sábado
O preço e o valor; e o sítio certo
Livre-se dos lixos!
«Certo dia apanhei um táxi para o aeroporto.
Seguíamos na faixa correcta, quando, de repente, um carro preto saiu do estacionamento e se mandou à estrada na nossa frente.
O taxista travou bruscamente, deslizou e escapou de bater no outro carro. Foi por um triz!
E o motorista do outro carro ainda sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente.
Mas o taxista apenas sorriu e acenou-lhe, fazendo um sinal positivo. E fê-lo de maneira bastante amigável.
Indignado perguntei-lhe: 'Porque é que fez isso? Aquele sujeito quase nos batia e, por pouco, nos mandava para o hospital!'
Então o motorista do táxi ensinou-me aquilo que eu agora chamo "A Lei do Camião do Lixo."
Explicou-me que muitas pessoas são como camiões do lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e desilusões. À medida que as suas pilhas de lixo crescem, elas precisam dum lugar para descarregar, e, às vezes, descarregam sobre nós.
Nunca leve isso a peito. Não é o seu problema! É o dele!
Simplesmente sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e siga em frente. Não fique com o lixo dessas pessoas, nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.
Fique tranquilo... respire fundo e deixe a “pessoa do lixo” passar.
O princípio que se retira disto é que, "pessoas felizes não deixam os camiões do lixo estragarem o seu dia."
A vida é muito curta, não transporte lixo consigo! Limpe os maus sentimentos, os aborrecimentos do trabalho, as picuinhices pessoais, os ódios e as frustrações.
Ame todas as pessoas, tratando-as bem: as que o(a) tratam bem e as que não o fazem.»
(Desconheço o autor)
Pérolas para Jesus
quinta-feira
A Verdade
«O rapaz ia muito mal na escola. As suas notas e o comportamento eram uma decepção para os pais, que sonhavam vê-lo formado e bem-sucedido.
quarta-feira
Pauzinhos de Marfim
"Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando isto chegou ao conhecimento do rei seu pai, que era um homem muito sensato, este foi ter com ele e explicou-lhe:
( Conto do filósofo chinês Han Fei, oito séculos antes da nossa era)
Este conto não vos faz lembrar nada, nos nossos tempos?
sábado
Os Barretes Novos
Cireneu

quarta-feira
É o meu Violino!
O mendigo tocava, ou melhor, tentava tocar uma canção no velho violino que rangia desafinado, e os frequentadores do local davam pouca importância àquela dupla de artistas passando por ambos sem ao menos olhar para eles.
Porém, nessa manhã, sucedeu passar por ali um senhor muito distinto que, ao ver o cego a tocar o violino tão desafinadamente, pediu-lho emprestado, quando ele terminou a canção.
Afinou cuidadosamente as cordas e começou a tocar. E fê-lo de tal maneira que em poucos minutos a praça ficou cheia de gente, formando à sua volta um apertado círculo de espectadores. As notas ecoavam no ar com uma agilidade e vibração arrebatadoras.
A música era tão harmoniosa que todos estavam encantados a ouvi-la.
Foi quando, no meio do silêncio, se ouviu um grito:
- É o meu violino, é o meu violino!
Era o pobre mendigo que bradava entusiasmado, orgulhoso, porque do seu violino saía uma música tão maravilhosa...
Depois de executar várias peças musicais, sob o aplauso delirante do público que se acotovelava, o desconhecido entregou o violino ao mendigo e desapareceu apressado, deixando todos perplexos e maravilhados, e a pergunta era uma só:
- Quem é este músico maravilhoso?
Um dos presentes adiantou-se e pegando no chapéu da boca do pequeno animal, estendeu-o ao público, dizendo:
- Os senhores acabam de ouvir um grande violinista, um mestre, e o espectáculo não foi de graça; por favor, contribuam para este homem, assim como o excelente violinista o fez.
E as esmolas foram tantas que o pequeno cãozinho não podia suportar o peso do chapéu.
(Adaptado)
• É curioso observar que aquele violinista não deu uma moeda sequer de esmola ao cego, mas com o seu talento e humildade, provavelmente transformou o dia daquele mendigo no dia mais feliz da sua vida.
• Também podemos concluir que não é por se ter um violino que se produz música. É preciso afiná-lo e saber tirar dele as notas certas para que a melodia seja bela e harmoniosa.
• E assim é na nossa vida: muitas vezes somos como um violino desafinado. Mas se nos deixarmos tocar pelas mãos do Mestre, a melodia será maravilhosa!
sábado
Que é Oração?
Mas, ao ver que todos os seus esforços por ignorar o som eram inúteis, aproximou-se da janela e gritou: “Silêncio. Estou a rezar.”
Como o irmão Bruno era um santo, a sua ordem foi obedecida de imediato: todo o ser vivo calou a sua voz, para criar o silêncio que favorecesse a sua oração.
Porém, um outro ruído veio então perturbar o irmão Bruno: uma voz que dizia: “Talvez a Deus agrade tanto o cantar dessa rã como a recitação dos teus salmos…” “O que pode haver no cantar dessa rã que seja agradável aos ouvidos de Deus?” pergunta o irmão Bruno. A voz continuou: “Já te perguntaste o porquê de Deus ter criado esse som?”
Bruno decidiu averiguar o porquê. Aproximou-se de novo da janela e ordenou: “Canta!”
E o cantar ritmado da rã voltou a encher o ar, com o acompanhamento de todas as rãs do lugar. E, quando Bruno prestou atenção ao som, este deixou de o incomodar, porque descobriu que, se não lhe resistisse, o cantar das rãs servia para enriquecer o silêncio da noite.
Uma vez feita esta descoberta, o coração do irmão Bruno sentiu-se em harmonia com o universo e, pela primeira vez na vida, compreendeu o que significa orar.»
segunda-feira
A Parábola dos Sete Vimes
- Filhos, já sei que não posso durar muito; mas antes de morrer, quero que cada um de vós me vá buscar um vime seco e mo traga aqui.
- Eu também? – Perguntou o mais pequeno, que tinha só quatro anos. O mais velho tinha vinte e cinco e era um rapaz muito reforçado e o mais valente da freguesia.
- Tu também - respondeu o pai ao mais pequeno.
Saíram os sete; e daí a pouco tornaram a voltar, trazendo cada um seu vime seco.
O pai pegou no vime que trouxe o filho mais velho e entregou-o ao mais novinho, dizendo-lhe:
- Parte esse vime.
O pequeno partiu o vime, e não lhe custou nada a partir.
Depois, o pai entregou outro ao mesmo filho mais novo e disse-lhe:
- Agora parte também esse..
O pequeno partiu-o; e partiu, um a um, todos os outros, que o pai lhe foi entregando, e não lhe custou nada parti-los todos. Partindo o último, o pai disse outra vez aos filhos:
- Agora ide procurar outro vime e trazei-mo.
Os filhos tornaram a sair e daí a pouco estavam outra vez ao pé do pai, cada um com o seu vime.
- Agora dai-mos cá - disse o pai.
E dos vimes todos fez um feixe, atando-os com um vincelho.
E, voltando-se para o filho mais velho, disse-lhe assim:
- Toma este feixe! Parte-o!
O filho empregou quanta força tinha, mas não foi capaz de partir o feixe.
- Não podes? - perguntou ele ao filho.
- Não, meu pai, não posso.
- E algum de vós é capaz de o partir? Experimentai.
Não foi nenhum capaz de o partir, nem dois juntos, nem três, nem todos juntos.
O pai disse-lhes então:
- Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu, sem lhe custar nada, todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pode parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós todos estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos.
Acabou de dizer isto e morreu – e os filhos foram muito felizes, porque viveram sempre em boa irmandade ajudando-se sempre uns aos outros; e como não houve forças que os desunissem, também nunca houve forças que os vencessem”.
O homem é um animal social que só se realiza como pessoa na relação e convivência com os outros. Convivência essa nem sempre fácil e nem pacífica, em que muitos são colocados a um canto e outros preferem isolar-se vivendo só para si e por si.
Esta parábola aponta-nos o caminho a seguir.
Só unidos, em permanente dar as mãos uns aos outros, vivemos verdadeiramente!
terça-feira
Silêncio
- Que aprendeis vós com a vossa vida de silêncio?
O monge estava a tirar água do poço. Disse ao seu visitante:
- Olha para o fundo do poço. Que vês lá dentro?
O homem olhou para dentro e disse:
- Não vejo nada.
O monge ficou algum tempo sem se mover e no final disse ao visitante:
- Contempla agora. Que vês no fundo do poço?
O homem obedeceu e respondeu:
- Agora vejo-me a mim próprio: espelho-me na água.
O monge concluiu:
- Vês? Quando eu mergulho o balde, a água fica agitada. Agora, pelo contrário, está tranquila. É esta a experiência do silêncio: o homem vê-se a si próprio."
sábado
Vê por onde andas!
Espírito de Deus,
Manda-nos do céu um raio de Vossa Luz.
Vem, ó Pai dos pobres,
Doador das graças,
Luz dos corações.
Vem consolador,
Hóspede da alma,
Doce alívio, vem.
No labor descanso,
Na aflição remanso,
No calor aragem,
Vem, ó Luz Santíssima,
Encher de claridade o coração fiel.
Sem a Vossa luz nada o homem pode,
Nenhum bem há nele.
Lava o que é impuro,
Rega o que está seco,
O que é doente, cura.
Dobra o que enrijece,
O que está frio aquece,
Reconduz o errante.
Aos fiéis concede,
Toda Igreja pede,
Os teus sete dons.
Concede o prémio do bem,
A boa morte do justo,
A eterna alegria.
Amén! Aleluia!
(Sequência do Pentecostes)
domingo
O Bom Pastor e a Mãe
(Maria Mãe do Bom Pastor)
__________
Fábula da ovelha e do lameiro
A mãe respondeu que não. A ovelhinha fez a clássica pergunta: “Por que não?” A resposta foi simples: “Porque ovelhas não chafurdam.”
A ovelhinha não se contentou. Achou que a mãe havia feito pouco caso dela e abusado da sua autoridade quando não devia. Assim que a mãe se afastou, a ovelhinha correu para o chiqueiro e pulou a cerca. Sentiu a lama fria nos pés, pernas e barriga. Pouco depois achou que já era hora de voltar para junto da mãe, mas não conseguiu! Estava presa!
Lama e lã não combinam. O prazer havia-se transformado em prisão. A ovelhinha estava desesperadamente presa em consequência da sua tolice. Ela pediu socorro e foi resgatada por um lavrador caridoso.
Depois de ter sido limpa e estar de volta ao aprisco, a mãe relembrou: “Não te esqueças de que ovelhas não chafurdam!” »
(Autor Desconhecido)
O mesmo acontece com o pecado. Sempre tão apetecível, e que parece tão fácil de ser abandonado quando quisermos. Mas não é assim! Os prazeres aprisionam-nos.
Por isso, os cristãos devem ter cuidado para não se deixarem seduzir pelos lameiros da vida.
Ouçamos a Mãe.
Sigamos o Bom Pastor!
"O Juízo final em versão light"
«No fim do mundo, o Juiz reunirá todos os que acreditaram nele, e há-de dividi-los em quatro grupos - ovelhas, cabras, cabritos e cordeiros.
À sua frente colocará as ovelhas:
aqueles que rezaram com fervor
aqueles que falaram dele com fervor
aqueles que fizeram jejuns por ele
aqueles que lhe cantaram.
E dir-lhes-á, naturalmente:
“Vinde benditos, recebei o meu Reino como herança.
É verdade que eu tive fome e sede
e vocês não fizeram nada,
mas isso também não era responsabilidade vossa:
Era responsabilidade das vossas organizações de caridade e acção social!
Não podeis ser condenados pelos trabalhos dos outros.”
Atrás de si ficam as cabras,
aqueles que não fizeram nada, que simplesmente se deixaram ir no rebanho…
E dir-lhes-á:
“Vinde benditos, recebei o meu Reino como herança.
É verdade que eu tive fome e sede
e vocês não fizeram nada,
mas foi porque estáveis distraídos com outras coisas!
E além disso, com quem mais poderia eu mostrar a minha misericórdia?”
À sua esquerda colocará os cabritos:
aqueles que fizeram parte dos grupos sócio-caritativos,
das conferências vicentinas,
das mesas das misericórdias e de IPSSs,
dos governos e das câmaras municipais e juntas de freguesia,
os que foram assistentes sociais,
os que andaram pela Cruz Vermelha
e por algumas ordens religiosas.
À sua direita colocará os cordeiros:
exactamente os mesmos do grupo dos cabritos,
com a diferença de que estes cumpriram bem o seu papel,
enquanto que os do grupo dos cabritos nem sempre o conseguiram fazer.
E dirá aos cabritos:
“Afastai-vos de mim,
Vós que tínheis a obrigação de cuidar de mim
na pessoa dos pobres
e tantas vezes não o fizestes”.
Depois dirá aos cordeiros
(se tiver sobrado alguém para este grupo):
“Apenas fizestes o que devíeis fazer,
nada mais do que a vossa obrigação.
Apesar disso, entrai,
Para que não se diga que eu não sou justo.”
Assim, reza esta versão do Juízo final,
que o modo mais seguro de alcançar o céu
é fugir de todo o compromisso social e caritativo…»
(Carlos Neves, in: Na Peugada do Bom Samaritano, Temas de Reflexão 2002/2003, Cáritas Diocesana de Coimbra)
O Senhor diz: "Eu tive fome... eu tive sede..." na pessoa daquele que estava ao pé de ti.
Viste-o e deste-lhe de comer e de beber?
Quantas vezes a resposta não será deste género?:
- Onde, onde? Não vi... não vi nada, não sei de nada... Mas isso não era problema meu! Para isso estavam lá os outros a quem isso competia...
E quantas fomes e sedes (de muitas qualidades) assim vão matando o nosso próximo, porque não vimos nada, ninguém vê nada... é tudo da competência dos outros.
Creio na Igreja
A água continuava a subir, e já começava a alcançar o telhado, quando resolveu orar e pedir socorro a Deus.
Deus respondeu-lhe dizendo, aguarda que já te salvarei!
Mal acabou de falar veio um homem numa canoa remando e chamou-o: Ei, entra no barco e vamos embora.
Ele olhou para a canoa que balançava na água, lembrou-se da voz de Deus e disse: Pode ir embora, Deus virá salvar-me!
Logo veio uma lancha a motor e o chamou pelo alto-falante: Ei, vamos embora que vem mais chuva!
Ele olhou para a lancha, lembrou-se da canoa balançando e da voz de Deus que lhe prometeu socorro, então disse: pode ir, Deus virá salvar-me!
E a chuva veio, e a água subia mais e mais, e ele: Deus, e Eu aqui ó!!!? já estou com água na barriga!
Então vieram os bombeiros num helicóptero, desceram uma escadinha, e gritaram: Ei, suba a escada! Ele olhou para cima, viu o helicóptero, o vento e a chuva, achou arriscado e decidiu dispensar a boleia.
Já com o nariz dentro de água orou a Deus e disse: óh Senhor! não vieste buscar-me!...
Deus então respondeu: enganas-te, mandei-te uma canoa e não quiseste, mandei-te um barco e dispensaste-o, mandei-te um helicóptero e desprezaste-o... Agora, é tarde para mandar outro meio."
Deus sempre deu meios para salvar a humanidade. Por fim enviou o seu próprio Filho, Jesus. E a Igreja é o meio que Jesus colocou ao nosso alcance para a nossa Salvação.
Porque não é possível dizer "Cristo sim, Igreja não
- A Igreja – boa, má, medíocre, santa ou pecadora, tudo isso junto – foi e continua a ser a razão de Cristo se fazer homem e se deixar matar numa cruz.
- A Igreja não é Cristo. Cristo é o absoluto, o fim; a Igreja, apenas o meio. O cano não é a água que passa por ele, mas o cano é que me traz a água!
- Há alguma outra instituição que tenha feito mais em favor dos que sofrem do que a Igreja?
- A Igreja não é perfeita. Ela é composta por homens e mulheres. A Igreja é medíocre por estar formada de pessoas como nós.
- A Igreja é a mãe que me gerou como cristão e me continua a alimentar.
"Eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt. 16,18)
quarta-feira
Nós... esses ouriços!?!
"No Verão, uma família de ouriços-cacheiros instalou-se na floresta. Fazia muito calor e durante todo o dia abrigavam-se sob as árvores. Brincavam às escondidas entre as flores, apanhavam moscas para se alimentarem e, de noite, dormiam no musgo fofo.Um dia, viram cair algumas folhas: tinha chegado o Outono. Brincaram, correndo atrás das folhas que caíam em maior número. E, como as noites eram cada vez mais frias, começaram a dormir sobre as folhas mortas.
O frio começou a aumentar. A neve já cobria as folhas e o rio tinha gelado. Os ouriços tiritavam todo o santo dia e, de noite, não pregavam olho.
Decidiram então apertar-se uns contra os outros para ficarem mais quentinhos, mas fugiram pelos quatro cantos da floresta. Porquê? Porque se feriram uns aos outros com os picos que possuíam. Timidamente, aproximaram-se outra vez, mas picaram-se de novo no nariz e nas patas.
De cada vez que tentavam reunir-se sucedia o mesmo, mas era preciso que se unissem, como todos os animais, para ficarem quentinhos. Tinham que arranjar uma forma de se aproximarem. E tentaram; muito suavemente, pouco a pouco, os ouriços foram-se aproximando uns dos outros, baixaram os seus picos e, com muita precaução, encontraram finalmente o ponto exacto de encosto.
Podiam agora juntos enfrentar o vento gelado ou mesmo a fria neve, que já não lhes fariam mal algum. Já dormiriam agora muito bem, porque o calor não voltaria a faltar!"
(Jacinto Jardim, O Método de Animação)
segunda-feira
Dia do doente

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluídos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela.
O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vista no horizonte.
Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena. Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.
Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.
Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.
Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora.
Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela... que dava, afinal, para uma parede de tijolo!
O homem chamou a enfermeira e perguntou o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.
A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. "Talvez ele quisesse apenas dar- lhe coragem...".
Qualquer um de nós, mesmo com quaisquer enfermidades, pode sempre tornar o outro um pouco mais feliz!
Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas.
A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.
domingo
Caçar macacos ou a Porta Estreita
Vem este conto a propósito da Porta Estreita, aquela pela qual somos todos convidados a entrar.
E é verdade que são muitos os que por ela querem entrar mas é preciso esforço para passar através dela.
Os que são demasiado grandes e largos não cabem. Temos que ser pequeninos, despojar-nos de tudo o que nos causa aumento de volume e que não nos deixa caber na porta.
Na minha opinião, a porta foi feita à nossa medida, e não para nos exigir sacrifícios. Nós somos pequenos, não necessitamos de portas grandes, por isso temos que nos reduzir à nossa pequenez. O que acontece é que temos a mania das grandezas, mas não podemos ser maiores do que a porta, senão não conseguimos entrar. Corremos o risco de ficar do lado de fora e ouvir “Não vos conheço”.
Pudera! Se se está demasiado grande e gordo, toma-se outros ares, outra figura, já não se parece a mesma pessoa.
Lembrei-me agora daquela publicidade: Mudaste, mudaste!...
Como é que podemos reconhecer uma pessoa que já não vemos há muito tempo, se essa pessoa está diferente?! Mesmo que diga “Então eu andei contigo por aí…”. Mas deixou de haver contacto e ocorreram modificações.
Pois é!...
Se nos tornarmos diferentes do que éramos originalmente, grandes em vez de pequenos… gordos em vez de magros… orgulhosos em vez de humildes… pecadores em vez de inocentes…, para além de não cabermos na porta, ouviremos “Não vos conheço”, tal é a nossa mudança, a nossa desfiguração.
Aí, seremos caçados como os macacos, pelo caçador que nos espreita à espera que não consigamos largar o isco que nos lançou.
segunda-feira
Anunciar o amor de Deus ao pobre
Quanto vale a vida?
- Professor, quanto vale a vida humana?
O professor ficou pensativo. Naquele momento passaram-lhe pela mente as questões clássicas (Donde venho? O que faço? Para onde vou? A vida humana acaba nesta terra? Existe o transcendente? Quem dá sentido à vida?). Após alguns momentos, retirou o anel que tinha no dedo, com uma pérola, entregou-o à aluna e disse-lhe:
- Vai perguntar às pessoas quanto vale o anel. Mas não o vendas. Depois de saberes as respostas, vem ter comigo.
A aluna encontrou uma senhora a vender cerejas e perguntou-lhe:
- Quanto me dá por este anel?
- Dou-te 10 quilos de cerejas, respondeu a senhora.
A seguir encontrou um senhor que vendia uvas:
- Quanto me dá por este anel?
- Dou-te 100 quilos de uvas.
Mais adiante, encontrou uma ourivesaria. Entrou e perguntou:
- Quanto me dá por este anel?
- Fico com ele por 10.000 euros.
Entrou noutra ourivesaria. O ourives, ao examinar o anel, olhando por cima dos óculos, com uma expressão enigmática, disse à aluna:
- Este anel vale mesmo muito. Pode ter um valor incalculável.
Depois, a aluna foi ter com o professor e entregou-lhe o anel. Este interpelou a aluna:
- Entendeste agora quanto vale a vida humana?
- Não. Respondeu a aluna.”
[In: O desafio de Viver, S. N. E. C. (9.º ano)]
E tu entendeste?
Quanto vale, para ti, a vida humana?
Queres imaginar como termina a história?...
Qual será a resposta que o professor vai dar à aluna?
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Adenda em 19/05/2007
A resposta do professor:
"- Pois é, disse o professor. Para uns, a vida humana vale 10 quilos de cerejas, para outros 100 quilos de uvas, para outros 10.000 euros.
Mas o valor da vida humana é incalculável. Não há dinheiro que pague o valor da vida humana. É que a vida humana não é mercadoria, não é material negociável, mas é um dom de Deus dado à própria pessoa. E nenhum dom se negoceia, mas respeita-se, por ser dom, pela ligação à pessoa que no-lo deu e pela marca da sua dignidade."
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