domingo

Vigiai


Estai despertos – diz Jesus – acordados, não vos deixeis dormir …

«Vigiai, com os olhos bem abertos. 
Mas o que é que significa vigiar? 

 Vigiar significa considerar os outros, 
significa amar cada um como um irmão, 
 sem nunca desejar possuir alguém como propriedade privada; 
significa servir a todos, mas não escravizar ninguém.
(...)
Para que haja uma atitude de vigilância 
é necessário cultivarmos o silêncio 
 que nos faz estar atentos uns aos outros! 
 O silêncio é o espaço onde pode nascer em nós alguma coisa de novo...
(...)
"Sem o silêncio, a nossa vida não se lê.... 
o silêncio é muito importante, 
porque é através dele 
que ouvimos o falar escondido, misterioso, luminoso de Deus.(...)” (Tolentino Mendonça)»
(Padre João Torres, “Ainda melhor no silêncio”, reflexão para o 1.º domingo do Advento Ano B)

 

quarta-feira

Eu por ti...

Grupo das Terças, Eu por ti
(partitura)

«Eu por ti, acertaria o meu passo ao teu caminhar. 
Eu por ti, o teu problema arcaria sobre mim 
e abraçaria o horizonte que trazes dentro do teu olhar. 

Eu por ti, buscar-te-ia no mar da tua solidão. 
Eu por ti, te encontraria no grito dos teus porquês, 
não pensando às minhas decisões e aos meus critérios, se falas tu... 

Eu por ti, palpitaria pelos teus desejos. 
Eu por ti, daria voz às tuas mil razões. 
Eu por ti, 
eu por ti, perder-me-ia no teu pranto, 
cantaria o teu próprio canto, 
que esta força em mim, 
deixaria a ti primeiro colher a flor do meu jardim.  

Eu por ti, faria ecoar no meu peito a voz da tua dor. 
Eu por ti, suportaria a tua fragilidade 
e ancorar-te-ia à minha mão se fosses arrastado na maré... 

Eu por ti, faria minha a angústia que vive em ti. 
Eu por ti, entregaria os meus trunfos à tua mão; 
por ti sentiria a saudade pelo fragor da terra que deixaste... 

Eu por ti, palpitaria pelos teus desejos. 
Eu por ti, daria voz às tuas mil razões. 
Eu por ti, 
eu por ti, seria o eco do teu canto,
na apatia e na alegria, 
que esta força em mim, 
deixaria a ti primeiro colher a flor do meu jardim.»

Original: "Vorreido grupo italiano "GEN Rosso".

Uma possível tradução mais literal de "Vorrei", para melhor compreensão da letra "Eu por ti":

Gostaria de sentir em primeira mão os teus problemas,

gostaria de carregar os teus fardos nos ombros,
gostaria de abraçar o teu horizonte
ver o mundo com os teus olhos.

Gostaria de sentir dentro de mim a angústia que sentes,
gostaria de senti-la completamente minha porque
gostaria de não pensar em soluções,
ou em minhas opiniões, se tu falares.

Eu gostaria de ser unido aos teus pensamentos.
Gostaria de ser unido aos teus desejos.

Eu gostaria, eu gostaria
de ser unido ao teu choro,
unido ao teu canto
sim, eu gostaria... eu gostaria...
porque na minha vida
eu coloquei-te antes de mim.

Eu gostaria de me sentir sem fôlego se o não tiveres
Gostaria de me sentir mal se não tivesses forças, 
gostaria de te ancorar em minhas mãos
se a tua vida perdesse altitude.

Gostaria de me sentir um sem-abrigo se tu não tiveres um tecto,
gostaria de me sentir um exilado se tu o estivesses,
gostaria de poder dar-te o meu emprego
se tu não conseguires encontrar um.

Gostaria de ser um com as tuas amarguras,
gostaria de ser um com as tuas certezas.

Eu gostaria, eu gostaria
de ser um de vocês no tédio,
um de vocês na alegria
sim, eu gostaria... eu gostaria...
porque na minha vida
vos coloquei antes de mim.

Para reflectir:
Quem é que está disposto a ser sempre pelos outros, 
a colocar os outros antes de si?...


segunda-feira

Ser discípulo

No 22.º Domingo Comum, a liturgia da Igreja convida-nos a descobrir “a loucura da cruz”, e é-nos proposto seguir os passos de Jesus, para uma entrega da vida, como oferta de amor. Deixemo-nos seduzir pelo Senhor, como Jeremias, para nos oferecermos, pela misericórdia de Deus, para agir segundo a sua vontade. Como discípulos, seguiremos o caminho de Jesus, e não andaremos à procura de triunfos e êxitos mundanos, mas queremos ter uma atitude semelhante a Jesus, no dom da vida, até à morte, se necessário.

Deus todo poderoso, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por NSJC…    (Oração de colecta do XXII Domingo comum)

Por bons que possamos ser, só o amor de Deus, no nosso coração, realiza o que há de melhor, e nos leva à plenitude pela vida nova. Peçamos essa graça.

“Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-Me”   (Mt. 16, 21-27)

Jesus ensina-nos como ganhar a nossa vida, e adverte-nos de como podemos perdê-la. Procuremos ser seus discípulos, assumindo a nossa cruz, para darmos a vida. Por isso rezemos.

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a XXII semana Comum, ano A)

 
«aceitar a nossa cruz significa compreender que o SOFRIMENTO faz parte da vida de toda a gente e que a nossa cruz não se deve transformar na cruz de mais ninguém... 
(...) 
Mas, "A cruz nada mais é do que o sofrimento (...) que teremos de partilhar com Cristo se realmente seguirmos os seus passos. 
(...)
Quem pensa só em si mesmo, quem usa os outros, quem muda de ideias, quem julga sem se expor, nunca entenderá a linguagem da cruz! Porque a cruz é outra coisa...»

Quem é Cristo para mim?

«Quem sou Eu para ti? 
 Pergunta de Jesus a cada um de nós! 
(...) 
Eu posso ser seu: “simpatizante” e “ouvinte” ou seu “amigo” e “seguidor”. 
(...) 
Cristo não é o que digo d’Ele, mas o que vivo d’Ele... 
Cristo não é as minhas palavras, mas o que d’Ele arde em mim... 

Quem sou Eu para ti? 
Deus não quer saber do que sabemos d’Ele, mas da nossa paixão por Ele…»
(Padre João Torres, Quem sou Eu para ti?)

Vivemos o 21º Domingo comum, em que na liturgia da Palavra percebemos a necessidade de ter duas traves mestras para manifestar a autencidade da fé: a relação com Cristo e com a Igreja

A manifestação da fé em Cristo oferece-nos o dom da Igreja, que leva a dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. No evangelho deste dia verificamos a dificuldade de perceber a identidade de Jesus, mas nos nossos dias continua a haver tantas lacunas, no conhecimento da sua vocaçáo e missão, por parte de muitos cristãos! Por isso, continua a ser vital perceber quem é Jesus para nós.

Senhor nosso Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por NSJC… (Oração de colecta do XXI Domingo comum)

Como é bela esta oração, num convite a mergulhar onde se encontram as verdadeiras alegrias, as únicas que nos realizam e tornam felizes! Reparem que nos basta um único desejo!

«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt. 16, 13-20)

Façamos também esta confissão de fé, como Pedro. Repitamo-la com frequência, ao longo da semana.

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a XXI semana Comum, ano A)

Jesus está connosco

«O tempo de férias, mais do que ser apenas aproveitado para descanso, deve proporcionar a descoberta de outros horizontes, privelegiar a relação pessoal, nomeadamente com a família e amigos, aprofundar a dimensão de Deus, e valorizar a beleza da natureza e do ambiente. Se isso não acontecer, podemos terminar este tempo de repouso mais cansados, deprimidos e empobrecidos. Que por isso seja bem vivido!

Celebrámos o XIX Domingo comum. Mas, durante a semana, ocorre a solenidade da Assunção de Nª Senhora, que não podemos ignorar. A autenticidade da nossa fé não pode passar à margem, ou no esquecimento, desta perspectiva. Oxalá tenhamos a determinação de não esquecer esta participação.

A liturgia deste domingo convida a abrir-nos à revelação de Deus. Fala-nos de um Deus apostado em percorrer, de braço dado com os homens, os caminhos da história. Como o profeta Elias, o encontro com Deus faz-se na simplicidade e na interioridade. Ele está na “brisa suave”. Que não tenhamos recusas, na relação com Ele, como S. Paulo lembra aos romanos. Mas, as adversidades devem proporcionar a experiência da fé, para sermos fortalecidos na confiança, como Jesus lembrou a Pedro, no episódio da tempestade na barca.

"Deus todo poderoso e eterno, a quem o Espírito Santo nos ensina a chamar confiadamente nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por NSJC…" (Oração de  Colecta do XIX Domingo comum)

"Tu és verdadeiramente o Filho de Deus." (Mt. 14, 22-33)

Como os discípulos, prostremo-nos e adoremos, rezando esta Palavra, com frequência.

Como é bom experimentar a presença de Jesus, na barca da Igreja, acompanhando a caminhada da História, para enfrentar as tempestades de todos os tempos! Também a nós, Jesus poderá ter de dizer: "homem de pouca fé, porque duvidaste?" No reconhecimento da sua divindade, Ele continua a encher-nos de confiança.»

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para  XIX semana do Tempo Comum, ano A)

 
«Às vezes estamos no meio de uma tempestade... levantam-se ondas de obscuridades sem sentido, de medos paralisantes, de dúvidas angustiantes... sopram outros ventos tempestuosos que nos ameaçam, arrastando tantas seguranças que nos sustentaram, quebrando tantos salva-vidas aos quais nos agarrávamos... 

Mas, no meio das tempestades urge não perder a calma, ter a coragem de “permanecer na barca” e não permitir que o ruído dos ventos nos vença, que os relâmpagos nos ceguem, que as ondas nos levem... 

Afinal, somos “seres de travessia”. Jesus está connosco e nos diz: “Coragem! Sou eu, não tenhais medo!»



domingo

Transfigurados por Cristo

«A celebração da Eucaristia é fundamental, para uma fé autêntica e coerente. Não pode haver domingo sem Eucaristia.

Hoje celebrar-se-ia o XVIII Domingo comum, mas como ocorre no dia 6 de Agosto, tem preferência a celebração da festa da Transfiguração do Senhor, que é própria deste dia. Será bom saber que a festa da Transfiguração do Senhor, celebrada no Oriente desde o século V, celebra-se no Ocidente desde 1457. Por ser importante, o Papa S. João Paulo II, ao propor novos mistérios para a recitação do terço (Luminosos), um deles reflecte precisamente a Transfiguração do Senhor. A Transfiguração, manifestação da vida divina, que está em Jesus, é uma antecipação do esplendor, que encherá a noite da Páscoa. Os Apóstolos, quando virem Jesus na sua condição de Servo, não poderão esquecer a sua condição divina.

Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé, com o testemunho da Lei e dos Profetas, e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a Palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar da sua glória. Por NSJC…  (Oração de colecta da Transfiguração do Senhor)

Que belíssimo quadro da transfiguração do Senhor! Queremos participar com Ele, para obtermos também a graça da transfiguração. Na oração do fiéis, na Eucaristia de hoje, pedimos esse dom!

"Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O". (Mt 17,1-9)

Que bom escutarmos também nós!»
(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para  XVIII semana Comum, ano A)

 

«A JMJ é uma verdadeira Transfiguração de luz e de beleza... Trata-se de ver Jesus como o sol da nossa vida, e a nossa vida mover-se debaixo do sol de Deus. Isso provoca alegria e contágio. Ajuda-nos a alcançar outra perspectiva de vida, mais luminosa, mais positiva, mais confiante.
 
O primeiro passo para se ser contagiado pela beleza e luz de Deus é a escuta, dar tempo e coração ao seu Evangelho. E depois segui-lo, amando as coisas que Ele amava, preferindo aqueles que Ele preferia, reprovando o que Ele reprovava.»

Então veremos a gota de luz oculta no coração vivo de todas as coisas, veremos um rebento de luz despontar e subir dentro de nós.»

segunda-feira

Saber discernir

«O Evangelho deste domingo recolhe algumas parábolas brilhantes de Jesus, que pretendem comunicar algo, que tantas vezes esquecemos: o encontro com Deus é a coisa mais bela que nos pode acontecer, é uma surpresa pela qual vale a pena abandonar tudo, uma alegria que nos faz esquecer todo o resto. Mas para que tal aconteça temos que agir com astúcia e urgência.»

 
Padre João Torres, Movidos pela alegria

«No XVII Domingo comum, a liturgia da Palavra interpela-nos para assentarmos a construção da nossa vida nos valores fundamentais que Cristo nos transmite. A 1ª leitura apresenta-nos o exemplo de Salomão, que não se deixa enganar por valores passagerios e frustrantes. Na continuidade, da carta aos romanos, somos chamados a descobrir como ”Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam”. No evangelho, através das parábolas somos instruídos nos valores do Reino, através do tesouro escondido, da pérola mais preciosa e da rede.

"Senhor nosso Deus, protector dos que em Vós esperam, sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir, desde já, aos bens eternos. Por NSJC…" (Oração da colecta do XVII Domingo comum)

Com certeza que os bens deste mundo são bons, úteis e necessários. Mas não nos deixemos enganar: são passageiros, e não devem sobrepôr-se aos bens eternos. Por isso, precisamos viver as parábolas de hoje.

"Todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas". (Mt. 13, 44-52)

Não somos escribas, mas pedimos a Deus que nos instrua, para percebermos e experimentarmos o valor indispensável e riqueza mais preciosa do Reino, numa vida em Cristo.

Como Salomão, mais do que riqueza ou vida longa, precisamos da sabedoria, para fazermos as verdadeiras opções, pelos valores eternos.»

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao XVII Domingo Comum, ano A)

domingo

Há pressa no ar

 JMJ 2023 - O Hino

 
Hino da JMJ Lisboa 2023 - "Há pressa no ar"
Autores: Pedro Ferreira e Padre João Paulo Vaz 


"Com Maria, ensaiamos um sim.
(...)
Foi Maria quem primeiro acolheu
A grande surpresa da vida sem fim."

O trigo e o joio

«Volta o desafio das parábolas, para tentarmos perceber o sentido da semente do trigo e do joio. O evangelho é claro. 
Um desafio: meditem na íntegra o texto do evangelho. Se formos coerentes e autênticos, podemos descobrir uma grande riqueza. A beleza do texto tem uma profundidade inexcedível. Que nos enriqueça!

O 16º Domingo comum convida a continuar a viver as parábolas, com o tema da semente, na liturgia da Palavra. Mas, no centro, está a boa notícia do Reino de Deus.

O Senhor é indulgente e compassivo para com todos, lembra a 1ª leitura, e, através do Espírito Santo, vem em auxílio da nossa fraqueza, assim propõe a 2º leitura, da carta aos Romanos. Mas pelo evangelho percebemos como o trigo e o joio germinam ao mesmo tempo no nosso coração. Importa, pois, reflectir a mensagem que Jesus nos propõe.

"Sede propício, Senhor, aos vossos servos e multiplicai neles os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem na fiel observância dos vossos mandamentos. Por NSJC…" (Oração de colecta do XVI Domingo comum)

Suplicamos ao Senhor, que envie sobre nós a abundância dos seus dons, para que progridamos na Graça, através das virtudes da fé, da esperança e da caridade.

"A boa semente são os filhos do Reino e o joio são os filhos do Maligno". (Mt. 13, 24-43)

Precisamos de aprender a discernir as sementes que frutificam em nós, pela qualidade do trigo ou do joio. A Palavra que proponho, para rezarmos durante a semana, ajudar-nos-á a frutificar. Mas não esqueçamos que em nós há sementes de trigo e de joio.»

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao XVI Domingo Comum, ano A)

 
"Alguém pergunta a um grupo de crianças como seriam os seus corações, se os corações maus fossem escuros e branquinhos os corações bons, respondeu imediatamente uma pequenina: “Ah! O meu é às riscas!” 
(...) 
O trigo e o joio não são dois tipos de pessoas, mas duas formas de conduta, que estão (sempre) presentes em cada um de nós." (Padre João Torres)

.

segunda-feira

A semente do Reino

«Vivemos estes dias de Julho intensamente, na perspectiva da Jornada Mundial da Juventude. Há jovens a despertar. E isso é muito positivo, pois deram-se conta de que não podiam ficar de lado ou para trás.

A nossa participação regular na Eucaristia é fundamental, para que muitos não fiquem arredados do essencial da vida de fé e da experiência autêntica da vida cristã. Tal como precisamos de alimentar-nos regularmente, igualmente a fé, para ser verdadeira, precisa do alimento fundamental.

Celebramos a liturgia do XV Domingo Comum, que nos convida a viver a importância da Palavra de Deus, para alimento da nossa fé. Tal como a chuva, ao cair sobre a terra, produz o seu fruto, assim a Palavra que sai da boca de Deus, lembra a 1ª leitura. É nosso dever preparar a terra do nosso coração, para frutificar. Mas é o Espírito que opera a renovação, pela libertação do nosso corpo, lembra a carta os Romanos. Por isso, Jesus quer continuar a lançar a semente do Reino, no terreno do nosso coração. É nosso dever prepará-lo para frutificar.

"Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por NSJC…" (Oração da colecta do XV Domingo Comum)

Declarar-se cristão não se faz apenas por palavras, mas leva ao compromisso de ser outro Cristo e a praticar as exigências da fé. É essa graça que pedimos na Eucaristia de hoje.

"E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende". (Mt. 13, 1-23)

A Palavra é eficaz: cumpre o que anuncia. Mas dará fruto mais abundante, pela nossa resposta, preparando o terreno do nosso coração. Na oração, o Espírto Santo vem ajudar-nos.»

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao XV Domingo Comum, ano A)


Podem vir a propósito, as palavras do Pe. António Vieira, no Sermão da Sexagésima:

"A pregação que frutifica, a pregação que aproveita, não é aquela que dá gosto ao ouvinte, é aquela que lhe dá pena.
Quando o ouvinte a cada palavra do pregador treme; quando cada palavra do pregador é um torcedor para o coração do ouvinte; quando o ouvinte vai do sermão para casa confuso e atónito, sem saber parte de si, então é a pregação qual convém, então se pode esperar que faça fruto: Et fructum afferunt in patientia.

Enfim, para que os pregadores saibam como hão-de pregar e os ouvintes a quem hão-de ouvir, acabo com um exemplo do nosso Reino, e quase dos nossos tempos. Pregavam em Coimbra dois famosos pregadores, ambos bem conhecidos por seus escritos; não os nomeio, porque os hei-de desigualar. Altercou-se entre alguns doutores da Universidade qual dos dois fosse maior pregador; e como não há juízo sem inclinação, uns diziam este, outros aquele. Mas um lente, que entre os mais tinha maior autoridade, concluiu desta maneira: “Entre dois sujeitos tão grandes não me atrevo a interpor juízo; só direi uma diferença, que sempre experimento: quando ouço um, saio do sermão muito contente do pregador; quando ouço outro, saio muito descontente de mim.” 

Revelação aos pequeninos

«Estamos no XIV Domingo Comum, em que a Palavra de Deus faz um convite à humildade e à pequenez (espiritualmente), pois os arrogantes, vaidosos e autosuficientes, não são capazes de perceber, pois que estão cheios de si. Deus revela-se aos simples e humildes.

Senhor nosso Deus, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o  mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por NSJC…  (Oração de colecta do XIV Domingo Comum)

"Vinde a Mim… e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração". (Mt. 11, 25-30)»

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao XIV Domingo Comum, ano A)

 
 Comentário/reflexão do padre Manuel Barbosa, scj, para o 14.º Domingo do Tempo Comum - Ano A.

domingo

Escola de discipulado

«O assunto, apresentado em título, procura ajudar a entender o sentido da liturgia da Palavra da Eucaristia deste domingo. Bom seria que todos procurem esse aprofundamento, e se esforcem por procurar corresponder, porque Jesus bem nos diz quem "não é digno de Mim".

Numa refeição, temos uma variedade de alimentos e de bebidas, que a tornarão, não apenas mais agradável, mas indispensável para o fortalecimento das nossas forças, renovação das energias, crescimento e sustento do nosso corpo. Na Eucaristia buscamos o apoio indispensável, que Cristo nos oferece, desde a sua instituição na última Ceia. Como será possível haver baptizados, que a põem de lado, e são capazes de passar o domingo sem ela? Os mártires da Abitínia (norte de África), no séc.I, diziam: "Sine Dominico no possumus!" Mesmo sendo uma frase em latim, todos entendemos que não eram capazes de passar o domingo sem a Eucaristia. Torna-te também um apóstolo da Eucaristia. Não podemos viver sem ela.

Além de três leituras e de um salmo, nas Missas solenes, somos ainda alimentados por vários cânticos, bem como pela riqueza de outros momentos, e da oração eucarística, que nos proporcionam um alimento substancial e indispensável para a fé. Por isso é uma refeição sagrada e imprescindível, e que nos prepara para o banquete do fim dos tempos. Com discípulos de Jesus, alimentemo-nos com a sua Palavra, para termos a sua Vida, e sermos suas testemunhas. N’Ele, temos uma vida plena, segui-lO-emos, e partilhá-lO-emos aos outros.

"Senhor nosso Deus, que, pela graça da adopção nos tornastes fillhos da luz, não permitais que sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas permaneçamos sempre no esplendor da verdade. Por NSJC…" (Oração da colecta do XIII Domingo comum)

"Filhos da luz"…, que grande graça! Por isso, abandonamos as obras das trevas, do pecado e da vida velha. O mundo, e a sociedade de hoje, convidam as pessoas a procurar ser estrelas, a brilhar diante dos outros. Mas, afinal, pela graça de sermos e vivermos como filhos de Deus, pedimos a bênção de continuar no esplendor do Senhor, da verdade e da vida!

"Quem vos recebe, a Mim recebe, e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou". (Mt. 10, 37-42)

Como discípulos de Jesus, somos chamados e enviados, em missão. Assumamos essa consciência na partilha da vida, no anúncio de Jesus, no serviço aos mais necessitados. Por isso rezamos esta Palavra, para nos sentirmos enviados por Jesus. Dar um copo de água fresca, não ficará sem recompensa! Há duas semanas rezávamos: "recebestes de graça, dai de graça"!»
(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao XIII Domingo Comum, ano A)

sábado

Envolve-me no manto que aquece


Mãe olha para mim
autoria: Irmã Maria Amélia da Costa

"Mãe, olha para mim
Guarda o meu Sim, neste novo dia.
Como Tu, quero me entregar.
‎Ensina-me a rezar: Avé Maria!


‎Coloca Tuas mãos sobre meus olhos
De Mãe que o filho adormece;
‎fixa no meu o Teu olhar,
‎Escuta, Virgem Mãe, a minha prece.

‎Coloca Tuas mãos em minha fronte,
Envolve-me no manto que aquece;
Venho para estar junto de Ti,
Escuta, Virgem Mãe, a minha prece.

Sabes dos meus sonhos e anseios.
‎Que eles sejam, Mãe, também os Teus;
Escuta, Virgem Mãe, a minha prece,
Ensina-me a dizer meu Sim a Deus."

Partitura 

sexta-feira

Que precioso é Teu Amor, Senhor Meu Deus!


"Porque toda a Vida vem de Ti
Em Tua Luz, vejo a Luz.
Porque toda a Vida vem de Ti
E Tua Luz faz-me ver a Luz.


Que precioso é Teu Amor, Senhor Meu Deus,
Mais do que a Vida, sim.
E na sombra das Tuas asas
Buscarei refúgio e paz.

Na abundância do Amor me prostrarei
Ante Teu Trono, oh Deus.
Nos Teus átrios com Temor Te louvarei
Por Tuas Graças, Senhor.

Na abundância dos Teus átrios
Gozarei como o melhor festim.
Do Teu rio de delícias
Beberei todo o melhor."
[Porque toda a Vida vem de Ti (Baseado no Salmo 36, 7-9)
Autoria de John Keating - Servants of the Word – Sword of the Spirit
Traduzida do original 'In your light we see light']

segunda-feira

Deus é amor!

«O Deus de Amor esteja connosco!

Terminado o tempo pascal, na liturgia da Igreja, retoma-se o tempo comum, iniciado após o tempo de Natal, e interrompido quando se entrou na Quaresma. Por isso, a semana que terminou foi a VIII do Tempo comum, mas no domingo a seguir ao Pentecostes celebra-se a solenidade da Santíssima Trindade.

Na Santíssima Trindade, mais do que celebrar “um só Deus em três pessoas”, somos convidados a viver o Deus de Amor, pois mergulhamos na comunhão deste mistério, que nos sacia a fé. A 1ª leitura apresenta-nos um Deus clemente e compassivo, cheio de misericórdia e fidelidade, que nos permite experimentar o amor que Deus nos tem. Na 2ª leitura, S. Paulo faz uma saudação trinitária, que frequentemente usamos no início da celebração da Eucaristia. No fundo, é um convite a mergulharmos nesta relação de amor. No evangelho, pelo diálogo de Jesus com Nicodemos, traz-nos a oferta do amor de Deus, tão grande, que levou o Pai a enviar-nos o seu Filho, para termos a vida eterna.

Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito de santidade, concedei-nos que na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por NSJC… (Oração de colecta na solenidade da Santíssima Trindade)

Esta oração leva-nos a viver o mistério do amor de Deus, na comunhão com as pessoas divinas; o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mergulhemos na fonte de graça, de vida e de verdade.

"Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito." (Jo. 3,16-18)

Quem de nós daria o filho único, com todo o amor, como Deus o fez para connosco? Como Lhe estamos gratos! Agradeçamos, e vivamos como seus filhos, procurando corresponder a este amor.

Que o amor de Deus reine em nossos corações!» 

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao Domingo da Santíssima Trindade, ano A)

Ver também:

A SANTÍSSIMA TRINDADE - "TRÊS JEITOS DE AMAR" (padre João Torres)

Transformados no amor da Trindade (padre Manuel Barbosa, scj):

domingo

A nossa mãe e a mãe Igreja

No primeiro domingo de Maio, em Portugal, é dia da mãe. É um convite a vivermos a maternidade, a começar por aquela que foi instrumento privilegiado para vivermos uma existência plena de sentido. Se começa por nos ajudar a situar neste mundo, contudo, o plano é bem mais largo, pois faz parte dos projectos de Deus, que para isso nos gerou para uma vida nova, através da nossa mãe Igreja. Mas também se alarga o horizonte, ao conhecermos o amor numa vida mais plena, esta maternidade é assumida na forma mais sublime, através de Maria, mãe de Jesus e de todos os homens. No entanto devemos acentuar que, verdadeiramente, o dia da mãe diz respeito sobretudo à missão daquela que Deus escolheu para nos trazer para a vida, com sentido integral, para não se reduzir a simples progenitora.

Ao celebrarmos o 5º domingo de Páscoa, a Palavra de Deus convida-nos a aprofundar o sentido da vida que a Igreja nos transmite, pois somos comunidade que nasce da vida de Jesus. Assumimos o desafio de procurar viver e crescer como membros, unidos pela fé e pelo amor, na realização dos desígnios de Deus, para termos a vida, a que Deus nos chama. Assim, somos membros da família de Deus, e templo espiritual, como pedras vivas, convidados a seguir o caminho, que é Jesus. É assim que nos inserimos neste plano e queremos corresponder à forma mais bela da nossa realização.

Deus todo poderoso e eterno, realizai em nós sempre o mistério pascal, para que, tendo sido renovados pelo santo Batismo, com o auxílio da vossa proteção, demos fruto abundante e alcancemos as alegrias da vida eterna. Por NSJC… (Oração de coleta do V domingo da Páscoa)

A graça do Baptismo faz-nos viver o mistério pascal de Jesus Cristo, que actualizamos na celebração da Eucaristia. Para que a água do Baptismo, que nos deu uma vida nova, não fique estagnada, importa que ela se manifesta através da abundância de frutos, que nos levem a experimentar as alegrias eternas.

«Respondeu-lhe Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”» (Jo. 14, 1-12)

A vida é um dom de Deus. D’Ele vimos e para Ele vamos. Então, importa viver n’Ele, para caminharmos para Deus. A nossa vida deve ser uma vida em Cristo. Só por Ele podemos experimentar a autenticidade desta relação, numa verdadeira comunhão com Deus. Digamos a Jesus, em oração, a importância que Ele tem para nós.

 (Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao V Domingo do Tempo Páscal, ano A)

Também em vídeo, comentário do padre Manuel Barbosa, scj:
 

segunda-feira

Sigamos o Bom Pastor!

 «O IV Domingo de Páscoa é também conhecido pelo domingo do Bom Pastor, em virtude do evangelho, que neste domingo nos é proposto, na Eucaristia. O Bom Pastor vem conduzir o rebanho, e levá-lo às melhores pastagens, para lhes dar vida em plenitude, ao contrário dos falsos pastores, que exploram e se servem das ovelhas. O Pastor conhece cada ovelha pelo seu nome, e chama-a, caminha à sua frente, e as ovelhas precisam conhecer a sua voz, e segui-lO.

Na 1ª leitura, Pedro fala de Jesus Cristo ao coração do povo, que se interroga: “Que havemos de fazer, irmãos?” Cada um de nós também deve fazer a mesma pergunta, uma vez que só Cristo nos pode realizar plenamente. Uma vez que fomos chamados, lembra-nos a 2ª leitura, procuremos seguir os seus passos, pois somos seus discípulos, e só Ele nos faz felizes.

Deus Todo Poderoso e Eterno, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino, onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, Ele que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.   (Oração de Colecta do IV Domingo de Páscoa)

Que maravilhosa oração, a convidar-nos a abrir o coração, para beneficiarmos da vida que Jesus Cristo, nosso Bom Pastor, nos oferece, e por isso O queremos acolher e seguir, deixando o instante para ficarmos com o eterno!

"Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância." (Jo. 10, 1-10)

Como ovelhas, precisamos de escutar a voz do Pastor, para O seguirmos e participarmos na vida abundante que nos oferece. Falemos com Ele. Digamos-Lhe da importância que Ele tem para nós. Escutemo-lO, respondamos-Lhe, e sigamo-lO!»

 (Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao IV Domingo do Tempo Páscal, ano A)


«Jesus não foi, nem quis que os seus seguidores fossem “CARNEIRADA!”. O seu pastoreio não tinha nada a ver com poder que se impõe, nem liderança que arrasta, nem controle das consciências. (...) Segui-lo implica uma relação pessoal profunda, feita de confiança e de amor.» (Padre JoãoTorres,“Pensar diferente da carneirada”)

domingo

Ele é a nossa esperança viva!


«O evangelho deste domingo, com o episódio dos discípulos de Emaús, desalentados e sem esperança, ajuda-nos a perceber o que se passa na Igreja, particularmente nos nossos dias, com tantos cristãos, desanimados, a afastar-se e a andar para trás. Porquê tudo isto? A segunda leitura dá parte da resposta: por causa da "vã maneira de viver". Mas na primeira leitura percebemos a nossa deficiente evangelização, esquecendo-nos do anúncio do kerigma: Cristo morto e ressuscitado, e do qual nós somos testemunhas. Nesta partilha, vai uma pequena ajuda.

Graça e paz vos sejam dadas em abundância, assim apresenta a primeira carta de S. Pedro (1, 2) a saudação inicial. Salienta a grande riqueza e bondade de Deus para connosco, que muito nos deve confortar! Desde logo, corresponde a uma necessidade vital, para incutir ânimo e esperança aos nossos corações, para que não nos deixemos invadir de tristeza e desalento, como os discípulos de Emaús. Só Jesus Cristo nos pode enriquecer com a sua graça e paz, e para isso Ele vem ao nosso encontro. Abramo-nos, e seremos vivificados!

Estamos no 3º domingo de Páscoa. A Palavra de Deus, que nos é anunciada, convida-nos a acolher Cristo, que vem ao nosso encontro e caminha connosco. Também nós precisamos de fortalecer a nossa esperança, que Ele nos transmite através da sua partilha. Só Ele tem poder para revelar-nos o sentido das Escrituras, e fazer a sua experiência libertadora. Deixemos que Ele se aproxime. Mais: que entre em nós! Aqueça os nossos corações e os transforme!

Com a Eucaristia, a partilha do pão da Palavra e do seu Corpo, Ele nos fortalece. Pelo seu Espírito, Ele nos liberta, e faz despertar. Acordemos, pois! Abramos o nosso coração desanimado e triste. Procuremos reconhecê-lo com os dons que Ele nos continua a oferecer. Vale a pena deter-nos e perceber que sinais nos manifesta, hoje.

Senhor nosso Deus, exulte sempre o vosso povo, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória de adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por NSJC…  (Oração de colecta do III domingo de Páscoa)

Se existe, duma forma subjacente, o desejo duma eterna juventude, ela só é possível pela ressurreição de Cristo nas nossas vidas, e pelo poder do seu Espírito. Segundo a natureza humana, vamos crescendo e envelhecendo. Só no Espírito do Senhor alcançamos a renovação. É essa graça que solicitamos na oração colecta de hoje.

"Tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho." (Lc. 24, 13-35)

Esta Palavra faz-nos perceber o que se realiza na Eucaristia, no relato da consagração, em que o sacerdote continua a fazer o que Cristo fez, e se transformam o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Jesus, para serem nosso alimento e nossa bebida [espirituais]. Então, repitamos várias vezes esta frase, pensando na Eucaristia, com o desejo de receber Cristo, para ser nossa vida.»

 (Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para o III Domingo do Tempo Páscal, ano A, e a semana que se lhe segue)

A Misericórdia de Cristo ressuscitado

 «O Deus da vida, que ressuscitou Jesus Cristo, destruindo as cadeias da morte, esteja convosco

Esta é a saudação, indicada no Missal romano, mais orientada para o tempo pascal.

Estamos no 2º domingo de Páscoa, também conhecido como domingo de Pascoela, e, mais recentemente, domingo da divina Misericórdia, em atenção à misericórdia de Jesus ressuscitado, para com o apóstolo Tomé, para fortalecer a sua fé. Mas, todos os domingos são de ressurreição, particularmente os do tempo pascal, e, por isso, é indispensável a nossa participação, para que sejamos bem-aventurados, como Jesus disse a Tomé, de modo a sermos felizes, acreditando, sem termos visto. Sem a participação na Eucaristia, o sinal maior da presença de Jesus no meio de nós, não se chega a essa felicidade!

Este é o grande milagre, de sermos a Igreja, que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus, vivendo unidos e tendo uma só alma, como diz a 1ª leitura. É assim que a comunidade cristã é edificada, mergulhando na “fonte de uma alegria inefável e gloriosa”, lembra a 2ª leitura. 

Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo, na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis, do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito com que fomos renovados, e do Sangue com que fomos redimidos. Por NSJC…       (Oração de colecta do II Domingo de Páscoa)

      Reparemos que esta oração faz alusão aos 3 sacramentos de iniciação cristã: Baptismo, Confirmação e Eucaristia. Por isso, a vivência da Eucaristia, deve ajudar a crescer nesta vida nova, que começou no Baptismo, e se renova com o dom de Deus, que recebemos no Crisma.

"Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto". (Jo. 20, 19-31)

Tomé representa-nos. Ao manifestar-lhe a Sua misericórdia, Jesus pensa também em nós. Somos felizes, pela graça de se renovar o mistério pascal, esse caudal de graça que começou a brotar na tarde de quinta-feira, e culminou na vitória da madrugada no domingo da ressurreição. Manifestemos a Jesus a nossa gratidão por tanto amor e pela vida em plenitude.»

 (Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao II Domingo de Páscoa, ano A)

Meu Senhor e Meu Deus! (Jo 20, 28)

segunda-feira

Ressuscitou o nosso Salvador!

«Chegámos à celebração central do mistério da fé, o fundamento indispensável para a vida cristã da comunidade. Celebramos a Páscoa do Senhor, com o apoio imprescindível da Ressurreição de Cristo, para vivificação da nossa fé. Sem vivência da ressurreição, a fé da Igreja não teria sentido. Se este é o dia que fez o Senhor, cada domingo é dia de ressurreição, mas estamos numa solenidade de uma semana, fundante da páscoa semanal. Alegremo-nos e rejubilemos, porque o Senhor ressuscitou, e imprime novo dinamismo da vida à nossa fé.

Após a celebração da passagem (páscoa), na Vigília pascal, nasceu o novo dia para toda a humanidade, pois a ressurreição de Cristo traz a boa notícia da vitória sobre o pecado, a morte e a vida velha. A esperança da vida nova é oferecida a todas as pessoas, que queiram despertar para a luz, da vitória sobre as trevas, com a vida em plenitude. Vivemos o domingo por excelência, dia dos dias, princípio duma nova criação, fundamento essencial para uma vida nova em Cristo. Assumimos esse novo dinamismo, pela graça do Baptismo, em que morremos para o pecado, para vivermos sempre para Deus, em Cristo Jesus, o Senhor ressuscitado.

     A liturgia deste domingo celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto. Como discípulos de Cristo, devemos anunciar Cristo, que passou pelo mundo fazendo o bem, lembro a 1ª leitura. Revestidos de Cristo, pelo baptismo, caminhemos numa vida nova (2ª leitura), e sejamos testemunhas da ressurreição.

 Senhor Deus do universo, que, neste dia, pelo vosso Filho unigénito, vencedor da morte, nos abristes as portas da eternidade, concedei-nos que, celebrando a solenidade da ressurreição de Cristo, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida. Por NSJC…   (Oração de colecta do Domingo da ressurreição)

Abriram-se as portas da eternidade, porque Cristo ressuscitou. Participemos dessa vitória, pela ressurreição e renovação do Espírito, para que vivamos na luz e na vida plena.

Juntemo-nos a Maria Madalena, a Simão Pedro e ao outro discípulo, para nos deixarmos inundar de alegria pelos sinais da ressurreição do Senhor. Sepulcro vazio, ligaduras no chão, o sudário… 

"Viu e acreditou." (Jo, 20, 1-9)

Que outros sinais podemos descobrir?»

 (Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao Domingo de Páscoa)

da Via Lucis (no santuário de Fátima - II estação)

Santa semana!

 «Eis que chega a chamada semana maior da nossa fé. Efectivamente é assim que é conhecida a semana santa, por nela terem lugar os mistérios centrais da vida cristã. Nomeadamente, o Tríduo Pascal, sendo o mais pequeno, no tempo, da vida litúrgica, é o mais intenso nos mistérios que nos propõe para a vivência da fé. 

Vivemos o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor. Destaque para a leitura da Paixão, que é central da liturgia da Palavra desta Eucaristia. Mas a celebração é enriquecida com a bênção e procissão dos ramos, com que se inicia, para viver a entrada solene de Jesus na cidade de Jerusalém. Juntemo-nos às crianças e jovens que aclamaram Jesus Cristo, com palmas e ramos de árvore, na sua entrada em Jerusalém. Bendito o que vem em nome do Senhor!

A liturgia da Palavra começa o texto de Isaías, que nos fala do Servo sofredor. Cristo foi quem o viveu por excelência. Muito bela é também a resposta orante do Salmo responsorial: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes! A 2ª leitura fala-nos Cristo Jesus que, de condição divina, Se fez servo. Culmina depois com o relato da Paixão.

Deus todo poderoso e eterno, que, para salvar a humanidade, quisestes que o nosso Salvador Se fizesse homem e suportasse a cruz, fazei que vivamos unidos a Ele na sua paixão, para chegarmos a tomar parte na glória da sua ressurreição. Ele que é Deus… (Oração de colecta do Domingo de Ramos)

      Com o destaque da celebração da Paixão, pelo exemplo que Jesus Cristo nos deu, pedimos a graça de tomar parte, para igualmente merecermos participar na Sua ressurreição. Como discípulos, assumamos também a nossa cruz, para nos unirmos à Sua paixão e ressurreição.

"Este era verdadeiramente Filho de Deus." (Mt. 26, 14 - 27, 66)

Como estamos a sós, com Ele, primeiramente eu sugiro que leiamos e meditemos todo o relato da Paixão. Mas depois, procuremos, com a graça do Espírito Santo, unir-nos em oração a Cristo, Filho de Deus.

Porque estamos na semana maior, para a nossa fé, para além da participação indispensável na Eucaristia do Domingo da Ressurreição, procuremos ter igualmente alguma das celebrações do Tríduo, se possível, na Vigília Pascal.»  (Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para o Domingo de Ramos e semana santa, ano A)

Uma outra reflexão - pelo padre Manuel Barbosa, scj:

 

Partilhas maiores