terça-feira

O Saldo

Os balanços não se dão bem comigo.
Tempos houve em que os quis e nem por isso os tive. Lembro-me apenas de, com cinco ou seis anos, me abalançar nas pernas de trás de uma cadeira e cair de costas; e também, já pré-adolescente, ter um balancé numa árvore do quintal onde me balançava sem grande jeito.
Anos mais tarde, os balanços foram de noites quase inteiras com os bebés ao colo para ver se os calava.
Depois vieram outros balanços... e balancetes... e enjoos com eles.

Agora, estando mais um ano quase quase no fim, pensei em fazer outro tipo de balanço, mas sem grande entusiasmo. Abalanço-me para 2010 desejando que seja um pouco melhor que este que vai terminar, que foi marcado por grandes cansaços, tristezas, dores, desgostos - grandes desgostos, mas também alegrias - enormes alegrias; e sucessos, e também fracassos, desfechos que se vinham anunciando, perdas, ganhos, avanços, retrocessos...
Dizem que bem e mal tudo é passar! Eu digo que as contrariedades e as desilusões fazem parte da vida e que sem elas não daríamos o devido valor ao que nos torna felizes. E são tantas as pequenas coisas do dia-a-dia que concorrem para a nossa felicidade!
No fim do balanço, quase fechadas as contas, aventuro-me a encerrar o ano com saldo positivo.

"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo." - já dizia o poeta.

Para todos um Feliz Ano Novo, com muita Saúde, Paz, Tranquilidade, Amor e muitas outras coisas boas que venham por acréscimo.

domingo

Sagrada Família


Que este seja o modelo de família para todos!

sexta-feira

Eis O Milagre!



 
(Behold a Miracle - letra em português)
Santo! Santo! Santo! Santo!
Todo o céu veio cantar,
Eis aqui O milagre !
na cidade de Belém,
com uma Estrela a brilhar,
e Deus sorrindo entre nós,
Eis aqui O milagre !
Levai as novas sobre a terra,
Vinde para adorar,
Toda a criação cante...
Eis aqui O milagre !
Para ti nasceu o Rei.

E vós pastores no campo,
Ouçam os anjos cantar,
"Novas de alegria trazemos,
Nasceu o vosso Rei,
Sigam a estrela brilhante,
nesta noite de Natal,
Encontrareis o Salvador,
Debaixo da sua luz".

sábado

Que Brilhe [em nós] Uma Nova Luz!

Existe um grande céu
Tão perto de você
Eu sei que encontrei
Essa nova forma de viver
Me tocou com seu amor
E mudou meu coração
Me iluminou com sua luz
E deu a paz com seu perdão

Então que brilhe a Nova Estrela
E renove todos nós
Vem mostrar o Teu poder
Que nos cura e faz crescer
Pois que brilhe a Nova Estrela
Eu sei que é Jesus
Que nos chama de irmãos e nos conduz


Os dias que eram vazios
Se encheram de alegria
Hoje aprendi viver melhor
Com Jesus não me sinto só
Se você não me entendeu
O importante é ser feliz
Abra o coração e se entregue a Deus
E saberá o que ele diz

(Anjos de Resgate - Uma Nova Luz)

Vídeo no Youtube: O Nascimento de Jesus


Que brilhe sobre nós a Nova Estrela e nos fortaleça com os seus dons - os dons do Deus Menino.

Um Santo e Feliz Natal para todos vós!

Uma Voz Clama no Deserto

"Uma voz grita do deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as Suas veredas". (Mt 3, 3)

Imagino-me a ver e ouvir João Baptista, vestido com uma simples pele, a alimentar-se de gafanhotos, a clamar no deserto e a incitar ao arrependimento, com palavras duras, mas de olhos numa esperança, a anunciar uma oportunidade de mudança radical.

E sinto-me interpelada, incomodada…

Preparar os caminhos significa preparar um mundo novo.

Vejo o mundo de hoje cada vez mais podre… mais corrompido, onde os homens querem ser grandes, não olhando a meios para conseguirem os seus objectivos. Os grandes querem ser cada vez maiores, não se importando com a dignidade dos mais pequenos a quem calcam debaixo dos pés!

No entanto, há vozes que se levantam, clamando pelos mais fracos a quem é roubada a dignidade!

O problema está em que estas vozes, até podem ser ouvidas, mas não são escutadas, às vezes porque são sufocadas por quem não tem interesse em que se ouçam, outras porque andamos muito distraídos com a nossa vidinha.

"Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da devassidão, da embriaguez e das preocupações da vida, (…) Portanto, ficai atentos e orai a todo momento.” (Lc 21, 34-36)

“Arrependei-vos, dizia, porque está próximo o reino dos céus”. (Mt 3, 2)

terça-feira

Rainha de Portugal



8 de Dezembro - Solenidade da Imaculada Conceição.

Em Portugal é feriado para celebrar a Padroeira de Portugal, o que parece um contra-senso numa sociedade que se quer afirmar, cada vez mais, laica.

No entanto, Nossa Senhora da Conceição foi proclamada Padroeira de Portugal, no ano de 1646, quando D. João IV, depois da restauração de Portugal, depôs aos pés da imagem da Mãe Imaculada de Jesus, a sua coroa real. A Rainha do Céu é, a partir desse momento, a Rainha de Portugal.

Desde aí, nenhum dos nossos reis voltou a ostentar coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus - a verdadeira Soberana de Portugal.

Ó Maria, Imaculada Conceição, Mãe de Deus e nossa Mãe, Rainha de Portugal, rogai por nós que recorremos a Vós.

quarta-feira

Gata Borralheira

O amor tem destas coisas: por vezes acaba. Até o dia que nasce com um sol esplendoroso pode ficar carregado de nuvens negras. Porque teremos nós a capacidade de mudar?
Um amor para a vida inteira é, cada vez mais, uma utopia. Sonha-se com o príncipe encantado, ou com a Cinderela, e depois, o príncipe, afinal, é um sapo, ou à Cinderela, descobre-se que não lhe serve o sapato.

Um Príncipe e uma Cinderela – uma história banal: Filomena, menina-mulher, casara com o príncipe dos seus sonhos, depois de meia dúzia de meses de romance, em que por uma meia dúzia de vezes se olharam e outra meia se tocaram. Nesse dia, sentira-se a princesa que ele tinha resgatado de Gata Borralheira, daquela sub-vida em que os maus tratos físicos e psicológicos eram o seu pão de cada dia. Começara, enfim, a viver. Emergira e sentira-se flutuar numa doce magia, numa felicidade dourada e reluzente, num sonho tão cor-de-rosa, que até estremecia com medo de acordar e vir a descobrir que aquele sonho era um pesadelo.
Decorreram semanas de mel e luar em que ele, amante apaixonado, sofregamente, a ensinou a ser mulher, a descobrir sensações nunca antes imaginadas. E aprendeu o que era amar, o que era desejo, o que era o êxtase e a plenitude da felicidade.
Exalando um mar transbordante de águas quentes – escaldantes até – cega de amor e de vida, passavam-lhe ao lado alguns pormenores. O seu marido, cada vez mais, vivia na noite, com o álcool como companhia principal; mas ela desculpava, porque ele a amava sempre com intensidade, impetuosamente. Se existiam algumas diferenças, essas eram em si. Descobriu porquê: estava grávida. Ele confiou-lhe lágrimas de alegria, e nela elevou-se o instinto maternal – ele queria um filho. Sublime contentamento, suprema negridão. Não, não era uma filha que ele queria…

O modo como se desenrola uma história, apesar de contornos peculiares, não é muito diferente de outras histórias. Filomena carregava uma filha no ventre e, ao mesmo tempo, foi carregando agressões, violações, fome; toda a espécie de violência física, verbal e psicológica, por parte de um homem cobarde e irracional que, sob a capa do álcool, parecia lograr um só propósito. E a filha nasceu… e morreu em seguida.
O que sempre temera acabara de acontecer.

Inspirado em: Mulheres maltratadas

25 de Novembro: Dia Internacional para a Erradicação da Violência sobre as Mulheres

O número de crimes de Violência doméstica registados no 1.º semestre de 2009 subiu 9% face ao mesmo período de 2008. (APAV)

sexta-feira

Um sorriso



O sol encontra sempre um rasgo por onde brilhar.

Manda Teu Espírito

Ao meu redor
Procuro entender
O que virá
Se bem longe eu vou estar

Diante de Ti
Eu entreguei os meus caminhos
Pra Te sentir
E nunca mais chorar sozinho

Mas cansado estou
e fraco a esperar
que Tua doce voz
venha o meu sono despertar

Manda Teu espírito e vem me abraçar
Pra eu não chorar
Preciso de Ti aqui
Pra me consolar


Só Você faz o mar se acalmar
E traz paz iluminando o meu olhar
Sabes ouvir as dores do silêncio
E persistir em esquecer os meus lamentos

Sei que em Você
Encontro meu alento
Estendo as minhas mãos
Entrego os meus sentimentos

Manda Teu espírito e vem me abraçar
Pra eu não chorar
Preciso de Ti aqui
Pra me consolar


 (As Dores Do Silêncio, Rosa de Saron
Composição: Eduardo Faro)


quinta-feira

Ruído

É manhã. Por detrás das copas das árvores, o calor do sol quer espreitar. Os raios incidem sobre os fios finíssimos que uma fiandeira teceu de noite. Uma brisa levezinha faz dançar as folhas a um ritmo descompassado. Na esplanada do café, uma mesa com duas cervejas: pequeno almoço que as donas levam aos lábios no intervalo do cigarro e da conversa. No passeio, o sobe e desce de gente apressada. O barulho dos motores dos carros, que também sobem e descem, é misturado ao bater do martelo das obras do jardim e ao tilintar das garrafas vazias a baterem umas nas outras ao serem apanhadas do chão - ainda restos da latada. E, na frente dos meus olhos, apontamentos sobre a Carta de Ottawa nos quais tento, em vão, mergulhar.
Das duas uma: ou abstraio-me do que se passa à minha volta e me concentro no que preciso de estudar, aproveitando assim este tempo morto de espera, ou saio do carro e vou fazer uma caminhada, dar uma volta pelo jardim, respirar outro ar, beber de outras fontes. Desentorpecer as pernas, arejar a mente. Sim, parece-me bem. Esta segunda ideia é-me muito mais atraente.

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