava sempre atrasado aos lugares onde Jesus poderia estar, porque encontrava pobres e miseráveis a precisar da sua ajuda.

Primeiro desencontrou-se de Melchior, Gaspar e Baltasar, porque lhe apareceu um homem meio morto no caminho, a quem o coração lhe pediu para ajudar. Quando chegou a Belém, teve de comprar a vida de uma criança que estava para ser assassinada, às ordens de Herodes, tendo dado ao soldado uma das pérolas que levava para oferecer ao Menino Jesus.
Ficando a saber que José e Maria tinham fugido para o Egipto, pôs-se a caminho mas Jesus já havia regressado a Nazaré. Quis ir lá adorá-lO mas um escravo ia ser levado à força para as galés e Artaban achou por bem oferecer-se em troca dele para esse trabalho.
Depois de trinta anos de trabalhos forçados chega então a Jerusalém... quando é tarde demais: o menino já é homem e está a ser crucificado nesse dia.
Este Rei Mago tinha comprado pérolas para Cristo, mas precisou de as vender quase todas para ajudar as pessoas que foi encontrando no seu caminho. Sobrou apenas uma pérola – e o Rei Mago pensa com ela comprar a libertação de Jesus. Mas encontra uma mulher aflita a ser levada por uns homens. E salvou-a, oferecendo a pérola aos atacantes. Agora já nada mais podia fazer. Nem uma pérola lhe restava para resgatar Jesus.

– Falhei a missão da minha vida – pensou o Rei Mago.
Mas nesse momento, ouviu uma voz:

– Ao contrário do que pensas, tu encontraste-me durante toda a tua vida. Eu estava a morrer e tu resgataste-me. Tu livraste-me da morte quando acudistes àquelas pessoas necessitadas. Eu estava em todos os pobres e indefesos do teu caminho. A tua caridade para com essas pessoas necessitadas foi a melhor pérola que me podias dar. Muito obrigado por tantos presentes de Amor!


Este Rei Mago pode ser cada um de nós, quando oferecemos as nossas pérolas a Jesus, nas pessoas dos nossos próximos.


"Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos, todos os povos da terra." (Salmo 71 (72))

quinta-feira

A Verdade


«O rapaz ia muito mal na escola. As suas notas e o comportamento eram uma decepção para os pais, que sonhavam vê-lo formado e bem-sucedido.
Um belo dia, o pai propôs-lhe um acordo:
- Se tu, meu filho, mudares o comportamento, se te dedicares aos estudos e conseguires ser aprovado no exame para entrar na universidade, dar-te-ei um carro de presente.
Por causa do carro, o rapaz mudou como da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação. Sabia que a mudança do rapaz era apenas pelo interesse de obter o automóvel.
Isso não era bom. O rapaz seguia os seus estudos e aguardava o resultado dos seus esforços. Assim, o grande dia chegou. Foi aprovado.
Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa, o presente era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.
A partir daquele dia, a distância e o silêncio separaram pai e filho. O jovem sentia-se traído e agora lutava pela sua independência.
Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus Universitário. Raramente mandava notícias à família. O tempo foi passando e ele formou-se, conseguiu um bom emprego e esqueceu-se completamente do pai.
Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão. Até que um dia, o pai, velho e muito triste com a situação, não resistiu. Faleceu. Depois do funeral, a mãe entregou ao filho a Bíblia que tinha sido o último presente do pai.
De volta à sua casa, o rapaz que nunca perdoara o pai, quando colocou a Bíblia numa estante, notou que havia um envelope dentro dela. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque.
A carta dizia: "Meu filho, sei o quanto desejas ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque. Escolhe aquele que mais te agradar. No entanto, fiz questão de te dar um presente ainda melhor, a Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o amor de Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência".»


Ops!….. e agora?!... tarde demais...

Quantas vezes nos sentimos traídos e nos afastamos sem procurar conhecer a verdade… e sem perdoar?!

E não saber perdoar leva à tristeza, a erros e a fins terríveis.

As adversidades da vida espreitam-nos constantemente. Mas, se olharmos com cuidado, talvez nelas encontremos um "cheque escondido". Numa bíblia que não ousamos abrir.


É tempo de Advento. Tempo que antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, em que os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo (a Verdade… Caminho e Vida - cf. Jo. 14,6), vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz.
Porque antecede o Natal e o fim do ano civil, é um período muito importante para a manifestação dos mais nobres sentimentos da pessoa humana, mesmo para os não cristãos.

Então, podemos dizer que o Tempo é propício a procurarmos a verdade e o perdão, a fraternidade, a alegria e a paz, numa bíblia perdida algures nalgum canto dentro de nós. 
E também, porque não, na Bíblia Sagrada, o livro dos livros, que contém a Verdade revelada.

Quem sabe, neste Advento, encontremos o “cheque escondido”.

quarta-feira

Pauzinhos de Marfim


"Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando isto chegou ao conhecimento do rei seu pai, que era um homem muito sensato, este foi ter com ele e explicou-lhe:
— Não deves fazer isso, porque esse luxuoso par de pauzinhos pode levar-te à perdição!
O jovem príncipe ficou confuso. Não sabia se o pai falava a sério ou se estava a brincar. Mas o pai continuou:
— Quando tiveres os teus paus de marfim, verás que não ligam com a loiça de barro que usamos à mesa. Vais precisar de copos e tigelas de jade. Ora, as tigelas de jade e os paus de marfim não admitem iguarias grosseiras. Precisarás de cauda de elefante e fígado de leopardo. E quem tiver comido cauda de elefante e fígado de leopardo não vai contentar-se com vestes de cânhamo e uma casa simples e austera.
Irás precisar de fatos de seda e palácios sumptuosos. Ora, para teres tudo isto, vais arruinar as finanças do reino e os teus desejos nunca terão fim. Depressa cairás numa vida de luxo e de despesas sem limite. A desgraça irá atingir os nossos camponeses, e o reino afundar-se-á na ruína e desolação… Porque os teus paus de marfim fazem lembrar a estreita fissura no muro de uma fortaleza, que acaba por destruir toda a construção.

O jovem príncipe esqueceu o seu capricho e mais tarde veio a ser um monarca reputado pela sua grande sensatez."

( Conto do filósofo chinês Han Fei, oito séculos antes da nossa era)


Este conto não vos faz lembrar nada, nos nossos tempos?

sábado

Os Barretes Novos

Costumava ouvir do meu pai muitas histórias. Hoje lembrei-me desta:

Há muitos anos havia um homem que tinha um filho que, quando lá se lembrava, pedia ao pai que lhe comprasse um barrete novo. Porque aquele que tinha, ou era já do ano passado, ou já estava fora de moda, ou que vinham aí as festas do S. João, ou porque algum amigo também tinha estreado um novo, ou…
E o pai, ainda que lhe fosse dizendo que ele não tinha ainda necessidade de outro, que ainda havia pouco tempo que lhe tinha comprado aquele, perante a insistência do filho e porque não o queria ver desgostoso lá lhe comprava outro barrete. E os outros, que ainda estavam em bom estado, ia-os guardando a todos dentro duma arca.
Isto foi acontecendo ao longo da juventude do filho, enquanto este ainda era solteiro, de modo que os barretes se iam acumulando na arca.
Quando o filho se casou e começou a governar a sua própria casa, nunca mais o pai lhe viu estrear um barrete novo.
A dada altura, quando lhe viu na cabeça aquele mesmo barrete, todo gasto e puído, o último que lhe comprara em solteiro, já havia uns três ou quatro anos, o pai interpelou-o sobre isso, “É que eu preciso de remir uma casa de família, e o que vou granjeando não dá para tudo..., se o pai ainda por lá tivesse algum que me desse…”, e o pai foi à arca e deu-lhe um dos barretes que já fora dele. Passado mais uns tempos: “Se o pai tivesse outro barrete que me desse, que este já nem parece barrete…”, e o pai lá tirava outro da arca e lho dava. E assim o filho foi gastando, um a um, os barretes que noutros tempos já não quisera.

E vá-se lá saber por que me lembrei disto hoje…

Quando a canga pesa, a vida dói. 

Cireneu



"O velho sentou-se com a cabeça encurvada e as costas doloridas enquanto as censuras, fúteis de sua colérica mulher, lhe feriam os ouvidos.

– Semelhante a uma infindável cascata, ela espadanava toda uma série de recriminações: imbecil barbudo, por que desperdiças o teu tempo vagabundeando pelas estradas? O teu pai, o teu avô e o teu bisavô foram todos guardiães do Templo; se estivesses a postos quando foste chamado, sem dúvida terias sido nomeado guardião como os outros. Agora, porém, um homem mais expedito foi o escolhido. Tu, o mais idiota dos homens, preferiste vagabundear pelas estradas, afim de que, renegado, pudesses carregar a cruz de um jovem carpinteiro sedicioso.

– Isto é verdade – disse o velho –, encontrei um jovem que ia ser crucificado e o centurião mandou-me carregar a cruz. Carreguei-a até ao cimo da colina e demorei-me porque as palavras que ele pronunciou, embora grandemente maltratado, não eram de pesar por ele mesmo e, sim, pelos outros; as suas palavras retardaram-me lá. Por isso esqueci tudo mais.

– Sim, na verdade esqueceste tudo mais e o pouco senso que possuías, e regressaste demasiadamente tarde para ser guardião do Templo! Não estás envergonhado ao pensares que teu pai, teu avô e teu bisavô, foram todos guardiães da Casa do Senhor. Que seus nomes estão lá escritos em letras de ouro e serão lidos pelos homens do futuro para todo o sempre? Quanto a ti, velho tonto, quando morreres isolado de todos os parentes, quem se lembrará neste mundo de Simão, o Cireneu?"
.

quarta-feira

É o meu Violino!

Numa certa manhã de Outono, um pobre cego pedia esmola à porta de uma igreja, como fazia todos os domingos, com um pequeno cão que ele tinha ensinado a sentar-se sobre as patas traseiras segurando na boca um velho chapéu amassado, onde ele esperava que algumas almas caridosas lhe lançassem umas pobres moedas.
O mendigo tocava, ou melhor, tentava tocar uma canção no velho violino que rangia desafinado, e os frequentadores do local davam pouca importância àquela dupla de artistas passando por ambos sem ao menos olhar para eles.

Porém, nessa manhã, sucedeu passar por ali um senhor muito distinto que, ao ver o cego a tocar o violino tão desafinadamente, pediu-lho emprestado, quando ele terminou a canção.
Afinou cuidadosamente as cordas e começou a tocar. E fê-lo de tal maneira que em poucos minutos a praça ficou cheia de gente, formando à sua volta um apertado círculo de espectadores. As notas ecoavam no ar com uma agilidade e vibração arrebatadoras.
A música era tão harmoniosa que todos estavam encantados a ouvi-la.
Foi quando, no meio do silêncio, se ouviu um grito:

- É o meu violino, é o meu violino!

Era o pobre mendigo que bradava entusiasmado, orgulhoso, porque do seu violino saía uma música tão maravilhosa...

Depois de executar várias peças musicais, sob o aplauso delirante do público que se acotovelava, o desconhecido entregou o violino ao mendigo e desapareceu apressado, deixando todos perplexos e maravilhados, e a pergunta era uma só:
- Quem é este músico maravilhoso?

Um dos presentes adiantou-se e pegando no chapéu da boca do pequeno animal, estendeu-o ao público, dizendo:
- Os senhores acabam de ouvir um grande violinista, um mestre, e o espectáculo não foi de graça; por favor, contribuam para este homem, assim como o excelente violinista o fez.
E as esmolas foram tantas que o pequeno cãozinho não podia suportar o peso do chapéu.

(Adaptado)

• É curioso observar que aquele violinista não deu uma moeda sequer de esmola ao cego, mas com o seu talento e humildade, provavelmente transformou o dia daquele mendigo no dia mais feliz da sua vida.

• Também podemos concluir que não é por se ter um violino que se produz música. É preciso afiná-lo e saber tirar dele as notas certas para que a melodia seja bela e harmoniosa.

• E assim é na nossa vida: muitas vezes somos como um violino desafinado. Mas se nos deixarmos tocar pelas mãos do Mestre, a melodia será maravilhosa!

sábado

Que é Oração?

«Uma noite, o irmão Bruno viu a sua oração interrompida pelo cantar de uma rã.
Mas, ao ver que todos os seus esforços por ignorar o som eram inúteis, aproximou-se da janela e gritou: “Silêncio. Estou a rezar.”
Como o irmão Bruno era um santo, a sua ordem foi obedecida de imediato: todo o ser vivo calou a sua voz, para criar o silêncio que favorecesse a sua oração.
Porém, um outro ruído veio então perturbar o irmão Bruno: uma voz que dizia: “Talvez a Deus agrade tanto o cantar dessa rã como a recitação dos teus salmos…” “O que pode haver no cantar dessa rã que seja agradável aos ouvidos de Deus?” pergunta o irmão Bruno. A voz continuou: “Já te perguntaste o porquê de Deus ter criado esse som?”
Bruno decidiu averiguar o porquê. Aproximou-se de novo da janela e ordenou: “Canta!”
E o cantar ritmado da rã voltou a encher o ar, com o acompanhamento de todas as rãs do lugar. E, quando Bruno prestou atenção ao som, este deixou de o incomodar, porque descobriu que, se não lhe resistisse, o cantar das rãs servia para enriquecer o silêncio da noite.
Uma vez feita esta descoberta, o coração do irmão Bruno sentiu-se em harmonia com o universo e, pela primeira vez na vida, compreendeu o que significa orar.»

Anthony de Mello – La oración de la Rana

segunda-feira

A Parábola dos Sete Vimes

“Era uma vez um pai que tinha sete filhos. Quando estava para morrer, chamou-os todos sete, e disse-lhes assim:
- Filhos, já sei que não posso durar muito; mas antes de morrer, quero que cada um de vós me vá buscar um vime seco e mo traga aqui.
- Eu também? – Perguntou o mais pequeno, que tinha só quatro anos. O mais velho tinha vinte e cinco e era um rapaz muito reforçado e o mais valente da freguesia.
- Tu também - respondeu o pai ao mais pequeno.
Saíram os sete; e daí a pouco tornaram a voltar, trazendo cada um seu vime seco.

O pai pegou no vime que trouxe o filho mais velho e entregou-o ao mais novinho, dizendo-lhe:
- Parte esse vime.
O pequeno partiu o vime, e não lhe custou nada a partir.
Depois, o pai entregou outro ao mesmo filho mais novo e disse-lhe:
- Agora parte também esse..
O pequeno partiu-o; e partiu, um a um, todos os outros, que o pai lhe foi entregando, e não lhe custou nada parti-los todos. Partindo o último, o pai disse outra vez aos filhos:
- Agora ide procurar outro vime e trazei-mo.

Os filhos tornaram a sair e daí a pouco estavam outra vez ao pé do pai, cada um com o seu vime.
- Agora dai-mos cá - disse o pai.
E dos vimes todos fez um feixe, atando-os com um vincelho.
E, voltando-se para o filho mais velho, disse-lhe assim:
- Toma este feixe! Parte-o!
O filho empregou quanta força tinha, mas não foi capaz de partir o feixe.
- Não podes? - perguntou ele ao filho.
- Não, meu pai, não posso.
- E algum de vós é capaz de o partir? Experimentai.

Não foi nenhum capaz de o partir, nem dois juntos, nem três, nem todos juntos.
O pai disse-lhes então:
- Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu, sem lhe custar nada, todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pode parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós todos estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos.
Acabou de dizer isto e morreu – e os filhos foram muito felizes, porque viveram sempre em boa irmandade ajudando-se sempre uns aos outros; e como não houve forças que os desunissem, também nunca houve forças que os vencessem”.
(Trindade Coelho. In: Os meus amores)

O homem é um animal social que só se realiza como pessoa na relação e convivência com os outros. Convivência essa nem sempre fácil e nem pacífica, em que muitos são colocados a um canto e outros preferem isolar-se vivendo só para si e por si.

Esta parábola aponta-nos o caminho a seguir.
Só unidos, em permanente dar as mãos uns aos outros, vivemos verdadeiramente!

terça-feira

Silêncio

"Um homem dirigiu-se a um convento de clausura, isto é, um convento onde se vive longe do ruído da cidade e num silêncio desejado. Perguntou a um desses monges:
- Que aprendeis vós com a vossa vida de silêncio?
O monge estava a tirar água do poço. Disse ao seu visitante:
- Olha para o fundo do poço. Que vês lá dentro?
O homem olhou para dentro e disse:
- Não vejo nada.
O monge ficou algum tempo sem se mover e no final disse ao visitante:
- Contempla agora. Que vês no fundo do poço?
O homem obedeceu e respondeu:
- Agora vejo-me a mim próprio: espelho-me na água.
O monge concluiu:
- Vês? Quando eu mergulho o balde, a água fica agitada. Agora, pelo contrário, está tranquila. É esta a experiência do silêncio: o homem vê-se a si próprio."
(Frei Róger Brunorio - OFM)


sábado

Vê por onde andas!

"Faz muitos, muitos anos, usavam-se no Japão lanternas de papel e bambú, com uma vela no seu interior.
Uma noite, um certo senhor ofereceu uma dessas lanternas a um cego que o tinha ido visitar, para que ele pudesse voltar para casa.
O cego disse-lhe:
- A mim não serve para nada uma lanterna! A luz e a escuridão para mim são a mesma coisa.
- Já sei que tu não precisas de uma lanterna para veres o caminho - respondeu-lhe o outro -. Mas, se não a levares, pode vir alguém para cima de ti. Portanto deves levá-la, para advertires quem vem em sentido contrário.
O cego partiu com a lanterna, mas ainda não se tinha afastado muito da casa do amigo quando alguém lhe deu um encontrão que o atirou para o meio do chão.
- Olha por onde andas! - Exclamou o cego enraivecido -. Por acaso não viste a minha lanterna?
O desconhecido respondeu-lhe:
- Levas a lanterna apagada, irmão!"

(Bruno Ferrero, Histórias para acordar el camino)

Quantas vezes não somos nós esse cego?

Sim, somos esse cego quando não mostramos a Luz do Espírito Santo ao mundo, quando não nos guiamos por essa Luz, quando trazemos a lanterna apagada e deixamos que os outros colidam connosco, atirando-nos ao chão.


Espírito de Deus,
Manda-nos do céu um raio de Vossa Luz.
Vem, ó Pai dos pobres,
Doador das graças,
Luz dos corações.
Vem consolador,
Hóspede da alma,
Doce alívio, vem.
No labor descanso,
Na aflição remanso,
No calor aragem,
Vem, ó Luz Santíssima,
Encher de claridade o coração fiel.
Sem a Vossa luz nada o homem pode,
Nenhum bem há nele.
Lava o que é impuro,
Rega o que está seco,
O que é doente, cura.
Dobra o que enrijece,
O que está frio aquece,
Reconduz o errante.
Aos fiéis concede,
Toda Igreja pede,
Os teus sete dons.
Concede o prémio do bem,
A boa morte do justo,
A eterna alegria.
Amén! Aleluia!

(Sequência do Pentecostes)

domingo

O Bom Pastor e a Mãe

(Maria Mãe do Bom Pastor)

__________



Fábula da ovelha e do lameiro

«Era uma vez uma ovelhinha que, junto com a sua mãe, passava em frente de um chiqueiro todos os dias a caminho do pasto. Os porcos divertiam-se tanto rebolando na lama que num dia de muito calor a ovelhinha pediu à mãe que a deixasse pular a cerca e chafurdar na lama fresca.
A mãe respondeu que não. A ovelhinha fez a clássica pergunta: “Por que não?” A resposta foi simples: “Porque ovelhas não chafurdam.”

A ovelhinha não se contentou. Achou que a mãe havia feito pouco caso dela e abusado da sua autoridade quando não devia. Assim que a mãe se afastou, a ovelhinha correu para o chiqueiro e pulou a cerca. Sentiu a lama fria nos pés, pernas e barriga. Pouco depois achou que já era hora de voltar para junto da mãe, mas não conseguiu! Estava presa!
Lama e lã não combinam. O prazer havia-se transformado em prisão. A ovelhinha estava desesperadamente presa em consequência da sua tolice. Ela pediu socorro e foi resgatada por um lavrador caridoso.
Depois de ter sido limpa e estar de volta ao aprisco, a mãe relembrou: “Não te esqueças de que ovelhas não chafurdam!” »

(Autor Desconhecido)

O mesmo acontece com o pecado. Sempre tão apetecível, e que parece tão fácil de ser abandonado quando quisermos. Mas não é assim! Os prazeres aprisionam-nos.
Por isso, os cristãos devem ter cuidado para não se deixarem seduzir pelos lameiros da vida.


Ouçamos a Mãe.

Sigamos o Bom Pastor!

"O Juízo final em versão light"

A propósito do Evangelho de hoje (Mt. 25, 31 - 46), um texto, com alguma ironia, para reflexão:

«No fim do mundo, o Juiz reunirá todos os que acreditaram nele, e há-de dividi-los em quatro grupos - ovelhas, cabras, cabritos e cordeiros.

À sua frente colocará as ovelhas:
aqueles que rezaram com fervor
aqueles que falaram dele com fervor
aqueles que fizeram jejuns por ele
aqueles que lhe cantaram.

E dir-lhes-á, naturalmente:
“Vinde benditos, recebei o meu Reino como herança.
É verdade que eu tive fome e sede
e vocês não fizeram nada,
mas isso também não era responsabilidade vossa:
Era responsabilidade das vossas organizações de caridade e acção social!
Não podeis ser condenados pelos trabalhos dos outros.”

Atrás de si ficam as cabras,
aqueles que não fizeram nada, que simplesmente se deixaram ir no rebanho…

E dir-lhes-á:
“Vinde benditos, recebei o meu Reino como herança.
É verdade que eu tive fome e sede
e vocês não fizeram nada,
mas foi porque estáveis distraídos com outras coisas!
E além disso, com quem mais poderia eu mostrar a minha misericórdia?”

À sua esquerda colocará os cabritos:
aqueles que fizeram parte dos grupos sócio-caritativos,
das conferências vicentinas,
das mesas das misericórdias e de IPSSs,
dos governos e das câmaras municipais e juntas de freguesia,
os que foram assistentes sociais,
os que andaram pela Cruz Vermelha
e por algumas ordens religiosas.

À sua direita colocará os cordeiros:
exactamente os mesmos do grupo dos cabritos,
com a diferença de que estes cumpriram bem o seu papel,
enquanto que os do grupo dos cabritos nem sempre o conseguiram fazer.

E dirá aos cabritos:
“Afastai-vos de mim,
Vós que tínheis a obrigação de cuidar de mim
na pessoa dos pobres
e tantas vezes não o fizestes”.

Depois dirá aos cordeiros
(se tiver sobrado alguém para este grupo):
“Apenas fizestes o que devíeis fazer,
nada mais do que a vossa obrigação.
Apesar disso, entrai,
Para que não se diga que eu não sou justo.”

Assim, reza esta versão do Juízo final,
que o modo mais seguro de alcançar o céu
é fugir de todo o compromisso social e caritativo…»

(Carlos Neves, in: Na Peugada do Bom Samaritano, Temas de Reflexão 2002/2003, Cáritas Diocesana de Coimbra)

O Senhor diz: "Eu tive fome... eu tive sede..." na pessoa daquele que estava ao pé de ti.
Viste-o e deste-lhe de comer e de beber?

Quantas vezes a resposta não será deste género?:
- Onde, onde? Não vi... não vi nada, não sei de nada... Mas isso não era problema meu! Para isso estavam lá os outros a quem isso competia...

E quantas fomes e sedes (de muitas qualidades) assim vão matando o nosso próximo, porque não vimos nada, ninguém vê nada... é tudo da competência dos outros.

Creio na Igreja

"Um homem subiu para o telhado da sua casa durante uma enchente. Era um homem crente e fiel a Deus.
A água continuava a subir, e já começava a alcançar o telhado, quando resolveu orar e pedir socorro a Deus.
Deus respondeu-lhe dizendo, aguarda que já te salvarei!
Mal acabou de falar veio um homem numa canoa remando e chamou-o: Ei, entra no barco e vamos embora.
Ele olhou para a canoa que balançava na água, lembrou-se da voz de Deus e disse: Pode ir embora, Deus virá salvar-me!
Logo veio uma lancha a motor e o chamou pelo alto-falante: Ei, vamos embora que vem mais chuva!
Ele olhou para a lancha, lembrou-se da canoa balançando e da voz de Deus que lhe prometeu socorro, então disse: pode ir, Deus virá salvar-me!
E a chuva veio, e a água subia mais e mais, e ele: Deus, e Eu aqui ó!!!? já estou com água na barriga!
Então vieram os bombeiros num helicóptero, desceram uma escadinha, e gritaram: Ei, suba a escada! Ele olhou para cima, viu o helicóptero, o vento e a chuva, achou arriscado e decidiu dispensar a boleia.
Já com o nariz dentro de água orou a Deus e disse: óh Senhor! não vieste buscar-me!...
Deus então respondeu: enganas-te, mandei-te uma canoa e não quiseste, mandei-te um barco e dispensaste-o, mandei-te um helicóptero e desprezaste-o... Agora, é tarde para mandar outro meio."


Deus sempre deu meios para salvar a humanidade. Por fim enviou o seu próprio Filho, Jesus. E a Igreja é o meio que Jesus colocou ao nosso alcance para a nossa Salvação.

Porque não é possível dizer "Cristo sim, Igreja não

  • A Igreja – boa, má, medíocre, santa ou pecadora, tudo isso junto – foi e continua a ser a razão de Cristo se fazer homem e se deixar matar numa cruz.
  • A Igreja não é Cristo. Cristo é o absoluto, o fim; a Igreja, apenas o meio. O cano não é a água que passa por ele, mas o cano é que me traz a água!
  • Há alguma outra instituição que tenha feito mais em favor dos que sofrem do que a Igreja?
  • A Igreja não é perfeita. Ela é composta por homens e mulheres. A Igreja é medíocre por estar formada de pessoas como nós.
  • A Igreja é a mãe que me gerou como cristão e me continua a alimentar.
Estas são Razões para amar a Igreja


"Eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt. 16,18)

quarta-feira

Nós... esses ouriços!?!

"No Verão, uma família de ouriços-cacheiros instalou-se na floresta. Fazia muito calor e durante todo o dia abrigavam-se sob as árvores. Brincavam às escondidas entre as flores, apanhavam moscas para se alimentarem e, de noite, dormiam no musgo fofo.

Um dia, viram cair algumas folhas: tinha chegado o Outono. Brincaram, correndo atrás das folhas que caíam em maior número. E, como as noites eram cada vez mais frias, começaram a dormir sobre as folhas mortas.

O frio começou a aumentar. A neve já cobria as folhas e o rio tinha gelado. Os ouriços tiritavam todo o santo dia e, de noite, não pregavam olho.

Decidiram então apertar-se uns contra os outros para ficarem mais quentinhos, mas fugiram pelos quatro cantos da floresta. Porquê? Porque se feriram uns aos outros com os picos que possuíam. Timidamente, aproximaram-se outra vez, mas picaram-se de novo no nariz e nas patas.

De cada vez que tentavam reunir-se sucedia o mesmo, mas era preciso que se unissem, como todos os animais, para ficarem quentinhos. Tinham que arranjar uma forma de se aproximarem. E tentaram; muito suavemente, pouco a pouco, os ouriços foram-se aproximando uns dos outros, baixaram os seus picos e, com muita precaução, encontraram finalmente o ponto exacto de encosto.

Podiam agora juntos enfrentar o vento gelado ou mesmo a fria neve, que já não lhes fariam mal algum. Já dormiriam agora muito bem, porque o calor não voltaria a faltar!"

(Jacinto Jardim, O Método de Animação)

segunda-feira

Dia do doente


Mensagem para hoje.

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluídos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela.

O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vista no horizonte.

Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena. Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.

Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.

Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora.

Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela... que dava, afinal, para uma parede de tijolo!

O homem chamou a enfermeira e perguntou o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.

A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. "Talvez ele quisesse apenas dar- lhe coragem...".
(desconheço o autor)

Qualquer um de nós, mesmo com quaisquer enfermidades, pode sempre tornar o outro um pouco mais feliz!

Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas.

A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.

domingo

Caçar macacos ou a Porta Estreita

"Uma tribo selvagem aprendeu a caçar macacos valendo-se apenas da cobiça deles. O curioso método era bem simples. Os membros da tribo saíam com contas coloridas e brilhantes dentro de grandes potes de vidro para que os macacos as pudessem ver. A curiosidade e o desejo pelas contas levavam os macacos a enfiar as mãos dentro da pequena abertura dos potes com o objectivo de as alcançar. Como o gargalo dos potes era muito apertado, os macacos não conseguiam retirar as mãos em que seguravam as suas riquezas. Os macacos enfrentavam uma escolha agonizante: largar as quinquilharias e fugir ou manter as mãos fechadas e ser capturado. Em geral eles escolhiam a captura. Eles adquiriam o tesouro, mas apenas por um momento. E assim perdiam a liberdade e a vida." (desconheço o autor)


Vem este conto a propósito da Porta Estreita, aquela pela qual somos todos convidados a entrar.

E é verdade que são muitos os que por ela querem entrar mas é preciso esforço para passar através dela.
Os que são demasiado grandes e largos não cabem. Temos que ser pequeninos, despojar-nos de tudo o que nos causa aumento de volume e que não nos deixa caber na porta.
Na minha opinião, a porta foi feita à nossa medida, e não para nos exigir sacrifícios. Nós somos pequenos, não necessitamos de portas grandes, por isso temos que nos reduzir à nossa pequenez. O que acontece é que temos a mania das grandezas, mas não podemos ser maiores do que a porta, senão não conseguimos entrar. Corremos o risco de ficar do lado de fora e ouvir “Não vos conheço”.
Pudera! Se se está demasiado grande e gordo, toma-se outros ares, outra figura, já não se parece a mesma pessoa.

Lembrei-me agora daquela publicidade: Mudaste, mudaste!...

Como é que podemos reconhecer uma pessoa que já não vemos há muito tempo, se essa pessoa está diferente?! Mesmo que diga “Então eu andei contigo por aí…”. Mas deixou de haver contacto e ocorreram modificações.
Pois é!...

Se nos tornarmos diferentes do que éramos originalmente, grandes em vez de pequenos… gordos em vez de magros… orgulhosos em vez de humildes… pecadores em vez de inocentes…, para além de não cabermos na porta, ouviremos “Não vos conheço”, tal é a nossa mudança, a nossa desfiguração.

Aí, seremos caçados como os macacos, pelo caçador que nos espreita à espera que não consigamos largar o isco que nos lançou.

segunda-feira

Anunciar o amor de Deus ao pobre

Luísa 
Havia naquela aldeia uma mulher chamada Luísa, cujo marido, Tibério, era alcoólico. Ele batia-lhe amiúde e destruía toda a paz do lar.
Se se podia chamar lar… Nem casa! Uma barraca de pedra, com chuva a cair em tudo o que era canto e os vidros partidos a deixarem entrar um frio de regelar os ossos. 
 Os filhos, claro, não tinham aproveitamento escolar. 

 Na terra da Luísa viviam duas mulheres (cujos nomes devem ser omitidos) convencidas da bondade do seu Deus. E tinham como certo que um Deus tão bom também queria que a Luísa fosse feliz. 
 Assim, tomaram como tarefa sua levar à Luísa um pouco de felicidade, pelo reconhecimento de também ela ser amada daquele Deus. 
 A primeira destas mulheres todas as semanas, duas tardes, ia ter com a Luísa e falava-lhe longamente desse bom Deus. 
 A segunda, todas as semanas, em duas tardes, trazia para sua casa os filhos da Luísa e dava-lhes explicações da matéria escolar. 
 Depois, convenceu o marido a que este convencesse uns amigos e fossem dar um conserto ao telhado da casa da Luísa. 
 Além disso, boca a ouvido, astuta e persistente, organizou uma espécie de consciência feminina local, de modo que quase não havia homem na terra, cujo último beijo da noite, não fosse a recomendação da companheira para controlar na taberna o vinho do Tibério! 

 Um dia, cansada do “massacre” da primeira mulher, Luísa respondeu-lhe mal, numa linguagem que aqui não convém. 

 E só muito tempo depois, um dia pelas quatro da tarde, a Luísa finalmente subiu ao templo daquele Deus bom, para lhe agradecer a existência da segunda mulher e o bem que, através dela, lhe trazia. (Escutar e Servir, Temas de Reflexão - Cáritas Diocesana de Coimbra) 

Será que não é necessário mais do que lindas palavras?!

Quanto vale a vida?

“Depois de uma aula sobre o sentido da vida humana, a aluna aproxima-se do professor e pergunta-lhe:
- Professor, quanto vale a vida humana?
O professor ficou pensativo. Naquele momento passaram-lhe pela mente as questões clássicas (Donde venho? O que faço? Para onde vou? A vida humana acaba nesta terra? Existe o transcendente? Quem dá sentido à vida?). Após alguns momentos, retirou o anel que tinha no dedo, com uma pérola, entregou-o à aluna e disse-lhe:
- Vai perguntar às pessoas quanto vale o anel. Mas não o vendas. Depois de saberes as respostas, vem ter comigo.
A aluna encontrou uma senhora a vender cerejas e perguntou-lhe:
- Quanto me dá por este anel?
- Dou-te 10 quilos de cerejas, respondeu a senhora.
A seguir encontrou um senhor que vendia uvas:
- Quanto me dá por este anel?
- Dou-te 100 quilos de uvas.
Mais adiante, encontrou uma ourivesaria. Entrou e perguntou:
- Quanto me dá por este anel?
- Fico com ele por 10.000 euros.
Entrou noutra ourivesaria. O ourives, ao examinar o anel, olhando por cima dos óculos, com uma expressão enigmática, disse à aluna:
- Este anel vale mesmo muito. Pode ter um valor incalculável.
Depois, a aluna foi ter com o professor e entregou-lhe o anel. Este interpelou a aluna:
- Entendeste agora quanto vale a vida humana?
- Não. Respondeu a aluna.”

[In: O desafio de Viver, S. N. E. C. (9.º ano)]

E tu entendeste?
Quanto vale, para ti, a vida humana?
Queres imaginar como termina a história?...
Qual será a resposta que o professor vai dar à aluna?


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Adenda em 19/05/2007

A resposta do professor:

"- Pois é, disse o professor. Para uns, a vida humana vale 10 quilos de cerejas, para outros 100 quilos de uvas, para outros 10.000 euros.
Mas o valor da vida humana é incalculável. Não há dinheiro que pague o valor da vida humana. É que a vida humana não é mercadoria, não é material negociável, mas é um dom de Deus dado à própria pessoa. E nenhum dom se negoceia, mas respeita-se, por ser dom, pela ligação à pessoa que no-lo deu e pela marca da sua dignidade."

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