segunda-feira, setembro 14, 2009

Onde a saudade me dói

Ouvi o mar chamar por mim, insistentemente.
Fiz silêncio e pus-me à escuta: era isso mesmo, o mar sussurrava-me ao ouvido aquela melodia de que eu começava a sentir falta.

Procurei-o ao cair da tarde. Na areia branca, húmida, deixei o rasto dos pés, junto com o das gaivotas seduzidas pela traineira do peixe.
O azul imergiu-me; a distância naufragou-me.
Deixei os pés afundarem-se na areia, submergidos pela rebentação das vagas, escorridos na espuma, embebidos nessa água, mas perdidos noutro sal, porque é outro longe que eu sinto.

As gaivotas, atraídas pelo odor do peixe, voam em redor do barco em busca de alimento.
Eu procuro outro barco. Atraída pelo fragor do mar, deixo mergulhar os pés e flutuo os sentidos nesse embalo, numa ânsia de me transportar para outro lado no meio do oceano... para lá; para lá: onde a saudade me dói.







19 comentários:

  1. Lindíssimo o que escreveste! Tal como as fotos. Beijos.

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  2. Lindas as fotos, lindas as palavras !

    É engraçado como também fizeste uma foto dos teus pés na água. Foi a primeira vez que fiz isto (no meu post "Onde estou?").
    Temos muitas coisas em comum, acho eu.

    Beijinhos

    Verdinha

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  3. cada dia que passa fico mais espantada contigo minha amiga ,
    que descrição fantástica ,
    tens mesmo jeito para as palavras,
    com o teu texto até nós sentimos ,
    o mar a chamar por nós.
    as fotos estavam lindas,
    beijinhos

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  4. Belo poema querida amiga!

    A saudade, das coisas boas que passam pela nossa vida, ficarão para sempre dentro de nós.

    Beijinhos e boa semana!

    Mário

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  5. acabei de chegar... já estou a "pingar"
    quando fôr grande, é no pico que vou viver! para sempre..............
    lindo, sempre, lindo!!!!!!!!!!!!!
    BEIJINHOS

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  6. Nobres pensamentos...

    Nobre escrita. Faz-nos viajar, embalados nessas marés.

    Beijinho

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  7. ontem também lá desci no cais/bar mourato, o mar estava quente!!!
    cheguei e as saudades j+a contam...
    beijinhos

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  8. Oh, Maravilhosa e Doce Amiga:
    "...As gaivotas, atraídas pelo odor do peixe, voam em redor do barco em busca de alimento.
    Eu procuro outro barco. Atraída pelo fragor do mar, deixo mergulhar os pés e flutuo os sentidos nesse embalo, numa ânsia de me transportar para outro lado no meio do oceano... para lá; para lá: onde a saudade me dói..."

    "Isto" é de uma beleza imensa. Pura poesia genial, mesmo.
    Fiquei perplexo. Próximo. Que ternura de escrita.
    Olhe, tem aqui um leitor atento a tudo o que faz. Fá-lo deliciosa e soberbamente.
    Perfeito.
    Fantástico que cativa e deslumbra.
    Parabéns sinceros.
    É linda.
    Beijinhos amigos.
    Com respeito e poderosa estima.
    Sempre a admirá-la

    pena

    Linda...!

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  9. Onde a saudade te dói, é longe, longe, e nem me ouves a mim, que saudades tenho de ti, diz-te o mar e tu não o ouves, e nada se resolve, nem a saudade, de que só fica a espuma...
    Gostei dos seus versos e as fotos são muito bonitas.
    Obrigado pela partilha.
    E pela visita.

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  10. Que nostalgia mais linda!

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  11. Olá,

    Lindas fotos da ilha azul vendo-se a majestade do Pico ao fundo e um belíssimo texto.

    Beijos

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  12. Fá,
    Gostei do teu texto que já me fez sentir saudades do calor do Verão que se encontro no seu final.
    Bjs.

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  13. As memórias permitem-nos a ilusão de que o tempo não passou.
    Mas passou.
    Um odor, uma imagem, uma sensação, um gesto ou um som, provocam a ilusão dos sentidos e fazem-nos percorrer a memória em flashes de lembranças.
    Muitas vezes não conseguimos contextualizá-las e permanecemos ali, teimosamente, a tentar recordar onde esse 'momento de perda de presente' nos levou.
    Se o encontramos, ele revela-se, mas não igual. Tudo muda. Só fica o que queremos por força do querer.
    Há quem escreva e reescreva o que já escreveu vezes sem conta e não se aperceba disso. É a força do querer fazer perdurar a memória das lembranças.

    POTT

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  14. Muito lindo o teu poema, é na simplicidade que reside a maior beleza, a beleza de sermos nós e nos entregarmos de corpo e alma á beleza que nos rodeia, que nos faz transportar para lá...

    Beijois FA e bom fim de semana

    José

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  15. Passo por aqui, para te desejar um excelente fim de semana, e dar-te um beijo grande!

    Mário

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  16. Nos dias que não oiço o mar coloco o búzio no ouvido.

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  17. Paula,
    Obrigada!
    Beijos.


    Verdinha,
    é verdade :)
    como vês, temos sempre algum em comum com os outros.
    Beijinhos


    Teresa,
    que bom que consegui transmitir
    o sentimento pelo qual fui invadida ao poisar os pés nesta praia de areia branca, tão diferente da outro lado em que ela ou é de areia negra ou são rochas, mas de onde não tiro o pensamento.
    Beijinhos


    Mário Margaride,
    A saudade das coisas que nos enchem o coração não nos abandona nunca!
    Beijinhos


    Gaivota,
    O Pico é uma sedução!
    E no Faial tenho parte do coração...
    Beijinhos


    Canela,
    Há embalos que são viagens...
    Beijinho


    Pena,
    Muito obrigada!
    Os seus elogios são de encher a alma!
    Bem-haja.
    Beijinhos amigos.


    Eduardo,
    resta sempre a espuma!
    Obrigada!
    Bjs


    Mfc,
    sim. é nostalgia...
    Obrigada.
    Bjs


    Aníbal Raposo,
    Ilha Azul e Pico: um delicioso conjunto que não há palavras que descrevam.
    Beijos


    Å®t Øf £övë disse...
    O Verão no seu final acentua a nostalgia.
    Bjs.


    POTT,
    "As memórias são como livros escondidos no pó,
    As lembranças são os sorrisos que queremos rever devagar." (Trovante)
    Obrigada pelas tuas palavras!
    Sim, foi tudo isso num 'momento de perda de presente'.
    Bjs


    Avlisjota/José,
    ... a beleza das coisas simples!
    Obrigada!
    Beijos


    PreDatado,
    Um búzio no ouvido... sim, dizem que através dele se ouve o mar.
    Já experimentei: o mar está dentro do ouvido... :)

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  18. Cris21:49

    Arrebatador... este texto...
    Alma de poeta!
    Até me arrepio :)

    beijinhos com saudades

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  19. Oh, Cris... quem me dera aí!
    fiquei com a lágrima ao canto do olho ao ver-te aqui.
    Muitos beijinhos cheínhos de saudades

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«As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.»
(Sta Madre Teresa de Calcutá)
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