sexta-feira

Peregrinos da Esperança


 
Coro Solidéu/ Catedral do Funchal

Texto versão portuguesa: António Cartageno

Refrão: 
"Chama viva da minha esperança,
este canto suba para Ti!
Seio eterno de infinita vida,
no caminho eu confio em Ti!

1. Toda a língua, povo e nação
tua luz encontra na Palavra.
Os teus filhos, frágeis e dispersos
se reúnem no teu Filho amado.

2. Deus nos olha, terno e paciente:
nasce a aurora de um futuro novo.
Novos Céus, Terra feita nova:
passa os muros, ‘Spirito de vida.

3. Ergue os olhos, move-te com o vento,
não te atrases: chega Deus, no tempo.
Jesus Cristo por ti se fez Homem:
aos milhares seguem o Caminho."

.

domingo

“O amor materno é o único que poderá ser comparável ao de Deus”

«Deus é exactamente como as mães. Liberta seus filhos e haverá de buscá-los eternamente. Passará todo o tempo de coração pequeno à espera, espiando todos os sinais que Lhe anunciem a presença, o regresso dos filhos. 

Deus é exactamente como são as mães, que criam e depois vão ficando para trás, numa distância que parece significar que não são mais precisas, e Ele, como elas, só sabe amar acima de qualquer defeito e qualquer falha, com cada vez mais saudade, mas não sabe o caminho, não sabe por onde os filhos foram, só pode suplicar que não se percam e não se percam da vontade de voltar. (…)

Deus como as mães, corre os dias inteiros à janela e escuta. Qualquer bulício Lhe acelera o coração. Se existem passos em redor de Sua casa, se alguma voz o  chama, palpita como doido de alegria na esperança de ter um filho em visita. (…) 
Exactamente como as mães, Deus cozinha seus pratos favoritos e acredita que agora ficarão para sempre ou, ao menos, regressarão todos os fins-de-semana, todos os meses, que não vão ficar separados, sem notícias tanto tempo, porque dói demasiado. (…)
Deus, como são as mães, tem a impressão que vai morrer se não voltar a ver os filhos. (…)
 
Todos deveríamos amar como amam as mães, que julgo ser como Deus ama.»

sugestão de leitura:

sexta-feira

Pedras da Via-sacra

Neste nosso caminho carregamos uma pedra. Pedra que pode ser tanta coisa na nossa vida: pedra do caminho, de arremesso, de tropeço, de toque, de apoio, de ponte, de construção, de túmulo, esculpida, travesseiro ou assento... pedra angular…

A pedra que simboliza todas as pedras que atiramos a Cristo com os nossos pecados, que colocamos no caminho dos outros, que nos podem fazer tropeçar no caminho da vida… ou a pedra viva que devemos ser.

Trazemos uma Pedra para o caminho:
– O caminhante tropeçou nela.
– O violento utilizou-a como projéctil.
– O empreendedor construiu com ela.
– O camponês cansado utilizou-a como assento.
– A criança brincou com ela para fazer círculos no lago.
– David com ela matou o gigante Golias.
– Miguel Ângelo tirou dela a mais bela escultura.
– E Deus… Deus plantou nela uma cruz redentora.

– E nós, e eu… que farei das pedras que a vida me dá?

Em todos estes casos, a diferença não está na pedra, mas na pessoa que a usou.

Que não exista pedra no nosso caminho que não possamos aproveitar para nosso crescimento.


1.ª Estação — Jesus é condenado à morte

Jesus é a “pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus” que se tornou “pedra angular” de toda a Igreja.

2.ª Estação — Jesus carrega com a Cruz

Antes de Jesus carregar a cruz, esta era um sinal de condenação, destruição e morte. A cruz de Jesus tornou-se uma pedra de toque, passou a significar redenção e sacramento de vida eterna.

3.ª Estação — Jesus cai pela primeira vez

Jesus caiu como pedra sobre as pedras do caminho. Apesar disso, Ele é a rocha firme sobre a qual podemos edificar.

4.ª Estação — Jesus encontra a sua Mãe

Maria foi a pedra de apoio para Jesus.
Também nós podemos ser, tal como Maria, um apoio solidário para quem ao nosso lado mais precisa.

5.ª Estação — O Cireneu ajuda Jesus a levar a Cruz

Há pedras que são lançadas para unir, para criar pontes. Simão de Cirene foi uma dessas pedras vivas que se transformou em ponte de ajuda solidária.

6.ª Estação — Verónica limpa o rosto de Jesus

E a face divina ficou gravada, como pedra esculpida, no lenço desta mulher.

7.ª Estação — Jesus cai pela segunda vez

Não foram os grandes pedregulhos que O deitaram por terra, foram as pedras soltas da calçada. Também na nossa vida nos atrapalham as pequenas pedras e os grãos de areia que se alojam no nosso sapato.

8.ª Estação — Jesus encontra as mulheres de Jerusalém 

Mulheres pedras vivas.
Também nós – como pedras vivas – entramos "na construção de um edifício espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.” 
(1 Pedro 2, 5)

9.ª Estação — Jesus cai pela terceira vez

Não admira que Jesus tenha escorregado e caído nas pedras lisas e gastas do caminho por onde passavam tantos transeuntes. Não há calvário sem pedras. Não há caminho sem pedras, nem vida sem cruz, nem cruz sem Cristo.

10.ª Estação — Jesus é despojado das suas vestes

Eram de pedra os corações dos que lhe arrancaram assim as suas vestes.
E os corações de pedra são pesados, frios, não se comovem.

11.ª Estação — Jesus é pregado à Cruz

Firme no amor divino, como ilhéu de pedra firme no meio do mar, assim é Jesus pregado na cruz.

12.ª Estação — Jesus morre na Cruz 

Jesus tombou, sem vida. Como uma pedra.

Mas do seu coração, ao ser trespassado pela lança do soldado, saíram sangue e água – as duas pedras preciosas que brotaram do alto do Calvário.

13.ª Estação — Jesus é descido da Cruz

Na sua peregrinação por esta terra Jesus disse que nem tinha de seu uma pedra onde pudesse reclinar a cabeça. Ao ser descido da cruz, encontrou esse apoio no ombro da sua mãe, tal como ao nascer, Maria foi a pedra segura em que repousou.

14.ª Estação — Jesus é depositado no sepulcro

Foi rolada a pedra do túmulo.

Só a força de Cristo ressuscitado poderá derrubar as pedras ou os muros da morte.

(um pequeno excerto da via-sacra que realizámos na paróquia)


Votos de uma Feliz Páscoa de ressurreição e vida!

sábado

“Na verdade, este homem era filho de Deus!”

"A Hora de Jesus não é a Hora do sucesso
e das palmas do mundo.
Tudo acontece tão rápido…
perseguido, traído, preso, negado,
condenado à falsa fé e assassinado."

«Porquê a cruz
o sorriso
a pena inumana?
Acreditai-me
é muito simples
quando se ama» 
(J. Twardowski)

 
Vídeo: Pe. João Torres
Texto: Pe. Rui Santiago

quarta-feira

IHS – Santíssimo Nome de Jesus


«O nome “Jesus Cristo” foi-nos dado em grego, e pode ser escrito em letras maiúsculas gregas deste modo: IHCOYC XPICTOC 
Durante séculos, a forma padrão de abreviar este nome foi usar simplesmente a primeira e a última letras, IC XC, como se encontra na maioria dos ícones orientais. São Bernardino, no começo do século XV, escolheu usar as duas primeiras letras com a última, portanto IHC e XPC. A letra grega “c” é na verdade um “s”, então era natural escrever IHS XPS, forma na qual o Nome Santo se tornou muito familiar. 

Mas por que São Bernardino quis inserir o “h” (que é, na verdade, um “e”)? E por que mudar o “i” em “y”, uma letra não usada em italiano nem em latim? A resposta é que estudiosos cristãos cabalísticos deram atenção ao facto de que o Nome de Jesus, na sua forma original hebraica, contém as quatro letras no Nome Impronunciável de Deus revelado no Antigo Testamento. Com o acréscimo de duas letras hebraicas extras, torna-se pronunciável o Nome Impronunciável. O Nome revelado a Moisés no Êxodo (Ex 3) é apropriadamente escrito apenas com consoantes, YHWH. De acordo com uma tradição de 3.000 anos, não é permitido tentar pronunciá-lo, e ninguém realmente saberia como fazê-lo, mesmo se pudesse ser feito. Isso porque o Nome, YHWH, não é simplesmente um nome como outro qualquer: ele tem um significado, que é: o nosso Deus é Aquele que É, o único Ser essencial, o “fundamento do nosso ser”.
(...)
Mas, o Nome tornou-se um nome humano, pelo acréscimo das letras hebraicas ‘shin’ e ‘ain’ às quatro originais, produzindo Yehoshuwah; a forma hebraica do nome que conhecemos por JESUS. Assim o Nome Divino se torna um nome humano, o inacessível e impronunciável se torna próximo e familiar.
(...)
A São José é dado o tremendo privilégio de Lhe dar o Nome: “Ela dará a luz um filho e tu lhe porás o nome de Jesus”.
(...)
O Nome é dado novamente por Pôncio Pilatos, pela forma hebraica da inscrição na Cruz, usando as quatro letras do Nome Divino como as iniciais das quatro palavras: Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus: Yeshu Ha-Nozri, WaMelek Ha-Yehudim. Não é de se admirar que os chefes dos sacerdotes tivessem ficado tão preocupados com tal inscrição! (Jo 19,19-22) Pois Pilatos, de improviso, escreveu – e para todo o mundo ver! – que o seu galileu crucificado é o Deus eterno, o Criador, assim como o Redentor do Mundo.»

.
A Festa do Santíssimo Nome de Jesus é no dia 3 de Janeiro.

Mas todo o mês de Janeiro é dedicado ao Santo Nome de Jesus. Através dessa devoção, a Igreja recorda-nos o poder do Nome de Cristo.
.

"Ó nome glorioso, gracioso, amoroso e animoso! Por ti se perdoam todos os pecados, se vence o inimigo, se curam os enfermos e nas adversidades se encorajam e consolam os que sofrem. Tu és a glória dos que crêem, o mestre dos que pregam, a força dos que trabalham, o remédio dos que estão em necessidade.
Ao calor e fervor do teu fogo, os bons desejos encandescem; as orações que se fazem têm bom despacho; as almas contemplativas se arroubam; e sumamente se alegram os que já triunfam no paraíso. Com os quais, por este vosso santíssimo Nome, fazei que reinemos, ó dulcíssimo Jesus." (S. Bernardino de Sena)

quarta-feira

Eu por ti...

Grupo das Terças, Eu por ti
(partitura)

«Eu por ti, acertaria o meu passo ao teu caminhar. 
Eu por ti, o teu problema arcaria sobre mim 
e abraçaria o horizonte que trazes dentro do teu olhar. 

Eu por ti, buscar-te-ia no mar da tua solidão. 
Eu por ti, te encontraria no grito dos teus porquês, 
não pensando às minhas decisões e aos meus critérios, se falas tu... 

Eu por ti, palpitaria pelos teus desejos. 
Eu por ti, daria voz às tuas mil razões. 
Eu por ti, 
eu por ti, perder-me-ia no teu pranto, 
cantaria o teu próprio canto, 
que esta força em mim, 
deixaria a ti primeiro colher a flor do meu jardim.  

Eu por ti, faria ecoar no meu peito a voz da tua dor. 
Eu por ti, suportaria a tua fragilidade 
e ancorar-te-ia à minha mão se fosses arrastado na maré... 

Eu por ti, faria minha a angústia que vive em ti. 
Eu por ti, entregaria os meus trunfos à tua mão; 
por ti sentiria a saudade pelo fragor da terra que deixaste... 

Eu por ti, palpitaria pelos teus desejos. 
Eu por ti, daria voz às tuas mil razões. 
Eu por ti, 
eu por ti, seria o eco do teu canto,
na apatia e na alegria, 
que esta força em mim, 
deixaria a ti primeiro colher a flor do meu jardim.»

Original: "Vorrei" do grupo italiano "GEN Rosso".

Uma possível tradução mais literal de "Vorrei", para melhor compreensão da letra "Eu por ti":

Gostaria de sentir em primeira mão os teus problemas,

gostaria de carregar os teus fardos nos ombros,
gostaria de abraçar o teu horizonte
ver o mundo com os teus olhos.

Gostaria de sentir dentro de mim a angústia que sentes,
gostaria de senti-la completamente minha porque
gostaria de não pensar em soluções,
ou em minhas opiniões, se tu falares.

Eu gostaria de ser unido aos teus pensamentos.
Gostaria de ser unido aos teus desejos.

Eu gostaria, eu gostaria
de ser unido ao teu choro,
unido ao teu canto
sim, eu gostaria... eu gostaria...
porque na minha vida
eu coloquei-te antes de mim.

Eu gostaria de me sentir sem fôlego se o não tiveres
Gostaria de me sentir mal se não tivesses forças, 
gostaria de te ancorar em minhas mãos
se a tua vida perdesse altitude.

Gostaria de me sentir um sem-abrigo se tu não tiveres um tecto,
gostaria de me sentir um exilado se tu o estivesses,
gostaria de poder dar-te o meu emprego
se tu não conseguires encontrar um.

Gostaria de ser um com as tuas amarguras,
gostaria de ser um com as tuas certezas.

Eu gostaria, eu gostaria
de ser um de vocês no tédio,
um de vocês na alegria
sim, eu gostaria... eu gostaria...
porque na minha vida
vos coloquei antes de mim.

Para reflectir:
Quem é que está disposto a ser sempre pelos outros, 
a colocar os outros antes de si?...


segunda-feira

Quem é Cristo para mim?

«Quem sou Eu para ti? 
 Pergunta de Jesus a cada um de nós! 
(...) 
Eu posso ser seu: “simpatizante” e “ouvinte” ou seu “amigo” e “seguidor”. 
(...) 
Cristo não é o que digo d’Ele, mas o que vivo d’Ele... 
Cristo não é as minhas palavras, mas o que d’Ele arde em mim... 

Quem sou Eu para ti? 
Deus não quer saber do que sabemos d’Ele, mas da nossa paixão por Ele…»
(Padre João Torres, Quem sou Eu para ti?)

Vivemos o 21º Domingo comum, em que na liturgia da Palavra percebemos a necessidade de ter duas traves mestras para manifestar a autencidade da fé: a relação com Cristo e com a Igreja. 

A manifestação da fé em Cristo oferece-nos o dom da Igreja, que leva a dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. No evangelho deste dia verificamos a dificuldade de perceber a identidade de Jesus, mas nos nossos dias continua a haver tantas lacunas, no conhecimento da sua vocaçáo e missão, por parte de muitos cristãos! Por isso, continua a ser vital perceber quem é Jesus para nós.

Senhor nosso Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por NSJC… (Oração de colecta do XXI Domingo comum)

Como é bela esta oração, num convite a mergulhar onde se encontram as verdadeiras alegrias, as únicas que nos realizam e tornam felizes! Reparem que nos basta um único desejo!

«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt. 16, 13-20)

Façamos também esta confissão de fé, como Pedro. Repitamo-la com frequência, ao longo da semana.

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a XXI semana Comum, ano A)

Saber discernir

«O Evangelho deste domingo recolhe algumas parábolas brilhantes de Jesus, que pretendem comunicar algo, que tantas vezes esquecemos: o encontro com Deus é a coisa mais bela que nos pode acontecer, é uma surpresa pela qual vale a pena abandonar tudo, uma alegria que nos faz esquecer todo o resto. Mas para que tal aconteça temos que agir com astúcia e urgência.»

 
Padre João Torres, Movidos pela alegria

«No XVII Domingo comum, a liturgia da Palavra interpela-nos para assentarmos a construção da nossa vida nos valores fundamentais que Cristo nos transmite. A 1ª leitura apresenta-nos o exemplo de Salomão, que não se deixa enganar por valores passagerios e frustrantes. Na continuidade, da carta aos romanos, somos chamados a descobrir como ”Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam”. No evangelho, através das parábolas somos instruídos nos valores do Reino, através do tesouro escondido, da pérola mais preciosa e da rede.

"Senhor nosso Deus, protector dos que em Vós esperam, sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir, desde já, aos bens eternos. Por NSJC…" (Oração da colecta do XVII Domingo comum)

Com certeza que os bens deste mundo são bons, úteis e necessários. Mas não nos deixemos enganar: são passageiros, e não devem sobrepôr-se aos bens eternos. Por isso, precisamos viver as parábolas de hoje.

"Todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas". (Mt. 13, 44-52)

Não somos escribas, mas pedimos a Deus que nos instrua, para percebermos e experimentarmos o valor indispensável e riqueza mais preciosa do Reino, numa vida em Cristo.

Como Salomão, mais do que riqueza ou vida longa, precisamos da sabedoria, para fazermos as verdadeiras opções, pelos valores eternos.»

(Pe.Armando Duarte, partilha/reflexão para a semana que segue ao XVII Domingo Comum, ano A)

Partilhas maiores