Luísa
Havia naquela aldeia uma mulher chamada Luísa, cujo marido, Tibério, era alcoólico. Ele batia-lhe amiúde e destruía toda a paz do lar.
Se se podia chamar lar… Nem casa! Uma barraca de pedra, com chuva a cair em tudo o que era canto e os vidros partidos a deixarem entrar um frio de regelar os ossos.
Os filhos, claro, não tinham aproveitamento escolar.
Na terra da Luísa viviam duas mulheres (cujos nomes devem ser omitidos) convencidas da bondade do seu Deus. E tinham como certo que um Deus tão bom também queria que a Luísa fosse feliz.
Assim, tomaram como tarefa sua levar à Luísa um pouco de felicidade, pelo reconhecimento de também ela ser amada daquele Deus.
A primeira destas mulheres todas as semanas, duas tardes, ia ter com a Luísa e falava-lhe longamente desse bom Deus.
A segunda, todas as semanas, em duas tardes, trazia para sua casa os filhos da Luísa e dava-lhes explicações da matéria escolar.
Depois, convenceu o marido a que este convencesse uns amigos e fossem dar um conserto ao telhado da casa da Luísa.
Além disso, boca a ouvido, astuta e persistente, organizou uma espécie de consciência feminina local, de modo que quase não havia homem na terra, cujo último beijo da noite, não fosse a recomendação da companheira para controlar na taberna o vinho do Tibério!
Um dia, cansada do “massacre” da primeira mulher, Luísa respondeu-lhe mal, numa linguagem que aqui não convém.
E só muito tempo depois, um dia pelas quatro da tarde, a Luísa finalmente subiu ao templo daquele Deus bom, para lhe agradecer a existência da segunda mulher e o bem que, através dela, lhe trazia. (Escutar e Servir, Temas de Reflexão - Cáritas Diocesana de Coimbra)
Será que não é necessário mais do que lindas palavras?!