quinta-feira, outubro 29, 2009

Ruído

É manhã. Por detrás das copas das árvores, o calor do sol quer espreitar. Os raios incidem sobre os fios finíssimos que uma fiandeira teceu de noite. Uma brisa levezinha faz dançar as folhas a um ritmo descompassado. Na esplanada do café, uma mesa com duas cervejas: pequeno almoço que as donas levam aos lábios no intervalo do cigarro e da conversa. No passeio, o sobe e desce de gente apressada. O barulho dos motores dos carros, que também sobem e descem, é misturado ao bater do martelo das obras do jardim e ao tilintar das garrafas vazias a baterem umas nas outras ao serem apanhadas do chão - ainda restos da latada. E, na frente dos meus olhos, apontamentos sobre a Carta de Ottawa nos quais tento, em vão, mergulhar.
Das duas uma: ou abstraio-me do que se passa à minha volta e me concentro no que preciso de estudar, aproveitando assim este tempo morto de espera, ou saio do carro e vou fazer uma caminhada, dar uma volta pelo jardim, respirar outro ar, beber de outras fontes. Desentorpecer as pernas, arejar a mente. Sim, parece-me bem. Esta segunda ideia é-me muito mais atraente.

16 comentários:

  1. A segunda ideia é muito mais rica em todos os aspectos !

    Beijinhos

    Verdinha

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  2. sim a segunda ideia é também a minha escolhida , vamos eu também vou seguir nessa .
    apanhar ar , por as ideias em ordem .

    beijinhos

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  3. Nem mais. Fizeste bem. Estava a ver que não vinhas ter comigo, amor, -
    - diz o bosque do ar puro, do verde e azul do céu e é também aquilo que um passarinho canta-.
    Edu
    ---------------
    Obrigado pelas tuas palavras no meu blogue.

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  4. Fá,
    Eu adoro caminhar sem destino, sentindo a brisa do ar na cara. Parece-me que a tua escolha pode ter sido a mais acertada.
    Bjs.

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  5. Nada melhor do que a brisa leve acariciando a nossa pele, mostrando a bondade de Deus conosco! Beijins!

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  6. Que forte pequeno almoço.Cerveja e ... não me diga que eram com uma sande de torresmos ou couratos, ou ... seja lá o que for.
    Depois para a digestão, então sim ... uma caminhada.
    Ainda há pessoas com bom estômago.
    Estas não necessitam da Carta de Ottawa.
    Já trataram da saúde ... e do corpo.

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  7. desentorpecer as pernas jé é muito bom!
    e arejar a cabeça!
    preciso tantooooooooooooooo
    vou falando com o meu "picaroto", e ainda tenho massa sovada e linguiça... assim "arejo"
    beijinhos

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  8. ... a segunda hipótese é bem mais arejada que a primeira que prima(?!) pela poluição auditiva e olfactiva.
    Depois no jardim, podes voltar a essa "carta" que já foi escrita há uns anos largos...

    beijos e sorrisos.

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  9. Essa postagem me lembrou a música "Construção" do Chico Buarque, me lembrou algo acontecendo às pressas, como se necessário fosse correr, andar um pouco mais acelerado.

    Beijos

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  10. Pois é minha amiga.

    A segunda sugestão, é de facto a mais saudável.

    Um bom fim de semana.

    Beijinhos

    Mário

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  11. Nada mau respirar ar puro...
    Muitas vezes há coisas mais importantes que outras.
    Viver a vida e saborear o que nos dá é bom
    Bom fim de semana, nada de matar a cabeça.
    Abraço amigo

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  12. O primeiro parágrafo do teu post pareceu-me o início de um romance, onde o autor começa por criar o contexto para a primeira cena... que também dava o início de um filme... vi as tuas imagens, todas...
    Querida amiga, nem sempre a obrigação deve estar à frente da devoção, como sabes... ainda que seja o contrário do que te ensinaram...
    Boa semana, beijos.

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  13. O pior é que o Tratado, continua lá à tua espera, para ser lido e...tratado, ehhh..Eu desligo o surfista quando o barulho é assim, irritante..beijinhos da laura

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  14. Um texto lindíssimo de um admirável hino ao existir. À vida de todos os dias. Ao compasso e ritmo do nosso quotidiano.
    Fantástico.
    Beijinhos amigos.
    Sempre a respeitá-la, cada vez mais e mais.
    É lindo, o que escreve.
    Cordialmente, o amigo sincero

    pena

    Fabuloso. Adorei.

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  15. *
    belo texto,
    felicidades,
    ,
    conchinhas,
    ,
    *

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  16. Oh amiga Fa

    E porque não levar a tal carta e depois de um momento de passeio sentares-te num banco de jardim e aí lê-la e estudá-la?!

    Beijo amigo em Cristo

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«As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.»
(Sta Madre Teresa de Calcutá)
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