"Há prisões que não se escondem. E há prisões disfarçadas, as prisões provisórias, as prisões de emergência, porque não há lugar bastante nas prisões verdadeiras, para prender o mundo todo. Há as prisões que tem grades, sólidas grades, que se vêem e que se podem serrar. E há as que tem grades invisíveis que não se podem agarrar e sacudir de raiva enquanto os outros nos dizem a sorrir: «mas estás livre, a porta está aberta, podes sair», quando sabem muito bem que não podemos escapar. Há as prisões onde os carrascos torturam, como verdadeiras feras humanas. E as prisões onde os carrascos andam disfarçados de homens de bem, e ferem o outro lá no fundo, sem que ninguém consiga, nunca, perceber as suas muitas mãos. Há as prisões que se chamam prisão, abertamente, bem francamente, sem cerimónias. E as prisões que recebem uma quantidade de nomes arranjados, para ficar melhor, para dar uma ilusão. Prisões que se chamam barraca, cidade, fábrica, baile, bordel… Prisões chamadas regime político, sistema económico, sociedade anónima, contrato, lei, regulamento. Prisões que recebem tantos outros nomes, em todos os países e em todos os tempos. Foi o homem que construiu prisões para os outros homens. As prisões de alvenaria onde, tantas e tantas vezes, encarcera os outros, porque não pensam como ele, porque não se exprimem do mesmo modo, porque não agem da mesma forma. As prisões invisíveis que o homem construiu pouco a pouco à força de egoísmo, de orgulho ou de avareza. Uma parte da Humanidade aprisionou a outra parte." (De Poemas para rezar – Michel Quoist)
quarta-feira, agosto 01, 2007
9 comentários:
«As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.»
(Sta Madre Teresa de Calcutá)
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o texto é lindo.
ResponderEliminarbjnho
As prisões deixam sempre alguém à porta. Somos construtores de prisões cujas chaves não ficam na nossa mão, nem na nossa alma.
ResponderEliminarPrisões... Quantas vezes não somos nós próprios a construir alguma para nós ou para os outros...
ResponderEliminarBeijinhos!
Olá Fa-
ResponderEliminarPassei para te agradecer o comentário no meu cantinho, gostei muito das tuas palavras... ;)
Toda a emoção que revelaste no ticho e a tua presença lá deixaram-me muito contente.
Beijinhos
Olá Fa,
ResponderEliminarConcordo em absoluto com a Sandra Dantas, muitas e muitas vezes somos nós próprios que o fazemos, muitas e muitas vezes, somos nós, os nossos próprios carcereiros!
Excelente este texto!
Beijinhos
tantas vezes aquilo que o mundo pensa ser a liberdsde...acba por ser a maior das prisões...
ResponderEliminarbeijinhos
Ola querida,
ResponderEliminarVejo que ja venho tarde... tudo ja foi dito... Quantas vezes prendemo-nos para nao deixarmos o mundo nos conhecer? Quantas vezes prendemo-nos a um sitio ou pessoa mesmo sem querer? Quantas vezes fechamos as nossas asas?
Quanto à sociedade, ela propria pode ser uma prisao sim... Prisao de opiniões, de valores, de ideias...
Que possamos libertarmo-nos...
Beijinhos grandessss
Reflexivo texto y si nosotros construimos nuestra prisión y nuestro dolor. Te mando un beso
ResponderEliminarBom dia de nova semana,querida amiga Fá!
ResponderEliminarSomos prisioneiros hoje mais do que nunca de um vírus mortal.
Um texto do autor que mostra uma realidade de sempre. Uma parte da da humanidade refém de outra.
Tenha novos dias abençoados!
Beijinhos carinhosos e fraternos