segunda-feira

Aprendendo a nadar

Hoje mergulhei
No mar das minhas lágrimas.
Quase me afoguei!

Debati-me
E emergi.
Foi então que percebi
Que urge ser forte,
Aprender a viver sem ti.

Oh!
Mas como estás longe!
Um oceano te separa de mim.
E como dói a saudade!

Estás no meu coração,
No meu pensamento
Sempre!

Apenas quero a tua felicidade.
E sabes bem
Que se fores feliz,
Eu também.

Por isso
Não me posso afundar.
Tenho de ir aprendendo
A nadar!

(Para J.P.)

domingo

Tradições – das orações e expressões orais I


Aproveitando as reuniões diárias da recitação do terço do rosário, na capelita da aldeia, procurei recuperar, junto das participantes, algumas orações antigas tradicionais transmitidas oralmente de uma geração para outra.

A oração/lenga-lenga que se segue foi-me ensinada, em criança, pela minha avó paterna, que me a fazia recitar ao pôr-do-sol. Com o passar dos anos acabei por me esquecer de algumas partes e do seu encadeamento. 
Ei-la agora recuperada:

"Já o sol se vai escondendo, 
por detrás daquela serra;
Com uma capelinha vermelha 
que lhe deu a Madalena.

Madalena escreveu 
uma carta a Jesus Cristo;
O portador que a levava 
era o padre São Francisco.

O padre São Francisco, 
vestidinho de burel,
Vai beijar as cinco chagas 
ao divino Emmanuel.

O divino Emmanuel, 
cheio de chagas e feridas;
Vai-as lavar o divino Emmanuel 
nos braços de Margarida.

Margarida não está lá, 
foi à Senhora da Luz;
Estão os Anjos cantando 
na capela de Jesus.

Na capela de Jesus, 
filho da Virgem Maria,
Rezemos um Pai-Nosso 
e uma Ave-Maria..."


sábado

Na margem


(Pintura de Karl Albert Buehr)

Sento-me na margem
E ouço os ruídos do mar
É fria a aragem!
Encolho-me
Prefiro recolher-me
À minha insignificância
E nem sequer ousar
Desvendar
Os segredos das ondas
Sou ave pequenina
Perante uma vastidão
De desconhecido
Gosto de me saber humilde
Com a certeza de que a humildade
Nunca fez mal a ninguém!
E o mar
Torna-se revolto
Agita-se
Arroga-se um deus
Deixá-lo!...
Bem pode crescer
Depois recuar
Não vou na onda
Nunca aprendi a surfar
E sei bem que é a lua
Que influencia as marés
Por isso fico na margem
Com o sol a doirar nos pés!

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