quarta-feira

Família ou a célula da sociedade



A estabilidade familiar parece hoje ameaçada.

Nos tempos que correm as pessoas casam-se por amor, mas muitas já não encaram o casamento como sendo para toda a vida. Outros, prevendo um amor de curta duração, optam por nem casar. Este tipo de amor, efémero, que considero apenas carnal, ignora muitas vezes a necessidade de proteger e acompanhar os filhos, os quais, muitos deles, desde pequeninos se vão dividindo entre a casa do pai e a da mãe, sendo obrigados a adaptar-se a novas tentativas dos pais para refazerem as suas vidas amorosas.

Mesmo nas famílias que permanecem unidas, os pais não têm tempo para os filhos, sendo a educação destes deixada em mãos alheias desde pouco tempo após o nascimento.

Já nada é como dantes…

Os casais têm um filho, dois quando muito, ou nenhum, pois os tempos de hoje não permitem essas aventuras.
Encontram-se hoje mais famílias monoparentais do que famílias alargadas, constituídas por pais, filhos e avós.
O convívio com os mais velhos vai deixando de existir, pois estes, em muitos casos, são vistos como fardos e largados em lares de terceira idade.
Se não há tempo para os filhos, como haverá tempo para os pais nesta sociedade tão ávida de riqueza, sucesso e facilidades?

No entanto, é o bom relacionamento e entendimento entre as várias gerações desta comunidade de vida e de amor que permite um futuro feliz da sociedade.
Sabemos que não somos perfeitos. Mas se, apesar dos defeitos e das dificuldades de cada um, estivermos dispostos a cooperar, valorizando o amor de uns pelos outros acima de outros valores, como os económicos, de bem-estar e de prazer, tendo como prioridade a união e o entendimento entre todos os membros da família, esta manter-se-á unida e coesa.

Há pois que valorizar momentos de encontro e de diálogo entre os diversos membros da família, o exercício do amor e da ternura, o empenho na resolução dos problemas que sempre surgem, fazendo da família uma comunidade que seja lugar primordial da felicidade e da realização pessoal.
Só assim a família será de verdade a célula duma sociedade equilibrada, acolhedora e justa, onde todos nos sentiremos amados, seguros e felizes.

Acho que se não se conseguir inverter uma certa tendência para as facilidades, para o egoísmo, para o adormecimento das consciências que vão achando que tudo é normal… estamos a caminho de criar uma sociedade despudorada onde vale tudo.

Não era numa sociedade assim que eu gostaria que os meus netos nascessem!

segunda-feira

Anunciar o amor de Deus ao pobre

Luísa 
Havia naquela aldeia uma mulher chamada Luísa, cujo marido, Tibério, era alcoólico. Ele batia-lhe amiúde e destruía toda a paz do lar.
Se se podia chamar lar… Nem casa! Uma barraca de pedra, com chuva a cair em tudo o que era canto e os vidros partidos a deixarem entrar um frio de regelar os ossos. 
 Os filhos, claro, não tinham aproveitamento escolar. 

 Na terra da Luísa viviam duas mulheres (cujos nomes devem ser omitidos) convencidas da bondade do seu Deus. E tinham como certo que um Deus tão bom também queria que a Luísa fosse feliz. 
 Assim, tomaram como tarefa sua levar à Luísa um pouco de felicidade, pelo reconhecimento de também ela ser amada daquele Deus. 
 A primeira destas mulheres todas as semanas, duas tardes, ia ter com a Luísa e falava-lhe longamente desse bom Deus. 
 A segunda, todas as semanas, em duas tardes, trazia para sua casa os filhos da Luísa e dava-lhes explicações da matéria escolar. 
 Depois, convenceu o marido a que este convencesse uns amigos e fossem dar um conserto ao telhado da casa da Luísa. 
 Além disso, boca a ouvido, astuta e persistente, organizou uma espécie de consciência feminina local, de modo que quase não havia homem na terra, cujo último beijo da noite, não fosse a recomendação da companheira para controlar na taberna o vinho do Tibério! 

 Um dia, cansada do “massacre” da primeira mulher, Luísa respondeu-lhe mal, numa linguagem que aqui não convém. 

 E só muito tempo depois, um dia pelas quatro da tarde, a Luísa finalmente subiu ao templo daquele Deus bom, para lhe agradecer a existência da segunda mulher e o bem que, através dela, lhe trazia. (Escutar e Servir, Temas de Reflexão - Cáritas Diocesana de Coimbra) 

Será que não é necessário mais do que lindas palavras?!

quinta-feira

Amizade, a coisa mais linda



Ter um amigo é maravilhoso.
Ser de alguém ainda é melhor.
É como acordar e sentir o sol a brilhar.
Um amigo é alguém com quem se está bem.
Mas um amigo é muito mais do que isso!
É alguém que pensa em ti quando não estás aqui.
Nunca se está realmente só quando se tem um amigo.
Um amigo ouve o que tu dizes
e tenta compreender o que não sabes dizer.
Mas um amigo não está sempre de acordo contigo.
Um amigo contradiz-te
e obriga-te a pensar honestamente.
Um amigo gosta de ti, mesmo que faças asneiras.
Um amigo ensina-te a gostar de coisas novas.
Nunca terias imaginado essas coisas, se estivesses sozinho.
Amigo é uma palavra bonita.
É quase a melhor palavra!
Um amigo é alguém que é para ti uma festa.
Alguém que está contigo e não tem pressas.
Alguém em quem tu podes acreditar!


(Adaptação de Leif Kristiansson)
In: Com Cristo, Edições Salesianas – Porto

segunda-feira

Sete maravilhas pessoais


Fui desafiada pela Elsa a revelar as minhas sete maravilhas pessoais. 
Depois de pensar bem no assunto cheguei à seguinte conclusão:

As primeiras três maravilhas mais maravilhosas:

os meus três grandes amores - J.P.; T.J.; e J.A. – a luz dos meus olhos, o que de melhor me podia ter acontecido. Sem eles a minha vida não teria o mesmo sentido.

4- A minha grande paixão de sempre, J - o meu igual.

5- A minha capacidade (para algumas coisitas…).

6- A minha simplicidade.

7- O meu desprendimento.

São estas as maravilhas pessoais que mais me fazem feliz.

E agora vem a parte pior – a de ter de passar o desafio a alguém.
Vou desafiar a que revelem as suas sete maravilhas pessoais:

O Joaquim; A Vilma; e a Mimika.

Se alguém mais se sentir tentado, sinta-se desafiado.

quinta-feira

Noção de pertença

Mais do que a um país
Que a uma família ou geração
Mais do que a um passado
Que a uma história ou tradição

Tu pertences a ti
Não és de ninguém

Mais do que a um patrão
Que a uma rotina ou profissão
Mais do que a um partido
Que a uma equipa ou religião

Tu pertences a ti
Não és de ninguém

Vive selvagem
E para ti serás alguém
Nesta viagem

Quando alguém nasce
Nasce selvagem
Não é de ninguém

Quando alguém nasce
Nasce selvagem
Não é de ninguém
de ninguém

Delfins - Nasce selvagem
(M. Angelo / F. Cunha)


 

Resistência, Nasce Selvagem

Gosto desta canção. Mas não sei se concordo muito com a letra!
Esta leva-me a reflectir sobre o pertencer ou o não pertencer a alguém.

O que acho é que toda a pessoa tem necessidade de não se sentir desamparada. De pertencer a alguém, de ter alguém que cuide de si, que o proteja, o ame.
É-se feliz quando se pertence a alguém e/ou grupo(s).

Primeiro, os filhos pertencem aos pais. Mais tarde, chega uma altura em que são os pais a pertencer aos filhos. Existe aí uma relação de pertença, muito embora se diga que “os filhos não são nossos…não nos pertencem”…será?
Tudo tem a ver com a definição da noção de pertença.
Ninguém é completamente independente, daí o pertencer a alguém.

É claro que, pelo facto de pertencermos, não perdemos nem devemos abdicar da nossa autonomia, nem é por isso que não pensamos pela nossa cabeça. Não perdemos a nossa individualidade. Não nos devemos levar pela passividade de deixar que aqueles a quem pertencemos comandem a nossa vida. Temos de ser fiéis a nós próprios, às nossas convicções pessoais. Viver uma vida autêntica e não completamente dependente de quem nos possui.

Agora que é muito bom pertencer, lá isso é!

E constato que as necessidades de pertença vão mudando ao longo da vida. Precisamos de nos encostar a alguém, partilhar, querer bem e, também, ter alguém que se encoste a nós, que tenha necessidade de nos pertencer. Pais, filhos, marido,esposa, amigos...

Que bom é pertencer a alguém e ter alguém que nos pertença!

Saberemos nós a quem ou onde pertencemos?
Seria interessante descobrir!
“Ele nos fez, a Ele pertencemos”Pensemos nisto!

quarta-feira

SE…

Se a nota disser:
Não é uma nota que fará música,
…não haverá música.

Se a palavra disser:
Não é uma palavra que fará uma página,
…não haverá livro.

Se a pedra disser:
Não é com uma pedra que se erguerá uma parede,
…não haverá casa.

Se a gota de água disser:
Não é com uma gota de água que se fará um rio,
…não haverá oceano.

Se o grão de trigo disser:
Não é com um grão de trigo que se semeará um campo,
…jamais haverá seara.

Se o homem disser:
Não é um gesto de amor que pode salvar a humanidade,
…jamais haverá justiça e paz, dignidade e felicidade, na terra dos homens.


(Michel Quoist)

quinta-feira

Viver (n)a Justiça e (n)a Verdade

No mundo de hoje “quem tem um olho é rei”. É um mundo onde impera a falsidade. Um mundo de gente corrupta que domina através da mentira. É fraude atrás de fraude!
Hoje o poder e a riqueza são, para muitos, o que há de mais fascinante e sedutor.

A ambição do dinheiro, da produtividade e do consumo eleva-se facilmente acima de tudo e de todos. “Cada um que se arranje como puder” é o lema. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

As relações entre as pessoas, muitas vezes, medem-se em função do que se pode ganhar ou perder. “Amigos, amigos, negócios à parte”, diz-se. Em questões económicas não há lugar para a moral, até mesmo entre os cristãos.

Na ordem do dia estão a mentira, a difamação, a maledicência, a insinuação, a calúnia, a hipocrisia, o julgamento fácil, o falso testemunho…
E o faltar à verdade leva à injustiça, pois entre a justiça e a verdade existe uma relação muito íntima.

Quantos atropelos aos direitos humanos?!
Quantas situações de injustiça e de mentira no nosso mundo envolvente?!
Quantas vezes se utilizam “dois pesos e duas medidas”?!

Na base das situações de injustiça estão o egoísmo, a avareza e a falta de respeito pelos outros.

Quem se procura orientar pelos valores e não pela corrupção é apelidado de pouco esperto ou apontado como não sendo deste tempo!

Contudo, a justiça e a verdade são critérios para uma vida realizada e feliz e imprescindíveis nas relações inter-pessoais. A justiça e a verdade são dois valores que nos interpelam e desafiam a viver de modo diferente. É urgente a conversão e a mudança de vida. Assentar a vida nestes valores. Pois o cristão não deve pactuar com falsidades e meias verdades.

Mas sabemos que comprometer-se com a justiça e a verdade não é tarefa fácil.

No entanto, Deus, fonte da verdade, chama-nos a viver na verdade, uma vez que esta é uma forma de amor ao próximo. E este é expressão da vontade de Deus e construtor de um mundo justo.

Se ser cristão é seguir Jesus Cristo, não devemos temer ser diferentes e afirmar essa diferença, mesmo que nos atribuam rótulos. Ao seguir Jesus vivemos a verdade que liberta e “a verdade nos salvará”.

“Que a tua linguagem seja: sim, sim; não, não.”(Mt. 5, 37)

Apenas isso: Sim, quando for sim; e Não, quando for não. Sem medo da verdade.

terça-feira

Livros - "Batata Quente"


Pegando na "Batata quente" passada pelo Moinante - Conversas sem ferrolho, que consiste em indicar alguns livros que nos tenham sido referenciais de alguma forma. Ei-los:

Bíblia Sagrada (sempre presente)

Um futuro para a juventude, Omraam Mikhael AIVANHOV

O principezinho, Antoine de Saint EXUPÉRY

A inesperada Mrs. Pollifax, Dorothy GILMAN

As pontes de Madison County, Robert James WALLER


Memorial do Convento, José SARAMAGO


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