segunda-feira, março 24, 2025

“Arrependei-vos”

«Prosseguimos na caminhada quaresmal para a Páscoa da Ressurreição, e importa que cada um examine se verdadeiramente está a caminhar. 
Oxalá que a transfiguração de Jesus, cabeça da Igreja, tenha continuado a transfiguração do Corpo, que somos nós, pela oração, pois o Corpo precisa de viver em unidade com a Cabeça! 
Tal como o convite a Moisés, na sarça ardente (Cf. Ex. 3, 2), também Deus nos pede que nos aproximemos d’Ele, na Eucaristia, para nos alimentar na nossa caminhada, e procuremos frutificar ao longo da semana.

Este domingo convida-nos a repensar a vida, à luz da fé, com a liturgia a propor-nos a conversão, para uma experiência de verdadeira libertação. Para sermos mulheres e homens livres, deixando a escravidão do egoísmo e do pecado, procuraremos acolher os valores que o Senhor nos oferece, para uma vida de plenitude, em Deus. Mergulhemos, pois, na fonte que Deus nos proporciona, bebamos do rochedo espiritual, que é Cristo, como lembra a segunda leitura, para alcançar uma vida que agrade a Deus.

Quando, no evangelho, Jesus nos vai repetindo, "Se não vos arrependerdes…", não está a fazer nenhuma pressão, nem ameaça, mas a deixar bem claro que precisamos de conversão, de mudança de vida, para dar frutos, que manifestem a verdade da fé, do baptismo, duma vida em Cristo.

"Se não vos arrependerdes…" (Evangelho Lc. 13, 1-9)
Esta proposta de oração, para continuarmos ao longo da semana, parece um refrão que o evangelho vai entoando. Mas é sobretudo um convite de amor, para uma atitude de conversão e mudança de vida, a exprimir uma renovação interior, para viver a Páscoa, na vida nova do baptismo. Por outras palavras, o convite de Jesus é: “arrependei-vos”. 
Como responder? A oração de colecta apresenta os remédios:
 
Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno, os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. (Oração de colecta do III Domingo da Quaresma)

No início da Eucaristia, invocamos a bondade de Deus, para que, com a nossa resposta, pelos meios tradicionais da oração, do jejum e do amor, possamos obter os remédios para o pecado, e experimentar a libertação.

Boa caminhada quaresmal!»
(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para o III domingo da Quaresma ano C, e semana que se segue)

domingo, março 16, 2025

“Agora é o tempo favorável...


... Agora é o dia da salvação”
 
«A palavra de Deus deste 2º domingo da Quaresma começa por convidar a deixar o nosso comodismo e adormecimento na fé, para sermos transformados e transfigurados, em Cristo, caminhando como peregrinos para a Páscoa, pois “a cidade a que pertencemos está nos céus” (Fl 3, 20)

Alguns podem andar esquecidos que somos amigos de Deus, que sempre nos ama, e nos dá uma vida sobrenatural, com vocação à imortalidade, e que essa vida precisa de ser alimentada pelos melhores meios. A Eucaristia é um dom insubstituível.
A nossa vida de fé é uma vida nova, em Cristo. Assumamos, pois, o nosso baptismo, e vivamos n’Ele o caminho de libertação e de conversão.

Somos interpelados a estar disponíveis, e acolhendo a palavra do Senhor, como Abraão, que acreditou e confiou em Deus, e foi capaz de sair da sua zona de conforto. 
É preciso deixar a auto-suficiência, e as amarras que nos prendem a uma vida fútil e vazia, desprovida de autenticidade e de verdade, escravizada pelas coisas terrenas, como lembra a segunda leitura (Fl 3,17-4,1)
Só Cristo, Senhor e Salvador, nos transformará, fazendo-nos participar do seu “corpo glorioso”, como nos propõe. Precisamos duma autêntica conversão do coração, com a firmeza duma decisão por Cristo.

Jesus, o Filho bem-amado do Pai, realizará essa transformação do nosso coração. Ele nos propõe uma vida feita de entrega e de amor, até à morte, como nos dá exemplo. 
É o caminho de transfiguração, que queremos seguir, para sermos mulheres e homens novos, em Cristo. Transfigurou-se a nossa cabeça, que é Cristo, e também se transfigurará o corpo, que somos nós.

Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. (Oração de colecta do II Domingo da Quaresma)
Que se pede, nesta Eucaristia?
Alimentando-nos da Palavra, escutar e seguir Jesus, como seus discípulos, num projecto de amor e de serviço, para sermos filhos no Filho. 
Para isso, precisamos de purificação espiritual dos nossos critérios e estilo de vida, para entrarmos na sua glória.

“Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O” (Evangelho: Lc 9, 28b-36)
Deus oferece-nos uma proposta de libertação, mas é preciso fazer silêncio, para a nossa oração. Queremos acolher Jesus, palavra viva, pelo dom e auxílio do Espírito Santo, que vem rezar em nós. Sintamo-nos filhos, amados por Deus, para sermos transfigurados e participarmos da sua glória. A herança do céu é o nosso grande tesouro, que nos faz progredir no caminho de vida em plenitude! 
(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para o II domingo da Quaresma ano C, e semana que se segue)

«A Transfiguração de Jesus revela-nos a luz que transforma.» Padre João Torres

domingo, março 09, 2025

Recusa das tentações, opção pelos valores do Evangelho


«Chegou o tempo da Quaresma. 
A caminhada destas semanas descobre o seu sentido, e tem o seu culminar, na Páscoa da Ressurreição. 
Todo o nosso ser anseia por libertação. E a exercitação interior, as ações e os gestos, que somos chamados a realizar, hão-de ser expressão duma correspondência autêntica à experiência duma vida nova em Cristo.
Assim, pelos meios que nos são oferecidos, queremos aproveitar este tempo como dom para aprofundar e renovar o sentido do nosso baptismo. Que seja uma excelente oportunidade para um encontro verdadeiro com Cristo e os irmãos, em Igreja. Lembremos a importância essencial dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, da oração mais cuidada, e da vivência do amor.

Eis que se apresenta nova etapa na vida cristã, que deve conduzir à vivência pascal, com o aprofundamento do sentido do Baptismo. Precisamos de sair de tudo o que nos escraviza e oprime, deixando a vida velha do pecado, de modo a ter uma fé autêntica em Cristo ressuscitado.
 
A Palavra de Deus deste domingo culmina com as tentações de Jesus, que são também as tentações da Igreja. E aquele que julga estar de pé, que não sente que é tentado, tenha cuidado, pois pode estar já vencido, por terra. Por outras palavras: a pior cegueira é não querer ver a luz!

Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo, e a nossa vida seja dele um digno testemunho. (Oração de colecta do Domingo I da Quaresma)

Atenta bem naquilo que se pede nesta Eucaristia! Em primeiro lugar, procurando descobrir o sentido da quaresma, de que falei nos parágrafos anteriores, para compreender e viver a grande beleza e riqueza do mistério de Cristo. Assim, a experiência da fé na nossa vida há-de expressar-se em atitudes, gestos e actos concretos de empenhamento cristão.

Como referi, as tentações de Jesus são também as tentações da Igreja. Para alcançarmos vitória, tal como Jesus, temos que fortalecer-nos com a assistência do Espírito Santo, com a força da oração, da meditação da Palavra de Deus, com a ascese da penitência quaresmal. 
Por isso, ao longo da semana, reza esta resposta de Jesus para que alcances vitória, com Ele, no Espírito:

Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor, teu Deus’» 
(Evangelho Lc 4, 1.13)»
(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para o I domingo da Quaresma ano C, e semana que se segue)


 

sábado, março 01, 2025

“Remar contra a maré”

“Nada te turbe, nada te espante.
Quem a Deus tem, nada lhe falta.
Nada te turbe, nada te espante.
Só Deus basta.”
(Santa Teresa de Ávila)

Ninguém está imune à onda de egoísmo que rola à nossa volta.
Depressa nos deixamos arrastar por ela, quando somos indiferentes ao sofrimento dos outros, quando não nos preocupamos com o bem comum, indo até à destruição do que é de todos…

É verdade que se conseguem, por vezes, alguns gestos de solidariedade, mas falta uma atitude constante.

Que fazer para inverter esta tendência?

- Ousar amar!

No entanto, o amor exige aceitação total do outro, doação sem limites…
Não é algo abstracto. Traduz-se em atitudes, palavras, gestos, tempo.
Tudo tão difícil no mundo de hoje.

Onde encontrar a força para esta ousadia, para contrariar a onda de materialismo que nos rodeia e que convida sobretudo ao comodismo e ao egoísmo?

- NAquele que é o Amor por Excelência. Uma fonte inesgotável: Deus.

Esta é uma descoberta maravilhosa. Deus ama-nos com um amor infinito, que podemos livremente aceitar e procurar retribuir.

Mas aí está um desafio ainda maior!
Não será ousado de mais?!

Quem ama a Deus, corre o risco de ser criticado por acolher e manifestar tal amor.
Porém, vale a pena desenvolver essa coragem e experimentar a beleza dele.

Em Jesus, nós podemos aprender a apoiar a nossa vida no amor de Deus.
NEle encontramos o alimento e a força para “remar contra a maré”.

sexta-feira, fevereiro 28, 2025

Peregrinos da Esperança


 
Coro Solidéu/ Catedral do Funchal

Texto versão portuguesa: António Cartageno

Refrão: 
"Chama viva da minha esperança,
este canto suba para Ti!
Seio eterno de infinita vida,
no caminho eu confio em Ti!

1. Toda a língua, povo e nação
tua luz encontra na Palavra.
Os teus filhos, frágeis e dispersos
se reúnem no teu Filho amado.

2. Deus nos olha, terno e paciente:
nasce a aurora de um futuro novo.
Novos Céus, Terra feita nova:
passa os muros, ‘Spirito de vida.

3. Ergue os olhos, move-te com o vento,
não te atrases: chega Deus, no tempo.
Jesus Cristo por ti se fez Homem:
aos milhares seguem o Caminho."

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segunda-feira, fevereiro 24, 2025

Amar como Jesus

«No passado domingo, o evangelho convidava-nos a ser bem-aventurados (felizes). E essa felicidade pretende ser duradoura, permanente, na medida em que procuramos corresponder às propostas que o Senhor nos faz. Hoje, na Palavra da Eucaristia dominical, faz-nos um convite a ir mais longe, a viver a autenticidade do amor, num amor total, sem limites e sem enganos, que passa pela atenção aos inimigos. Para que tal aconteça, mergulhamos na fonte de todo o amor, percorrendo o caminho que Deus nos propõe, saboreando as delícias da eternidade, no banquete do Reino que Ele nos oferece. 

Vamos então à celebração do VII Domingo Comum! A liturgia da Palavra começa com o exemplo dum coração magnânimo, que escolhe o caminho da recusa de vingança e da oferta do perdão. Para isso, invocamos a força do Senhor, Deus clemente e compassivo! Importa seguir, não as tendências do homem terreno, que também somos, mas a vivência do homem celeste, que recebemos de Cristo. No evangelho de hoje, escutamos como “Jesus falou aos seus discípulos”, e também nos fala a nós, para percebermos a autenticidade do nosso procedimento como cristãos.

Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, meditando continuamente nas realidades espirituais, pratiquemos sempre, em palavras e obras, o que Vos agrada. (Oração de colecta do VII Domingo Comum)

Ora, aqui está uma verdade fundamental! Para alicerçar uma fé coerente, de modo a praticar os valores cristãos essenciais, em palavras e obras, precisamos meditar duma forma continuada, com uma vida espiritual regular, como a participação no ritmo semanal da Eucaristia nos propõe. Uma fé, mal alimentada, não pode dar bons frutos, sobretudo no que é específico do amor cristão. Pedimos a graça de ser baptizados praticantes. 

"Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso" (Evangelho: Lc 6, 27-38)

Com certeza que não queremos proceder e viver apenas com o espírito deste mundo. O nosso comportamento, e a nossa atitude, devem expressar o sinal distintivo dos cristãos. Caso contrário, seríamos como os homens, que não têm fé, e não como os cristãos. Por isso, está diante de nós uma escolha: ou somos, ou não somos…

Optemos por perdoar, dar, amar quem não nos retribui…»

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para o VII domingo do Tempo Comum, ano C, e semana que se segue)
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Amar como Jesus

segunda-feira, fevereiro 17, 2025

Feliz o homem que põe a sua Esperança no Senhor

«O Catecismo da Igreja Católica, ao falar da Eucaristia dominical, afirma o seguinte: "O domingo, em que se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, deve guardar-se em toda a Igreja como o primordial dia festivo de preceito" (nº 2177). Depois refere que igualmente se devem guardar os dias santificados, ao longo do ano litúrgico. Por isso, os mandamentos da Santa Igreja, que são cinco, afirma logo no primeiro que se deve “participar na Eucaristia todos os domingos e dias santos de guarda”. Porque quem não se alimenta não sobrevive, e assim a fé necessita deste alimento sacramental regular.

Somos convidados a viver o VI Domingo Comum, porque é o Dia do Senhor, e Deus é o centro da nossa vida, como consequência do Baptismo. É isso mesmo que quer dizer a palavra “domingo”, que vem de “Dominus”, e significa “do Senhor”.  Hoje, pela Palavra de Deus, procuremos perceber a importância fundamental que Deus deve ter na nossa vida, com propostas para a dimensão mais profunda da existência. Há o risco de busca de auto-suficiência, na sociedade actual, que leva à arrogância e ao individualismo exacerbado, prescindindo de Deus e das suas propostas. Afirmemos, pois, o sentido duma vida em Cristo, e Cristo ressuscitado!

Senhor, que prometeste estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada. (Oração de Colecta do VI Domingo Comum)

Esta oração é muito bela! Na certeza de que Deus mora na sinceridade do coração recto, suplicamos o dom duma vida plena, em nós, que seja verdadeira morada de Deus. Afinal, vamos à igreja para sermos mais Igreja!

"Bem-aventurados vós, os pobres…

Mas ai de vós, os ricos…"      (Do Evangelho: Lc 6, 17. 20-26)

As bem-aventuranças são a magna carta dos cristãos. Por elas devemos pautar a nossa vida. Talvez conheçamos melhor a versão que São Mateus apresenta no capítulo quinto. Contudo, a proposta de São Lucas é mais sintética e, para além das bem-aventuranças, apresenta também as maldições, os “ais”, para termos mais cuidado em ser bem-aventurados.

Porque ser bem-aventurado é ser feliz, para conseguirmos a verdadeira felicidade, rezemos com frequência: Bem-aventurados…  É a máxima a que aspiramos!» 

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para o VI domingo do Tempo Comum, ano C, e semana que se segue)

Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor  

segunda-feira, fevereiro 10, 2025

"Levanta-te! Faz-te ao largo!"

«Jesus ressuscitado entrou na casa onde os discípulos estavam reunidos, com as portas fechadas, e transmitiu-lhes a sua paz (cf. Jo 20, 19)

Em encontro regular, os amigos de Jesus continuam a reunir-se ao domingo, na Eucaristia, e inundam-se de alegria, porque “Ele está no meio de nós”, como aclamamos várias vezes!

Vamos já no V Domingo Comum, que pela Eucaristia nos convida a corresponder ao chamamento! Além da chamada à vida, que Deus nos deu, pelos nossos pais, é sobretudo pelo dom do Baptismo, que nos tornou filhos de Deus e da Igreja, para crescermos na vida em Cristo e na experiência de salvação. 

Importa corresponder a essa vocação: somos chamados por Deus, e d’Ele recebemos a missão, enviando-nos ao mundo para a libertação dos homens. Não esqueçamos que, pela graça baptismal, nos tornamos membros de Cristo “sacerdote, profeta e rei”. Se é assim, importa corresponder, com um testemunho coerente na fé e na vida cristã.

Para sintonizar com o projecto de Deus, a oração que transcrevemos, de seguida, quer obter para nós, da parte do Senhor, uma grande graça. Por isso a rezamos, para viver o que se pede!

"Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção." (Oração de Colecta do V Domingo Comum)

Então, o que se pede nesta Eucaristia? Antes de mais, que nos sintamos família de Deus e família cristã. E a família deve reunir-se. Por isso, em cada domingo, vivemos uma assembleia eucarística. Como afirmou S. João Paulo II, na Carta Apostólica Dies Domini, nº 1:
“É convite a reviver, de algum modo, a experiência dos dois discípulos de Emaús, que sentiram «o coração a arder no peito», quando o Ressuscitado caminhava com eles, explicando as Escrituras e revelando-Se ao «partir do pão» (cf. Lc 24,32.35)”. 
Depois, exprime-se a confiança em Deus, para obter d’Ele a protecção que esperamos.

"Eles deixaram tudo e seguiram Jesus" (do Evangelho: Lc 5, 1-11)

Pedro e os companheiros são sinal da Igreja nascente, em missão no meio dos homens, obedecendo ao Mestre, Jesus Cristo, que realiza o milagre.
O corpo (Igreja) deve estar unido à cabeça (Cristo) para frutificar na missão (a pesca dos homens).

Rezar esta Palavra, implica saber o que devo deixar, para seguir Jesus.
(Padre João Torres)

domingo, janeiro 19, 2025

“Fazei tudo o que Ele vos disser”

 «A Palavra, que a liturgia deste domingo nos oferece, é um convite ao amor de Deus, como membros do seu Povo. Culminando no evangelho, apresenta-nos a imagem dum casamento, que exprime a experiência privilegiada do amor que Deus (noivo) tem para com o seu Povo (esposa). A mensagem central assenta na revelação desse amor, que importa acolher, e corresponder, para podermos fazer festa, e provar o vinho bom, que nos renova e vivifica. Se a comunidade fica feliz em cada domingo, com o Pão do Céu e o vinho novo do Espírito, esse amor faz com que tenhamos um só coração e uma só alma, na alegria do banquete nupcial.

Essa imagem, já apresentada na primeira leitura, pede-nos que não nos sintamos terra “abandonada” e “deserta”, mas como os esposos que se entregam mutuamente, na alegria, e assim “tu serás a alegria do teu Deus” (Is 62, 5). Para isso, Deus nos oferece os dons do Espírito Santo, que “realiza tudo em todos” (1Cor 12, 6). Abramo-nos, então, para Ele!

Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias.  (Oracão de colecta do II Domingo Comum)


Assim invocamos a ajuda de Deus, criador de todas as coisas, para que acolha a nossa oração, e nos conceda os seus dons, particularmente a paz, tão necessária nos nossos dias.
Mas a oração do final do ofertório recorda que sempre que celebramos a Eucaristia, “realiza-se a obra da nossa redenção”. Que maravilha!

“Fazei tudo o que Ele vos disser”  (Evangelho: Jo 2, 1-11)


Seguindo a sugestão e indicação de Maria, centremo-nos em Jesus, acolhamos a Sua Palavra, e unamo-nos a Ele em oração, para que a nossa fé cresça, e participemos na Sua Glória! Sempre que a Igreja, e cada um de nós, faz o que Cristo nos diz, estamos no caminho da vida plena e da íntegra realização! Que o Seu Nome seja louvado!

Continuemos, pois, a caminhada, aprofundando a vida em Cristo, porque somos baptizados, e não podemos ficar indiferentes à Sua proposta. Tal como o profeta, “não me calarei” (Is 62, 1), louvemos, e abrindo-nos ao Espírito, pois “é dado a cada um para proveito comum” (1Cor 12, 7). Precisamos de viver nEle, participar da Sua graça, e testemunhar o sentido de pertença à Sua Igreja, pois é essa a fé que nos gloriamos de professar.»
(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para o II domingo do Tempo Comum, ano C)

«Nas Bodas de Caná, Maria pediu, e Jesus agiu: Ele transformou o vazio em abundância, o comum em extraordinário. Assim também acontece connosco. O amor precisa de cuidado e dedicação, mas é Deus quem faz a diferença. 
Mesmo quando tudo parece frio e vazio, encham os potes. Façam a vossa parte com pequenos gestos e confiem. Deus age no pouco que oferecemos e renova o amor, trazendo de volta a alegria verdadeira.»
Padre João Torres (com vídeo)

quinta-feira, janeiro 16, 2025

Momentos únicos

Em Dia da Igreja Diocesana  no Domingo da Santíssima Trindade.

Na mesma Família
Com o mesmo Pai



"O mesmo Pai
A mesma família
Trazemos cá dentro
No peito a vibrar
E se esquecermos
Esta maravilha
Teu amor
Nos faça lembrar"




Uma oportunidade de experienciar e contemplar Deus-amor, que é família, comunidade, e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

sábado, janeiro 11, 2025

Baptismo do Senhor

«Terminado o tempo litúrgico de Natal, prosseguimos com a 1ª parte do Tempo Comum, que se inicia com a festa do Baptismo do Senhor. Vai ser um tempo breve, pois se interrompe quando começar a Quaresma e se retoma depois do Pentecostes.

O Tempo Comum são 33 ou 34 semanas, em que não se celebra um aspecto particular do mistério de Cristo, mas o mistério de Cristo na sua globalidade, semana após semana, especialmente aos domingos. Quem quer aprofundar, e enriquecer a sua fé nesta beleza da vida cristã, não pode deixar de participar regularmente na Eucaristia dominical, para crescer no amor de Deus, e beneficiar da sua intimidade, e não permanecer à margem do seu plano, com a vida e salvação que Deus nos quer oferecer. Como nos foi anunciado, participemos, pois, na Eucaristia, “em cada domingo, nossa Páscoa semanal”!

Jesus também frequentava regularmente a Casa de Deus, a sinagoga (Cf. Lc 4, 16); foi ao templo, a Jerusalém, em peregrinação com os pais, quando tinha doze anos; e recebeu o baptismo de João, no início da sua vida pública. Por isso, era praticante!...  
Recebendo um baptismo de arrependimento dos pecados, Jesus, que não conheceu o pecado na sua vida, recebeu esse baptismo para ser solidário connosco, e tomar sobre Si os nossos pecados.


Como escutamos no evangelho deste domingo, João Baptista explica a diferença entre o seu baptismo, com água, e o que Jesus vai trazer, “com o Espírito Santo e com o fogo”.

 “Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”  ( do Evangelho: Lc. 3, 15-16.21-22)

Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adotivos, que renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor.  (da oração de Colecta da festa do Baptismo do Senhor)

Com o baptismo de Cristo, assumimos ter renascido como filhos de Deus, pelo nosso baptismo, e pedimos para permanecer sempre na graça do seu amor! Que bênção tão rica!


Na nossa oração desta semana, façamos a experiência de ser filhos de Deus, pelo baptismo, e, como herdeiros do céu, rezemos com Jesus: Abba, Pater!»
 (Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão da Festa do Baptismo do Senhor)
Abba Pater! Abba Pater!
Abba Pater! Abba Pater! 
(x2)


domingo, janeiro 05, 2025

Os Reis e a Coragem de Buscar e Recomeçar

«A Epifania é a manifestação a todos os povos, em que Deus oferece a salvação de Jesus também aos que provém do paganismo, que os Magos representam.


A solenidade da Epifania, tradicionalmente designada por festa dos Reis, a 6 de Janeiro, é agora celebrada sempre no domingo imediato ao primeiro dia do ano. Se não fosse assim, a maioria dos fiéis ficaria sem possibilidade de celebrar a liturgia da Epifania, tão importante nas celebrações da Igreja.

Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelaste o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa Glória. (oração de coleta da solenidade da Epifania) 

Que graça pedimos? A parte final da oração é bem clara: viver a fé, para termos a felicidade de contemplar o rosto de Deus, face a face!

“Abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (do Evangelho Mt 2, 1-12)

Na minha oração, nestes dias, que presentes vou oferecer a Jesus?... Abramos-Lhe o coração!»

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a solenidade da Epifania)



«A viagem dos Magos, porém, não foi fácil. Eles perderam a estrela, procuraram no lugar errado, consultaram Herodes, símbolo do poder e do engano. Quantas vezes também erramos na nossa busca por Deus, olhando para o brilho superficial do mundo? Mas o que torna os Magos inspiradores é a sua paciência para recomeçar. Mesmo diante de quedas e dúvidas, continuaram. E assim encontraram o Menino. A lição é clara: não é o erro que nos define, mas a coragem de nos levantarmos e retomarmos o caminho.

Quando os Magos chegaram a Belém, ofereceram presentes, mas o mais precioso não foi o ouro, o incenso ou a mirra. Foi a sua própria viagem: os desafios superados, o esforço para seguir a estrela e o desejo de encontrar o Salvador. Deus quer que O busquemos com o coração aberto, porque Ele tem sede da nossa sede.
(...)
Procura-O com fé, com paciência, e, quando O encontrares, oferece-lhe o presente mais precioso: a tua busca, o teu caminho, a tua vida.» (Padre João Torres)
...

«Dá-nos Senhor, a coragem dos recomeços.

Mesmo nos dias quebrados
faz-nos descobrir limiares límpidos.
Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:
dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é.

Afasta-nos do repetido,
do juízo mecânico que banaliza a história,
pois a desventra de qualquer surpresa e esperança.

Torna-nos atónitos como os seres que florescem.
Torna-nos inacabados como quem precisa
e deseja e antecipa um amanhã.

Torna-nos confiantes
como os que se atrevem a olhar tudo,
e a si mesmos,
com o encanto e a disponibilidade
de uma primeira vez.»
(Cardeal D. José Tolentino Mendonça)

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